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Mostrando postagens de Abril, 2017

Por que os Vagalumes Estão Desaparecendo?

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Eu, com essa velha mania de ler tudo o que me cai às mãos, acabei descobrindo a resposta para a pergunta acima em um saco de pão, enquanto tomava meu café da manhã.
Lembro-me de quando eu era criança, e bastava anoitecer para que o capim melado que cobria o morrinho ao lado de minha casa, e também as copas das árvores e demais plantas, ficassem cheios de luzinhas piscando; eu às vezes tinha a impressão de que as estrelas tinham descido do céu para brincar de esconder na Terra. 
Com o tempo, essas criaturinhas foram desaparecendo aos poucos, e presentemente, quando eu vejo um, chamo quem estiver perto para partilhar do meu encanto, tal a raridade desses bichinhos nos dias de hoje.
Lendo o texto no saco de pão, fiquei sabendo que as luzes dos vagalumes servem para atrair as criaturas do sexo oposto, para que possam acasalar. Porém, o texto explica que “Infelizmente, os vagalumes estão ameaçados de extinção pela forte iluminação das cidades, pois quando entram em contato com essa forte …

Vinco

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No espelho, eu te vi Em meu rosto de manhã.
Foi antes do café; olhei-me, e lá estavas, Cruzando a minha testa De um lado ao outro, Profundamente vincado.
Senti-o nas pontas dos dedos, Lamentei a minha falta Por não ter, há muito tempo, Desfeito os laços.



Histórias Enfadonhas

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Olá amigos!

Por sugestão de alguém que realmente entende do assunto e sabe tudo sobre blogagem, e é o proprietário de um dos blogs mais lidos de toda a rede, decidi fazer uma pequena mudança no meu blog "Histórias por Ana Bailune." 
A partir de hoje, ele se chamará Histórias Enfadonhas, por Ana Bailune. Mas não se preocupem; as mesmas histórias longas, enfadonhas, cansativas e desinteressantes continuarão a ser publicadas, e para torná-las ainda menos lidas e mais desinteressantes, eu continuarei publicando-as em capítulos - todos longos e enfadonhos, como sempre foram!
Pelo amor de Deus, peço-lhes encarecidamente que tenham pena de mim, leiam e comentem as minhas historietas, pois se não o fizerem, eu sucumbirei às críticas e deixarei de publicar para sempre na internet. Talvez eu tente suicídio, como no jogo da Baleia Azul, ao saber que perdi meus seguidores não-leitores. E vocês serão os responsáveis.
Como todos sabem, eu escrevo apenas para ser lida e agradar aos meus m…

HISTÓRIA

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Anos e anos Pilhas e pilhas De datas e nomes De nomes e datas E traças.
Séculos e séculos De feitos e glórias, Inglórias vitórias, Derrotas e mortes E cortes.
Eras e eras De guerras e acordos, acordos e guerras, Impérios desfeitos E pleitos.
Essa é a sina Dos homens na Terra, Eterno Retorno, Escrita no solo A História.



O DIABO RI

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O diabo ri quando batemos panelas esperando que justiça seja feita. Ele adora, e se diverte quando vamos às ruas e quebramos coisas das quais precisaremos mais tarde – ônibus, bancos, monumentos e prédios públicos, restaurantes e lojas. 
O diabo dá gargalhadas quando ficamos nas redes sociais defendendo políticos corruptos, incapazes de percebermos que não existe um só deles que seja honesto, que valha a pena ou que mereça um segundo sequer da nossa consideração. Todos – absolutamente todos – estão envolvidos em mamatas e corrupção, utilizando dinheiro em suas campanhas que deveria ter sido usado para salvar as vidas de milhões de pessoas em hospitais, pessoas que morreram sem atendimento médico, sem remédios, sem leitos hospitalares, enquanto eles viajavam e se divertiam em países estrangeiros, e financiavam as mamatas dos ditos “artistas populares” que só os defendem porque são, eles mesmos, beneficiados com parte do dinheiro roubado. 
O diabo é um sujeito irônico, e ama ver as pes…

DESMISTIFICAÇÃO

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Olhe nos olhos do monstro, Vasculhe o restolho Por onde ele passa, Procure a esperança Nas suas pegadas, E talvez enxergues Que os seus tentáculos Não passam de tranças Bem embaraçadas.
Ouça as palavras do monstro, Quem sabe, concluas Que as suas loucuras Não passam de um plano, Uma espécie de cura, Que o tom ressabido, O uivo pra lua, Tenha ressonância No teu par de ouvidos.
Sinta a pele do monstro, Perceba sua dor; A sua mordida É falta de amor, Tristeza da vida, E o seu veneno Não mata ninguém, Somente ele mesmo. Disfarce o desdém, E diga uma prece À alma perdida.








SALVAÇÃO

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E quando, surpresos,  perguntaram ao poeta por que ele não salvava seus poemas em arquivos, ele simplesmente respondeu, encolhendo os ombros:
"Porque são eles que me salvam."



AGORA EU VOU FALAR DE AUSÊNCIA

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Agora eu vou falar de ausência, Pegue uma cadeira, Apague as luzes, Desligue o celular.
Escute o som do vento, Que não para de soprar No túnel da minha vida. Escute os ecos fendidos Dos passos que se afastaram, Escute o trovão que ruge Quando o coração se quebra Se espatifando no chão!
Não tente me consolar, Não tente dizer palavras Pensadas na contramão Que possam fazer sentido! Só senta aqui e escuta,  Me empresta esse par de ouvidos Para que então tu me entendas, Para que então compreendas Quando eu te falo de ausência!
Não quero solidariedade, Nem quero que sintas dó; Só quero mostrar-te a ausência Que ficou perambulando Por esses meus corredores Arrastando suas dores Por onde antes se ouvia O que o coração cantava, Os passos de quem partia, Os passos de quem chegava!
Agora eu vou falar de ausência, Preciso que ouças bem, Porque já estou cansada De tanto explicar porque, De tanto mostrar as pontas  Do laço que foi cortado, As pontas esfiapadas Das fitas já desbotadas Que já não p…

#Eunãotenhogatos

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#EuNãoTenhoGatos
Eu ali, concentrada, dando minha aula. De repente, meu aluno indaga: "Ué, Ana... você tem gatos?" Eu olho para ele (eu estava escrevendo no quadro) e respondo, surpresa; afinal, aquela pergunta estava totalmente fora do contexto da aula: "Não! Por que?"  Ele aponta para a porta da sala de aula, e diz: "Porque tem um gato bem ali!"
Olho para fora, e vejo essa gatinha passeando pela minha sala de jantar. Logo a reconheci, pois numa noite em que meu marido ainda não estava em casa, ela me deu um baita susto: passei pelo corredor, e dei com aquela sombra sinuosa e silenciosa descendo as escadas. Eu me arrepiei até o último ossinho da coluna, e ela estancou entre um degrau e outro, me olhando, as pupilas dilatadas em estado de alerta. Esclarecida a situação, ainda ficamos ali paradas, nos olhando e testando nossas reações. De repente, eu sorri, e esfreguei os dedos da mão, chamando-a. Ela ergueu a calda, e acabou de descer as escadas, ronrona…

Exposição

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As cores da aquarela eram cores magoadas, Havia imensos nãos entre a palheta seca E as tintas aguadas. O pincel tocava as cores que dormiam, caladas, Entre as nervuras rachadas.
Não havia água.
O sonho e o desejo permaneciam mudos Sobre a tela branca que ninguém pintava. Quadros jaziam sobre as paredes nuas, O anseio dos olhos não passava pelos corações, Não transportavam as emoções caladas.
Havia um grito preso que queria ser, Havia a ansiedade de nascer... -Mas como, sem um berço, sem caminhos, sem estradas, Sem cores – só as telas brancas, que não traduziam A dor presa no ventre, que quase matava?




Prece

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Madrugada;  Os olhos se abriam de repente Na casa vazia. Na cozinha, Uma xícara de chá de solidão.
Por companhia, Os ecos das batidas Soando pela casa: Um relógio carrilhão.
Uma, duas, três horas de agonia, Quatro, cinco, seis passos pelo chão Marcado pelos saltos Daqueles que se foram.
A prece em desespero Às pressas recitada, Palavras gotejadas  Aos pés da madrugada...
A prece, bem aos poucos Virando imprecação: "Para onde foi aquele Que transformou-me  a vida Nessa desilusão?"
De volta à cama, o suor Após o pesadelo... -Não há nada que apague, Ou que traga de volta Por esses mesmos trilhos Aquilo que se foi!
Sozinha pela vida, Tornara-se refém Daquela prece árida, Daquelas noites pálidas De dores sussurradas...
Nada mais lhe restava, A não ser uma prece Na qual não acreditava, E a última palavra (Que conhecia bem) Pois era a que selava A sua solidão:
"Amém."