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Mostrando postagens de 2016

A CAUSA ANIMAL

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Não acredito muito em causas, sejam elas quais forem, pois tenho visto que muitas boas intenções acabam servindo de lenha para manter aceso o fogo do inferno. Porém, se eu fosse defender alguma causa, com certeza seria a dos animais – seres inocentes e indefesos que sofrem com as crueldades e desmandos da raça humana, sem nada terem feito de ruim para merecerem tantos maus tratos. Admiro as pessoas de bem que realmente estão comprometidas com a defesa dos bichinhos, sem interesses próprios envolvidos – o que é mais raro. Porém, sou contra a bandeira que diz: “Não compre; adote.” Acho que bicho é aquela coisa de olho no olho, amor à primeira vista, e se eu me apaixonar por um bichinho que está em uma gaiola na pet shop, eu vou comprá-lo. Eles também merecem uma chance de serem amados e felizes em um lar, assim como os cães vira-latas! De certa forma, as pessoas que compram animais também estão contribuindo com a causa, já que os livram de continuarem engaiolados ou de servirem de repr…

EXAGEROS

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Você não tem que perdoar tudo o que te fazem, por mais que as outras pessoas digam isso o tempo todo. Duvido que elas mesmas pratiquem o que pregam. Você não tem que fingir que sente algo que não sente de verdade.
Mas aquilo que você não consegue perdoar não deve se tornar uma obsessão, um pensamento fixo. Melhor é tentar esquecer e seguir em frente. Vingar-se pode ser bem mais doloroso do que seguir em frente, e dá muito mais trabalho – sem contar que a vingança cria uma energia negativa que fica pairando em volta de quem se vinga, contaminando o ambiente e afastando as boas pessoas e os bons fluidos. A vingança pode deixar você fisicamente doente.
Porém, hoje em dia somos dados a exageros. Tais exageros apaixonados colocam-nos em situações terríveis e emocionalmente desgastantes. Muitas vezes – e isto também já aconteceu comigo – perdemos a razão porque deixamos que as palmas das nossas mãos caiam pesadas demais sobre alguém.
Você não precisa desejar que a pessoa que o ultrapassou …

Dentro

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Dentro de cada pessoa Existe um quarto vazio, Que mostra uma paisagem fria Onde raramente chega A luz fraca de um dia.
Existem estradas longas Já há muito abandonadas, Estradas por onde passamos Mas que deixamos para trás, E nunca mais foram trilhadas.
Dentro de cada pessoa, Existem portas entreabertas, E mil janelas fechadas.
Dentro de cada pessoa, Existem rios que correm Caudalosos, carregando As saudades afogadas Para um mar que não sabemos.
Existem casas desertas, Por onde ninguém mais passa, E onde ninguém mais mora, A não ser nossos fantasmas.
Dentro de cada pessoa Existem muitas perguntas, Que por medo ou precaução Jamais foram formuladas.
As respostas, me disseram, Vão com os rios caudalosos, Que desaguam, cedo ou tarde, Em imensos oceanos, E escondem-se nas trilhas Dos caminhos misteriosos, Nas casas abandonadas Por trás das janelas fechadas, E das portas que trancamos.




HUMANIDADE

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Existe um nome que hoje ecoa na mídia, e que jamais será esquecido: Aleppo. Imagens das crianças que foram mortas ou que perderam suas famílias correm pela internet e pelos jornais e revistas do mundo todo. E eu fico me perguntando o quanto a raça humana progrediu ao ver cenas como as que foram mostradas ontem no programa Fantástico. 

2016 foi um ano dramático. Nosso país está mergulhado em lama, sujeira, corrupção e oportunismo. Parece não haver um prazo para que estejamos de pé após esses últimos anos de roubalheiras, que continuam. Mais de doze milhões de desempregados vão passar pelo natal sem ceia e sem presentes. 

A Venezuela, tenta sobreviver à fome e à ditadura cruel de um político enganador cujo único objetivo é manter-se no poder. Maduro já caiu de podre, e ainda não percebeu. Enquanto isso, nas ruas as pessoas recorrem aos saques – talvez, numa tentativa desesperada de salvarem suas famílias de morrerem de fome.

Mas nada se compara a Aleppo e às suas crianças massacradas. …

Mil Mortes

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Ah, a dor de morrer mil vezes, Sob o peso dos mesmos pés, Que pisam, inclementemente As asas mais distraídas!
Destruir a própria vida Após o mais longo inverno Pensando já ter cumprido Uma estadia no inferno!
Segunda morte, que mata Mais forte, e profundamente Aquilo que está por dentro Apodrecido, demente!
Ah, a dor de errar de novo Brandindo uma vara curta Contra os tentáculos fortes Do mais destemido polvo!
Morder a flor entre os dentes Até que se quebre o galho, Amordaçar fortemente Silenciando o ato falho!
Mistério, é tudo mistério, Do começo até o fim Pois quem morreu, retornou E passa a zombar de mim!
Ah, a dor de morrer de novo Sob as rodas mais pesadas Da carruagem, que passa, E dela, não fica nada...
E o cão só ladra, só ladra, Uivando, às vezes, à lua Que observa, refletida Na suja poça da rua!
Na poça da mais vil lama, A imagem refletida De quem almejava o céu Mas perdia a própria vida...




Os Piores Fantasmas

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Os piores fantasmas
Não carregam nenhuma
Memória,
Os piores fantasmas.
São únicamente
Histórias
Já contadas.


Almas transformadas
Implodidas pela ambição,
De olhos insensíveis
E mãos separadas.

A eles, nada importa,
Nada conta,
Nada.



Os piores fantasmas
Ainda nem morreram,
Sentam-se, indiferentes, 
À mesa
De uma ceia indigente,
Os queixos apoiados nas mãos,
Os olhos perdidos,
Separados para sempre
Por milhas e milhas
De palavras malditas
Mal ditas.

São vidas sozinhas
Que perderam o encanto.
Sorriem nas fotos,
Entretanto...



ESQUECIDA

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Paisagem esquecida De terra árida e águas corrompidas: Assim tem sido a tua vida.
Estradas largas e desertas, Por onde andam fantasmas esgarçados, Desbotados, carcomidos, E sem memória.
Ah, o surreal e abstrato Mundo insandecido Onde passos vacilantes Já não conhecem os caminhos!
E os gritos lancinantes Não encontram a paz final, O porto seguro De um par de ouvidos!






COMO VOU ADORNAR A MINHA ÁRVORE DE NATAL? - INTERAÇÃO COM ROSÉLIA BEZERRA

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Bem, a minha árvore já está prontinha, desde novembro. Sempre a monto mais cedo, pois gosto de manter o clima de natal em casa por mais tempo.




 A cada ano eu coloco luzes de cores diferentes - brancas, multicoloridas, azuis, verdes... mas este ano eu escolhi rosa - a cor do amor - justamente porque eu acho que é disso que o mundo precisa.





Antes, vermelho era a cor do amor, mas com o uso que está sendo feito desta cor atualmente, preferi não usá-la em minhas luzes... embora eu goste de tê-la como a cor predominante do natal! 



Também incluí um boneco quebra-nozes - sempre quis muito ter um, mas ou eram muito caros, ou então não tão bem acabados. Finalmente, encontrei um que me agradou.




Meu marido me presenteou com esse pequeno presépio luminoso (primeira foto), que quando aceso, deixa o Menino Jesus dentro de uma esfera de luz cujas cores vão se alternando.



Para mim, As cores do Natal são vermelho e verde, então coloquei-as no tapete (vermelho) e nas almofadas do sofá (verdes) e no panô…

ABORTO COMO MÉTODO CONTRACEPTIVO

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Existem mulheres que são favoráveis à legalização do aborto. Eu não sou, a não ser em casos de estupro, problemas graves de má formação do feto ou quando a mulher corre risco de morte. Não por eu ser moralista, muito menos, religiosa - coisas que nunca fui - mas tenho as minhas razões.
-Em primeiro lugar, eu acredito que a mulher tem sim, o direito de tomar as decisões que quiser no que concerne ao uso do seu próprio corpo. Ela pode engordar, emagrecer, fazer exercícios físicos, tornar-se sedentária, tatuar-se, encher o corpo de piercings, raspar os cabelos, e até amputar as próprias partes (ou acrescentar outras). Porém, quando se fala em aborto, não é o corpo da mulher que está em jogo, mas um um outro corpo e uma outra vida que está dentro dela, cuja opinião ninguém perguntou, e que é fruto (na maioria das vezes) da irresponsabilidade e do egoísmo alheios.
-Em segundo lugar, não acho que o aborto possa ser considerado um método contraceptivo, pois antes dele, há muitos outros que …

EU SOU EGOÍSTA.

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Alguém chamou-me de egoísta por eu não concordar com o comunismo. Admito: sou egoísta mesmo.
Sou uma pessoa muito egoísta. Eu me recuso a dividir com os outros as coisas que eu consegui através do meu trabalho. Sou uma coxinha irascível, assumida e com assinatura – é assim que me descrevem, e eu assumo. Se eu ajudo outras pessoas? Não saio por aí fazendo propaganda disso, e nunca vou fazer. Mas penso que ajudo muito mais do que quem vive proclamando bondade e abnegação online. E não, eu não gostaria de dividir a minha casa com outra família, nem digo que gostaria.
Sou tão egoísta, que acredito em coisas surreais, como por exemplo, no trabalho, na educação e na força de vontade das pessoas. Eu acho que todo mundo tem condições de trabalhar e obter uma vida melhor através dos próprios méritos. E acredito que uma vida melhor não signifique ser rico, mas ter uma vida melhor do que aquela que nossos pais tiveram. Sou tão absurdamente egoísta, que não aprovo o aborto, mas aprovo o controle…

Morrer de Fome

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Existem várias formas de se morrer de fome. A forma física é dolorida, cruel, inadmissível. Acho simplesmente bizarro que em pleno século XXI ainda haja pessoas que morrem de fome pelo mundo, porque a distribuição de comida é tão injusta. Todos nós cometemos o crime de jogar comida fora, nem que seja aquela sobrinha de arroz no fundo da panela, o pão que endureceu, a comida que foi feita a mais e ninguém comeu e acabou estragando. Somos campeões em desperdício. 
Mas há uma forma de morrer de fome que é mais lenta, talvez fisicamente menos dolorida, mas que mata uma coisa muito mais importante do que o corpo: mata a alma. É quando alguém delimita nossos caminhos, dizendo por onde podemos ou não seguir, a quem adorar e a quem odiar, quanto dinheiro podemos ter, onde podemos morar, e com quem, a quem pertencerá aquilo que produzimos através do nosso trabalho, quais ideias podemos propagar e quais ideias devemos calar sob risco de morte. 
E ficam as pessoas que morrem desta morte vivendo…

Google, O Paaaai

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Ainda me lembro de quando eu fazia pesquisas para a escola: primeiro, ia a uma biblioteca e pesquisava o assunto em vários livros diferentes, selecionando (e copiando à mão) as partes que interessavam para a minha pesquisa; depois, chegava em casa e procurava figuras em revistas a fim de ilustrar meu trabalho (piquei muitas revistas das minhas irmãs e levei algumas broncas por isso); depois, passava o material todo a limpo, torcendo para não errar (alguns professores não admitiam qualquer tipo de rasura, e tinha que começar tudo de novo se cometesse algum errinho). Também tinha que fazer uma capa para o trabalho, com letras de imprensa para o título, colorindo com canetas hidrocor. Eu, que nunca tive habilidade para desenho, sofria muito nessa parte.
Levava pelo menos quatro horas para terminar tudo, sem contar a parte da pesquisa, que significava ter que tomar um ônibus, ir até a biblioteca, ficar lá uma tarde inteira e depois tomar outro ônibus para casa.
Hoje em dia, as crianças t…

A Morte Não Mata

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A Morte Não Mata

A morte não afasta; até aproxima Agora  e para sempre, pelo pensamento O que já está fora e o que ficou dentro, E que pelo físico se afastaria.
A morte não mata o amor, nem o ódio, Não se deixa de amar, ou se passa a amar... Um foi, um ficou, mas se o laço ainda existe, Não há recomeço, nem mesmo algum pódio.
A morte é apenas janela fechada, Mas ainda há a casa, e o seu morador Que guarda a saudade, ou todo o rancor Daquele que passa por sua fachada.
A morte não mata; o morto não morre, Pois a sua ausência ainda traz dor (Quem sabe, alegria, se não houve amor) Quem fica carrega consigo as lembranças.
Mas e quem se foi – lembrar-se há, ainda, De quem adorou ou odiou nessa vida? Eu creio que ‘sim’ é a certa resposta, Não há mais a chave, mas ficou a porta.






"O amor não mata a morte, a morte não mata o amor. No fundo, entendem-se muito bem. Cada um deles explica o outro."

Jules Michelet






Sentidos

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Eu acho que o amor É uma briga de sentidos: Cheiros, sabores, cores, sons Ecoando em vários tons Na ansiedade de um par de ouvidos.
Uns pensam que amor é só sentimento, Volátil, feliz ou sofrível, Um sentir que ninguém explica Porque não cabe em ‘sim’ ou ‘não.’ Mas eu acho que amor é carne, alma e sangue, Um pouco abaixo da loucura Que se situa na paixão.
Depois, o fogo abranda, e ficam Entre os gritos, silêncios e meiguices, As brasas quentes e vermelhas As mesmas que nos aquecerão (Meias de lã não bastarão) Nas noites frias da velhice.




Momento de Paz

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O Paraíso É quando estás em paz, Envolto em branco Bem no meio do arco-íris, Descansando na  serenidade, Sem querer prender a liberdade.
Estar em paz, é não querer mais nada, A não ser agradecer pelo que tem, Pelo que já é, e até Pelo que jamais poderá ser.
É sentar-se lá fora, sobre a grama, E fechar os olhos para melhor ver, Abrir os sentidos, Sentir no vento os cantos dos pássaros Vindo, vindo, vindo, vindo...
Se houver chuva caindo, Multipartir-se com as gotas E cair junto com elas, Achando que o dia é lindo, Lindo, lindo, lindo, lindo...



VIDA

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Sons de cristais que brindam, Sons de cristais que quebram: Assim tem sido minha vida Nos caminhos que me levam.
Sonhos e pesadelos, Vontade de despertar Ou de dormir para sempre E nunca mais acordar.
Cheiro de flor e mato, Cheiro de asfalto quente: Eu sigo, aceitando os fatos No meio de tanta gente.
Ora triste, ora contente, Assim como todo mundo Que vai procurando um rumo Entre o raso e o profundo.


Lembrança de um Dia Feliz - e Outras Lembranças

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Não sei por que eu fui me lembrar deste dia logo hoje, que está chovendo e faz frio. Mas de repente, ele me surgiu lá do baú das coisas perdidas, quem sabe, trazido à tona pelas gotas pesadas de chuva que caem umas sobre as outras, e que eu - enquanto esperava por meu aluno - olhava da janela. 
Era uma tarde de verão. Minha mãe tinha um irmão por parte de mãe que morava em São Paulo, de cuja existência ela só ficou sabendo depois de adulta. Ele às vezes costumava nos visitar, e quando vinha, dormia no sofá da sala, e trazia alguém com ele: uma das filhas ou sobrinhas. Eu gostava muito do Tio Eugênio. Ele fumava muito, e vivia tossindo. Toda vez que ele tossia, colocava a mão sobre o coração e respirava fundo, os olhinhos caídos, e dizia: "Meu coração vai falhar a qualquer momento..." Na verdade, ele viveu bastante, embora pudesse ter vivido bem mais se não fumasse tanto. 
Naquele dia, ele estava lá em casa. Estava sol e muito calor, e eu e minha irmã, que estávamos usando b…

Se Você me Deixar

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Se você for embora, Não vai levar consigo um pedaço meu, Não me fará andar pela rua, entre o breu, Nem ficarei cheirando a tua camisa usada.
Não, não vou ficar aqui, te esperando voltar, A cama desfeita, a luz apagada, A chorar, encharcando a fronha onde eu bordei Teu nome com tanto zelo, no meu travesseiro.
Se você for embora, O tempo vai passar, e eu vou te esquecer (Mas escolha ir embora sem jamais morrer) Pois o vento e a chuva levam tudo o que fica E o teu nome vai embora na enxurrada, a escorrer...
Sei que o que sempre houve morrerá aqui, Porque a vida seguirá, e o tempo não para Para contarmos o tempo, nem ao sentirmos saudade...
Porém, há uma grande verdade que o futuro assiste, Ao olhar para trás, lembrar você há de deixar-me Mesmo que só às vezes, tremendamente triste...




No link abaixo, eu cantando Tim Maia

http://www.smule.com/recording/tim-maia-voc%C3%AA/240746628_762838393?utm_source=facebook&utm_medium=web&utm_campaign=share





Lembrança

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Quem morre, É como um pássaro que se lança num abismo E nunca mais pousa.
Gosto de olhar para o céu E pensar em voos eternos, Asas que movem-se, abertas Por sobre a saudade dos vivos. Estranho, como nos tornamos Tão próximos de quem se vai, Pois é possível, sempre, Olhar para cima e revê-los, Abranger distâncias  Através dos pensamentos.
E essas águias que planam, O que sentem? Escutam as preces sopradas, Ou pairam sobre as saudades Num voo longo e solitário Sem pousos, sem sofrimentos, Adormecidos?
Mas há manchas no azul, Há sombras dentro das nuvens E um brilho diferente

Minha Casa

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A minha casa é meio-Frida Kahlo: As cores se misturam e se espalham Aleatoriamente nas paredes, Em verdes e azuis, roxos, laranjas, Em brancos, amarelos e vermelhos.
Cortinas não tem forros; esvoaçam Ao vento que adentra e as agita, E espalha o cheiro doce do incenso Que eu queimo pela casa todo dia.
A minha casa é simples, e aqui dentro Somente os objetos que amamos: Presentes e lembranças de viagens, E coisas que gostamos e compramos.
Por sobre a escadaria de madeira, As mãos dos marceneiros já idosos... A maioria deles já se foi, Deixaram suas presenças no meu chão.
Sob esta escadaria, hoje estão Os livros que mais amo, e que não doo; De vez em quando os leio, e então me entrego A branda realidade dos seus voos.
O meu jardim é uma parafernália De plantas que eu encontro pela rua, E ao plantá-las, raramente brotam Onde eu as plantei, mas onde querem.
E Burle Marx, acho, se revira Na tumba onde dorme, ao contemplá-lo! Pois nada nesse canto é ordenado, E nada obedece seus espaços!
Cr…