quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Felicidades!









Eu te desejo

Um cão correndo no quintal,

Uma torta quentinha sobre a mesa,

Boa música tocando por perto, sempre,

Noites de sono tranquilas,

Um gatinho enrolado na poltrona,

Sol e chuva na medida certa,

Trabalho durante o ano inteiro,

Saúde a maior parte do tempo,

Olhos amigos sempre te olhando,

Beijos na boca, sempre sinceros,

Um bom filme numa tarde de sábado,

Sorvete nos dias mais quentes,

Passarinhos cantando nas árvores dos caminhos que você percorre,

Lembranças bonitas no seu álbum da vida,

Dinheiro sobrando para aquele mimo,

Um grande sonho finalmente realizado,

E gratidão por todas essas coisas.






Mas... pensando bem,

Se você prestar atenção, 

Verá que já possui a maioria delas,

E as que te faltam, são por um propósito maior...

Pensando melhor ainda,

Eu te desejo mesmo é gratidão por todas as coisas,

Para que você possa, finalmente,

Atingir este propósito maior

E tornar presente o que te falta.






Que no próximo ano,

Você possa deitar-se todas as noites

Sabendo que não fez mal a ninguém,

Não desejou mal a ninguém,

Foi minuciosamente honesto em suas atitudes,

Pesou bem todas as suas escolhas,

Ajudou alguém, e não contou a ninguém,

Trabalhou feliz, dando o seu melhor sempre,

Importou-se com o que realmente importa,

E deixou tudo o que é ruim

Do lado de fora da sua porta!



FELIZ 2016!







Um Andarilho











Eu vago pelo mundo
Sem ter um mundo.
Procuro, em outros olhos, 
A minha substância,
Mas eles não me veem,
Apenas me assistem.

Eu morro esmagado
No encontro das palmas,
Em busca do que me falta,
No calor dos aplausos.

Fabrico sonhos mortos,
Divirto a multidão;
Sou fruto dos anseios
Que eu mesmo crio
Ao subir no picadeiro
Deste imenso circo.

Eu sou um caminhante,
Palhaço, o rosto borrado
Pelas lágrimas que eu disfarço,
Errado, perdido, errante...

A falácia que eu propago
Poderia ser honrosa
-Não fosse pelo embargo
Da minha própria palavra.

Ah, estive sempre tão próximo
Daquilo que eu mais combato,
E a distância que nos separa
Está ao alcance de um braço!

Do alto da montanha,
Contemplo um vasto campo
Vazio de sentidos,
Meu rosto decaído,
Onde meus monstros estão
Tristonhos e perdidos,
Lá, onde eu escondo
A minha solidão.





domingo, 27 de dezembro de 2015

COM UMA PALAVRA - UMA REFLEXÃO





Partilhei na minha página do Facebook uma publicação de Álvaro Garnero – de quem sou admiradora incondicional – na qual ele pedia que as pessoas definissem, em uma só palavra, como foi o ano de 2015 para cada uma delas. Eis alguns dos resultados:

-Bom
-Rico
-Decepcionante
-Turbulento
-Ambivalente
-Esperança
-Mudanças
-Merda
-Desafios
-Sorte
-Bênçãos
-Ilusão
-Tensão
-Aprendizado
-Constatação.

Até agora (27/12/2015, 6:50 da manhã) foram mais de 30 respostas. A maioria delas, positiva. Algumas das pessoas que deixaram palavras negativas, o fizeram por motivos que conheço muito bem: perdas familiares, dificuldades financeiras, decepções. São coisas que fazem parte da vida da gente, e das quais ninguém escapa.

Compreendo-as muito bem, pois lembro-me da pior fase de minha vida, que deu-se entre os anos de 2011 e 2012, durante a qual sofri muitas perdas, decepções, desilusões, separações e como se já não tivesse bastante com o que lidar, tive que suportar ataques virtuais de pessoas que regozijavam-se com tudo de ruim que estava me acontecendo. Pessoas assim não sabem que desejar o mal aos outros somente as cerca de energias negativas e pesadas, tornando seu ambiente cada vez mais escuro – assim como suas almas. Naquela época, um colega do Recanto, Yamanú, me deu uma bronca que me sacudiu bastante; ele me disse: “Não entendo porque você cisma em visitar a página dessas pessoas horrorosas ao invés de visitar as páginas das pessoas amigas que te fazem bem!” Mas eu estava cega, e devido àqueles ataques, saí do Recanto e abri meu primeiro blog. E tive uma grande surpresa ao constatar que as pessoas que visitavam minha página no Recanto, passaram a visitar-me em meu blog, e que houve até um movimento encabeçado por Marcelo Braga, Yamanú e Cássia da Rovare (In MemoriaM) para que eu voltasse. Foi muito importante sentir-me querida, e ter o apoio daquelas pessoas que “assinaram” as páginas nas quais eles fizeram os apelos – e foi muita gente! Agradeço de coração a todas elas. Dali, surgiu a escrivaninha Cavaleiros do Apocalipse, que ainda está por aqui.
Bem, se aqueles foram anos difíceis para mim, se eu parar para pensar melhor, houve coisas boas também, e daquilo que foi ruim, a palavra que ficou foi APRENDIZADO.

Mas voltando à publicação que fiz no Facebook, uma das palavras deixadas em minha página chamou muito a minha atenção, e foi justamente a de alguém de quem gosto muito, e que me ajudou muito na minha profissão: a minha professora de preparatório, Chris Dupont. A palavra que ela escolheu para definir 2015 foi: “GRATIDÃO.” E ela foi a única a escolher esta palavra até agora. Isso me fez refletir o quanto nós temos tendência a reclamar, focar no que é ruim, fazer escolhas que nos levam à tristeza. Poucas vezes nos lembramos de simplesmente agradecer. E basta olhar em volta para ver que temos muitos motivos!

Assim, faço minha a palavra que ela escolheu: GRATIDÃO. Porque 2015 foi um ano no qual trabalhei muito, aprendi muito, adquiri muitas coisas que eu desejava, tive saúde, fiz novos amigos, tive a chance de ler livros maravilhosos, abri um novo blog (já são seis!), enfim, o saldo foi mais que positivo. E o melhor de tudo, é que pude chegar até o final deste ano sabendo que não fiz mal a pessoa alguma, não desejei nada de ruim a ninguém e todas as minhas vitórias foram legítimas, fruto do meu trabalho e do reconhecimento verdadeiro das pessoas.

E para você: qual foi a sua palavra mais importante em 2015? Vamos fazer esta reflexão?

Espero que em 2016 todos possamos estar aqui novamente, partilhando nossas experiências, enriquecendo uns aos outros com nossas palavras, lembrando-nos sempre de agradecer por tudo que nos acontece, mesmo que seja ruim, pois fica a experiência de vida, e que possamos também incentivarmos uns aos outros, respeitarmos uns aos outros e aplaudirmos uns aos outros, pois a vida só tem graça se a maioria das pessoas forem felizes. Eu quero que todos sejamos genuinamente felizes no próximo ano.




sábado, 26 de dezembro de 2015

SE A GENTE NÃO CHORA







A dor não vai embora
Se a gente não chora
Se a gente demora
A dizer adeus...
A lágrima quente
É um mar de partir
Pra quem finalmente
Quer se despedir.

Nada vai embora
Se a dor não lateja,
Seja como for,
É preciso soltar
O que não faz mais parte,
O que quer se apagar
O que nós insistimos
Em fazer ficar.

Nada vai embora
Sem a despedida
De cabeça erguida,
Consciente, real
Porque toda história
Precisa ser lida
E se foi bem vivida,
A lembrança é o sal.

Nada vai embora
Se a gente não deixa
Se a gente se queixa
Do vão do abraço
Do corte no laço,
Mas é essencial
Depois da partida,
Um ponto final.




segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Por que eu Não te Disse Nada?








Eu não te disse nada
Porque eu não queria fazer barulho
Nessa tua paz acamada,
Doente de tantos silêncios,
De tantos adeuses, tão carente...

Preferi ficar calada
A acordar os teus ruídos,
Sustenir minha alegria
Sobre os teus gemidos,
Tive medo de falar demais,
Perguntar demais,
Ser invasiva.

Eu não te disse nada
Porque temi que minhas palavras
Arranhassem a tua madrugada,
Desrespeitassem tua dor,
E que minhas condolências
Pudessem ser um cravo a mais
Sobre a tua alma cansada...

Tentei poupar o teu espaço
Da minha presença desajeitada,
Da minha falta de tato,
Eis porque
Eu não te disse nada...





sábado, 19 de dezembro de 2015

REPUTAÇÃO









A minha
Só a mim interessa.
Então, por que a pressa?


As asas das chantagens 
Estão presas na lama, 
Num voo que não decola, 
E só asco derrama. 


A quem nada teme,
Nada deve,
A opinião mundana
Nada diz.

Se eu sou feliz
À minha maneira,
O caminho de uma vida inteira
Falará por si.

A chantagem
A vadiagem,
Falam muito mais
Sobre quem as pratica.







sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

EU HOJE ACORDEI





Eu hoje acordei com o gosto do sonho na língua,
As saias de outros mundos pelo chão, ainda,
As pontas escapando entre os vãos dos meus dedos,
Um vento me beijou, selando as passagens...

Um riso manso, bonito e de tom tão profundo
Ainda nos ouvidos, qual frescas aragens,
Saiu pela janela, balançando as asas,
Voou sobre os telhados, voltando pra casa...

Ficaram sobre a fronha algumas lembranças,
Mas logo o sol levou-as - a vida prossegue,
Até que um dia, o mesmo sonho assim me leve,
Tornando-me riso, sabor, e esperança.






quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

ESCUTA












Escuta o que não dizem,
Escuta o que eles calam,
É bem mais verdadeiro,
É bem mais eloquente,
E muito mais sincero.

Escuta a cor dos olhos,
O brilho das pupilas,
Os cílios se movendo,
As lágrimas tremendo
À beira das retinas.

Escuta o gesto simples
Que é feito no escuro,
Na solidão das casas,
Por trás de cada muro,
Quando ninguém mais olha,
O vento sob as asas.

Escuta o absurdo,
Bem além das palavras,
Escuta o que é mudo,
O que nunca foi dito;
No que ninguém escuta
Habitam os sentidos.





quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

FINA









Ela era fina sobre a superfície,
Qual pena de cisne em lago de nenúfares,
Refletia o céu nas pupilas oblongas
Quais as da serpente, quando se arrufa.

Ela era fina e escorregadia,
Não se dava conta de sua alma vadia...
Ela era tão fina, e no entanto, demente,
Fruto apodrecido da mais vil semente.

Ela era fina, mas se abria a boca,
O ar se cobria de odor nauseabundo:
Da sua malícia e maldade, brotavam
Palavras torcidas que arranhavam o mundo.

Ela era fina, pregava moral
Discursava sempre sobre o "bem" e o "mal..."
Mas suas verdades tão fracas, tão frágeis,
Não sobreviviam a um outro arrebol.

Ela era tão fina, que enganava a muitos...
Apontava o dedo com a unha suja
Do que há segundos, ela retirara
De um local escuro, fétido e profundo...






segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

ADEUS









Eu disse adeus abstersa,
Num gesto, deixei de olhar...
Fechei a porta entreaberta
A quem não queria entrar.

Eu disse adeus sem chorar,
Sem dramas, sem rompimentos,
Ficou pairando no ar
O fio de um sentimento.

Eu disse adeus num gemido,
De sopro quase inaudível,
Ficou perdido o sentido
De um sonho não mais plausível...

Eu disse adeus porque quis,
Pés nús sobre o frio chão
Do solo tão duro e gris
Da minha desilusão!

Eu disse adeus sem lamentos,
Parti sem voltar o rosto
A quem cultivou tormentos,
A quem destilou desgoto.

Eu disse adeus em silêncio,
Lamentando a indiferença...
Meus passos soaram tensos
Nas lajes da mal-querença. 

Eu disse adeus, e é tudo
O que eu podia dizer...
E quem permaneceu mudo,
Não há de me ver morrer.




quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Lá, Onde eu Sou Poeta








Existe uma terra longe,
Lá, onde eu sou poeta,
Onde Bocage é asceta
E Pessoa se esconde
Por trás de seus codinomes.

Shakespeare está perdido,
Entre os sapos de Bandeira,
E Florbela não é triste:
Ri da dor que ainda insite,
Canta e dança a noite inteira!

Lá, onde eu sou poeta,
Augusto não é dos anjos,
Mas amigo de Neruda.
Quer beijar a boca muda
De Cecília, que segura
Pelo braço, seu marido
Mal comido e mal roupido.

Existe uma terra estranha,
Surreal, onde eles andam
Procurando suas memórias,
Esquecidos de suas glórias
Os poetas, já morridos
E os ainda não nascidos.

Lá, onde eu quero estar,
Nossas letras se confundem,
Somos alvos de mil setas,
Somos grandes e pequenos,
Entre amargos e amenos
-Mas somos todos poetas.





MINHA MISSÃO É ESTAR AQUI

Estava lendo  uma entrevista da psicóloga e personal coach americana Laura Ciel, no qual ela fala sobre aquele momento (momen...