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Mostrando postagens de Agosto, 2015

QUEM É MORTO SEMPRE APARECE

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Quem é morto Desce as escadas, Puxa correntes De pura mágoa. Apaga as fotos Nas elegias, Arranca as folhas Rangendo os dentes.
Quem é morto, Sempre aparece... Escolhe um canto Para assombrar Com seu quebranto. Lê os jornais, Não é notícia... Mantém segredo: -Pura estultícia!
Quem é morto, Sempre aparece, Não tem sossego: Deixa pegadas, Abraça o vento, Abraça o ar, Tem substância De esquecimento.
Quem é morto, Sempre aparece: Pede, em sussurros, Mais uma prece. Mata sua sede De alheias lágrimas, E reencarna Reinventando-se, Esconde escaras Lavando a cara.




Me Perdoem

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Me perdoem por meus comentários breves; eu leio. Comentar, para mim, é difícil, pois eu temo cometer algum pecado ao dar uma interpretação pessoal demais. Às vezes, comento falando de mim, da maneira como o texto me afeta, pois é  assim que sei melhor comentar. Não sei fazer comentários falando de gramática, estrutura poética, rimas e métricas, pois não entendo quase nada dessas coisas.
Para mim, aquilo que alguém escreveu é solo sagrado, e a gente deve entrar de mansinho, descalços, sem fazer muito ruído, sem atiçar fogo à sarça, e isto foi algo que aprendi após alguns deslizes.  Leio, e penso sobre aquilo que li; se acho que posso concordar ou discordar sem ofender ninguém, eu o faço. É muito difícil dar uma opinião sobre alguma coisa que alguém escreveu, pois não temos à mão o contexto daquilo, o momento em que foi escrito, a fonte da inspiração. Não sabemos de onde vêm o sangue, a lágrima ou a água onde a pena foi molhada.
Quando eu escrevo, eu solto e deixo ir; não é mais meu. P…

RESENHA - O SOL É PARA TODOS

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O SOL É PARA TODOS  AUTOR: HARPER LEE Editora José Olympio, ano 2015 categoria - Romance
Esta resenha não é bem uma resenha; na verdade, ela é o relato de um reencontro entre amigos. Vou explicar melhor: li este livro pela primeira vez quando tinha doze anos de idade. Fiquei fascinada pelos história, e minha mente de pré-adolescente, que se impressionava com muita facilidade, apaixonou-se pelos personagens. Eu também queria conhecer pessoalmente Boo Radley, o recluso que morava próximo da casa dos Finch. Desejei poder ser amiga de Jem e Scout Finch, as crianças curiosas das quais Calpúrnia, a criada negra, ajudava Atticus Finch a cuidar. Eu quis viver naqueles conturbados anos da Primeira Guerra, durante os quais aquelas pessoas viviam. 

Eu era apenas uma criança, e tive que reler várias passagens para poder compreender melhor o que estava acontecendo na história, pois não estava familiarizada com julgamentos ou com certos conceitos e termos. Hoje, eu sei que o foco principal da hist…

HAIKAI

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Caminhos do sol As folhas são molduras  Rendando a tarde


Nenhuma destas imagens foi editada, a não ser pelas lentes da própria natureza.

Fotografias tiradas ontem na Estrada de Teresópolis, quando voltávamos para casa.


Uma das tardes mais lindas que já vi!


De repente, olhando pela janela do carro, notei que as folhas contra o céu pareciam rendas.


Eu queria levar comigo um pouco daquele dia, que foi maravilhoso.


Comecei a fotografar a paisagem à janela...


Depois, meu marido parou em um mirante e consegui fotos melhores do sol se pondo...


Algumas ficaram um pouco borradas, devido ao movimento do carro...


...e ao fato de que foram obtidas com um simples smartphone. 


O pôr do sol nunca é o mesmo, nem que seja contemplado através da mesma janela todos os dias. Sempre haverá uma nuvem que não estava lá no dia anterior, ou um pássaro, ou cores mais fortes ou mais suaves. O vento pode modificar a posição das folhas das árvores. Nosso olhar pode estar mais feliz ou mais triste. Eu quis guardar o…

AMAR E GOSTAR

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Para mim, existem muitas diferenças entre amar e gostar. Existem pessoas de quem eu gosto, mas as quais eu não amo; existem também pessoas a quem eu amo, mas das quais eu não gosto. Raras são aquelas a quem eu amo e de quem eu gosto ao mesmo tempo.
O amor pode passar por fases; amar não significa amar sempre, o tempo todo. Às vezes eu fico zangada com as pessoas que eu amo, e o amor se esconde por trás da mágoa, mas não dura muito. Sou capaz de ficar furiosa com alguém que eu amo, mas sem deixar de amar.
E por incrível que pareça, mais raras ainda são aquelas sobre as quais eu posso dizer com toda segurança que eu realmente detesto - não confundir com falta de afinidade. Não precisamos ter afinidade com alguém para conviver de forma agradável, respeitando as diferenças e exercendo a boa educação. O não gostar tem sempre (pelo menos para mim) suas raízes em um motivo sólido, alguma coisa que aquela pessoa me fez e que me afetou ou feriu diretamente, e que não tem nada a ver com difere…

SOBRE A TRISTEZA

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Precisamos da beleza Que existe na tristeza, Das tramas fortes Com a qual ela nos tece, Da sabedoria Com a qual nos envelhece, Do espelho cristalino Que ela nos oferece.
Precisamos do vermelho Com o qual ela tinge O sangue que corre Por nossas veias. E do silêncio Através do qual Ela nos fala, E  nos cala, E nos esteia.
Precisamos da canção Doce e profunda Que ela canta Em nossos ouvidos E da rudeza Que nos estua Quando ela apura Nossos sentidos.
Quando a tristeza Se faz oblonga E nos canta sua longa Canção de ninar, Sabemos que a noite será triste, Mas que alguma coisa forte Subsistirá Depois que ela nos matar.


SE NÃO FOSSEM OS ADEUSES...

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Se não fossem os adeuses, Os passos seriam pesados, Os corações, transbordantes De dores do que já não é, Mas sempre fica marcado.
Se não fossem os adeuses Ditos nas horas mais certas, Muitos relacionamentos Seriam ruas desertas, Mal varridas pelo vento.
Se não fossem os adeuses Que criam novos caminhos, As asas perdiam os voos Apodrecendo nos ninhos, Onde morrem os passarinhos.
Se não fossem os adeuses, O que um dia foi bonito Seria sonho acabado, calado dentro de um grito Que jamais foi libertado.
Se não fossem os adeuses...


Diálogo "profissional"

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Na semana passada, consegui horário em um salão de beleza para fazer as unhas e cortar o cabelo, na sexta-feira. Gostei do trabalho, mas não remarquei pois teria uma aula naquele horário na próxima semana, e como meu tempo é muito curto e trabalho em casa, não posso sair durante a semana, pois não dá tempo. Geralmente, corto meu cabelo em Itaipava, no Farley Frossard, que é um excelente profissional, mas eu não poderia ir lá naquele final de semana, e meu cabelo estava realmente horrível.
Porém, a aluna com a qual eu tinha marcado a aula na próxima sexta, teve um problema e precisou desmarcar; assim, acessei a página do salão no Face, e tive um diálogo parecido com este:
-Olá! Vocês ainda tem horário para amanhã à tarde?
-Após uma certa demora, obtive a seguinte resposta:
-Amanhã só tenho de manhã. -Poxa, de manhã estarei ocupada, dando aulas. -Então, tenho horário para as seis e trinta da tarde. -E para hoje à tarde, por acaso você teria alguma coisa? -Não. Mas tenho no sábado.
Pens…

CHORA!

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CHORA!







Chora, copiosamente Pela dor de ter perdido O que nunca foi real, Fruto da mente carente, O que não foi possuído!
Chora, por desilusão, E nem sabe que implora Pela volta impossível De um personagem lúdico, Que foi sem nunca ter sido!
Chora, pelo que amou, E diante do tal vazio Que ficou, quando as cortinas Se fecharam, de repente, E a luz se apagou!
Chora, urrando de saudade Ao ver morrer sua libido, Por jamais ter conseguido Satisfazer a vontade... -E hoje, o sonho acabou!
Chora, e segue derramando Pelo chão lúgubre e frio Rios de lágrimas quentes Mil preces benevolentes Sobre um túmulo vazio...




O JARDIM

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De repente, Largou os brinquedos e os enredos, Abandonou, sem medos,  seu cowboy Seguindo a estranha moça até o portão.
Disseram que eles foram de mãos dadas, Deixando, no quintal, abandonadas, A infância, as esperanças, a ilusão.
De repente, O vento trouxe a chuva sobre tudo, Enferrujou gangorras e balanços, E apagou os passos pelo chão.
Disseram que ele não deixou bilhetes, Mas a voz de criança, num falsete, Ecoa, às vezes, entre a solidão.


UMA HOMENAGEM A TODAS AS CRIANÇAS ROUBADAS, DAS QUAIS NINGUÉM NUNCA MAIS TEVE NOTÍCIAS.



VOAR E VIVER

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Lembro-me de que quando voei pela primeira vez, ao decolar, tive uma sensação de vazio por dentro, como se tivesse soltado tudo o que me segurava à terra de repente; todos os medos, apegos, raízes. Pensei, enquanto olhava pela janelinha do avião e via a terra ficando pequenininha: “Estou no ar! Estou totalmente dependurada no ar, e ninguém, a não ser as leis da física, estão me segurando! Como pode, algo tão pesado, pairando desse jeito?” 
Algumas pessoas podem dizer que é Deus quem está segurando o avião, e talvez seja mesmo; porém, se pensarmos um pouquinho, saberemos que mesmo que Deus segure o avião no ar -com a ajuda e a  habilidade dos pilotos - se houver uma falha mecânica ou humana, ele despenca. Acidentes de avião acontecem quase todos os dias, e a maioria deles é fatal para todos os ocupantes. Mas, mesmo sabendo disso, nós voamos. Despachamos nossas bagagens e entramos no avião como se fosse a coisa mais normal do mundo, e não sabemos se decolaremos e pousaremos de maneira …

NA SERRA

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Ontem, ao descer e subir a Serra - BR 040 - para um passeio, fiquei um tanto triste; não vi mais a água que escorria das pedras. Não vi as minas e fontes que costumavam jorrar na estrada Rio/Petrópolis. Devido às obras de duplicação, milhares de árvores foram cortadas, e seus tocos permanecem ainda, como prova do verdadeiro assassínio do qual foram vítimas em nome da mobilidade e da praticidade..
A ampliação da estrada trará à Petrópolis o famigerado "progresso."  Mais pessoas virão para cá. Algumas delas começarão a morar, quem sabe, em um dos mais de trinta enormes condomínios que estão sendo construídos em áreas antes preservadas de Corrêas, Itaipava e Nogueira. Se já há a falta d'água para os que aqui estão, fico me perguntando como será quando a população for quase duplicada. Penso nos engarrafamentos que estas pessoas enfrentarão todas as manhãs ao se dirigirem ao trabalho e ao voltarem para suas casas.

Muitos vem morar aqui em busca de uma vida mais calma e de um…

MAGIA

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Magia é aquilo que se deita sobre a relva Bem cedo, de manhã, E depois se ergue em um fio Pelo bico do passarinho, Transmuta-se em canto.
Magia é aquilo que nos olha de dentro da neblina, Entre a densidade branca e úmida Que envolve os caules e as folhas, Escondendo os picos das montanhas E transformando, por instantes, O mundo em Avalon.
Magia é aquilo que viaja com os ventos, Entranhando-se em nossos cabelos, Eriçando nossos pelos, Fazendo cantar as frestas das janelas.
Magia é aquilo que se esconde atrás do luar, No lado mais escuro Onde nenhum astronauta jamais há de pisar.






UMIDADE

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Rolam sobre a pedra As gotas de chuva, Tecendo macias estradas De veludo verde.
A folha goteja A vida, Entregando à terra Sua esperança.
Barulho de água Na mata fechada Ecoa mensagens De lagos de luz.
A nascente abre Seu ventre entre as folhas Parindo umidade.
As gotas de chuva Na teia de aranha Parecem minúsculas Uvas de vidro.
Eu peço que chova Sobre as cabeceiras Onde sonham as nascentes E os rios.