segunda-feira, 29 de junho de 2015

LIBERDADE






Todas as borboletas têm o direito de serem como são.

-Eu digo todas, sem nenhuma exceção.

Algumas voarão mais alto,
Outras, mais perto do chão.

Mas todas as borboletas têm o direito de serem como são.

E mesmo que alguém considere seu voo 
Viagem limitada, sem reais motivos
E sem nenhuma razão,
Voo descabido, fraudulento, ignorante,
E sem expressão,

Todas as borboletas têm o direito de serem como são.

Porque existem várias formas de exercer a censura,
Existem várias formas de ferir, de cortar asas:
E elas  são: veladamente limitar, tolher, intimidar,
E tentar fazer com que todos os voos sejam apenas
Cópias, sempre à mesma altura,
Repetições eruditas de eternas e ultrapassadas cenas,
Sem re-invenções,
Sem quaisquer tentativas
De desenvoltura.


E a mais forte forma de censura,
É a intimidação,
É tentar fazer o outro crer
Na pior forma de loucura:
A velada ditadura
Do "Seja como eu, ou não vale a pena ser..."

Então:
Todas as borboleta têm o direito de serem como são!



quinta-feira, 25 de junho de 2015

ANDAR







Solto os passos no caminho,
E deixo que ele me guie
Até meu oculto destino.

O meu caminho é menino,
Longo, voluntarioso,
Feito de flores e espinhos.

E se passo displicente
Aceitando ser guiada
Pelo vento, ser levada, 

É que eu sei que eu sou folha,
Que um dia , estará seca
Caída na beira da estrada.



quarta-feira, 24 de junho de 2015

Tempo




O dia passa pela minha janela,
O sol nascendo
E cruzando o céu,
Sumindo
Sobre o telhado de minha casa,
Indo morrer atrás daquela montanha...

É assim todos os dias,
O tempo passa sobre mim,
O tempo passa sobre nós,
E um dia,
Vamos com ele,
Vamos como o sol...

(A paisagem que deixamos, escura,
Fica para trás
Ao renascermos do outro lado?)




segunda-feira, 22 de junho de 2015

HAVERÁ

HAVERÁ



Imagem: Google




Haverá um dia
Em que todas as gaiolas
Estarão vazias,
E todas as asas
Estarão no céu,
Ou pousadas, sem sustos,
Nos beirais das casas,
Ou dentro das matas,
Pairando felizes
Sobre arranha-céus.

Os cantos sairão livres,
Pelos bicos abertos,
Sendo apreciados
Por almas sensíveis
Que não desejarão mais
Aprisioná-los,
Apedrejá-los,
Ou falsificar
As cores das penas.


Haverá um dia
Sem asas cortadas,
Sem vidas travadas,
Sem cantos contidos
Trinados sentidos
Somente escutados
Pelo egoísmo
De um par de ouvidos.





quinta-feira, 18 de junho de 2015

CONTO




Diante do azul
Ele se sentava
(Havia tantas lembranças
No frio azul daquelas águas!)

Os olhos perdidos entre as letras
De um velho jornal que ele olhava
Mas não lia;
As letras se embaralhavam,
Escrevendo outras histórias.

O sol nos ombros
Tentava esquentar a dor
Da solidão que ofuscava
A paisagem,
Mesclada de antigas viagens,
-Ah, e a limpidez daquelas águas...

Dentro do silêncio
Que ele tentava abafar
Com a música alta que tocava,
As vozes chamavam,
As vozes gritavam,
Contando uma história feliz
Que já terminara...

E destemido,
O tempo avançava sobre ele,
Deixando em seu rosto
As marcas que ele temia,
As estradas por onde ele voltava
-Mas nunca chegava.

E eu o olhava
Da janela da minha casa,
Um mundo imenso entre nós dois
Nos separava,
E havia a vida que ele vivia,
Surda às palavras solidárias
Que eu calava.





SABER










Não me interessa saber de tudo,
-Prefiro saber de mim mesma
A passar minhas horas
Debruçada sobre o mundo,
Segurando, entre os meus dedos
Seus terços de dores,
Dedilhando seus orgulhos
E suas discrepâncias.


E se isto for ignorância,
Sou, no mundo, 
A pessoa mais ébria de insipiência!


Mas prefiro admiti-lo
A  transformar  a sabedoria
Em um emblema de arrogância.





sábado, 13 de junho de 2015

Gritos Demais






Gritos demais, silêncios de menos
Nas ruas, nas curvas, nas telas, nas vidas...
Os punhos cerrados, os olhos abertos
Que nada vislumbram, que nada enxergam.

Gritos demais, sorrisos de menos
Nas casas, escolas, nas praças, mercados...
São gritos de ódio, clamando aos ouvidos
Que não os escutam, de tão bem cerrados...

Gritos demais, verdades de menos
Nas fotos, nos posts, nos blogs, nos sites...
Na rede que enreda as almas de muitos
Que nela se prendem, que a ela se entregam...

Gritos demais, sentidos de menos
Cartazes e placas, retratos, protestos...
A história se escreve entre ódios e pragas
Nas linhas de um povo que não sabe nada...








quarta-feira, 10 de junho de 2015

SÓ DE PENSAR...




Só de pensar
Em me deixar dizer,
Me sinto tão só...
As areias do deserto,
Os seus grãos em meus sapatos,
Trazem o calor do sol
Para o meu caminho...

-Mas são apenas grãos, 
Que pesam na caminhada.

Só de pensar,
Dá vontade de esquecer...
Do que passou, do que não veio,
Do que perdeu-se pela estrada,
Do que ficou só no desejo
Não satisfeito.

-Os grãos de areia nos sapatos
caem pelo chão...

Só de pensar
Sinto que morro,
E é incrível, mas é bom...
Eu fecho os olhos e te vejo,
Mas não te anseio;
Deixo que sigas teu caminho,
Tu andas sempre pra bem longe,
Bem longe de mim.

-São meus
Os grãos de areia que tu pisas,
Enfim...




sexta-feira, 5 de junho de 2015

ORDENHA




Ordenha a pedra
O poeta.

Daquela mais dura,
Mais escura,
Aquela, 
Na beira da rua
Deserta,
Verte o leite mais branco,
Mais doce,
E escorre
Pelos barrancos
Dos trancos
Do poeta.



MINHA MISSÃO É ESTAR AQUI

Estava lendo  uma entrevista da psicóloga e personal coach americana Laura Ciel, no qual ela fala sobre aquele momento (momen...