sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Vandalismo




Derrubei os muros do teu coração,
E pichei de vermelho o que sobrou.
Nada ficou de pé,
Sequer uma simples ilusão.

Pisoteei palavras,
Rompi as aldravas,
Entrei de repente, sem medo ou vergonha,
Sob tuas narinas, sem qualquer cerimônia,
Pus um algodão embebido em amônia

Para que tu acordes,
Para que tu despertes.

Violei os lacres que ainda faltavam,
Rasguei teus cartazes de "Não perturbar"
Joguei-os no fundo viscoso de um lago
E bati os pés, para me veres passar.

Nada jamais será o mesmo,
Abaixo o teu comodismo!
Dedico-te a fúria 
Do meu vandalismo!


terça-feira, 28 de outubro de 2014

A Beleza e a Idade





O conceito do que é belo tem se modificado ao longo da História. Desde que a humanidade existe, as pessoas são guiadas através de um pequeno grupo representativo que define para elas o que é considerado belo e o que não é – e o que quer que esteja fora deste padrão pré-estabelecido, é descartado como feio.

Assim, grande parte das pessoas definem seu tipo físico, sua maneira de vestir e de comportar-se, de acordo com o que está “na moda” ou do que é feito pela maioria – e o curioso, é que quem define estes padrões é um pequeno grupo de pessoas consideradas “experts” de beleza e moda, e muitas vezes, eles mesmos estão totalmente fora das regras que pregam, mas mesmo assim, são considerados autoridades no assunto. Infelizmente, muitos que os seguem  nem sequer param para pensar se realmente seus gostos se encaixam no padrão geral; o que importa, é estar “por dentro” e “ser aceito.”

Antigamente, o artista plástico Fernando Botero (Medellin, 19 de abril de 1932) retratava pessoas gordas, o que era considerado uma crítica social no que diz respeito à ganância do ser humano. Talvez hoje isto possa ser considerado preconceito contra os mais cheinhos.

Na arte da Antiguidade, as mulheres eram retratadas com e seios fartos e quadris largos, que eram o símbolo da fertilidade. Já houve épocas em que ser gordo era sinal de status, já que os magros eram pessoas que não tinham como alimentar-se adequadamente.

A musa da beleza Marilyn Monroe, dos anos cinquenta e sessenta, poderia ser considerada fora dos padrões de beleza atuais, e a modelo Twiggy (em inglês, esta palavra significa pequeno galho ou ramo), nos anos 60, foi o protótipo da mulher pálida, esquálida e sem curvas. Todos conhecemos a boneca Barbie, cujas formas passaram a ser doentiamente perseguidas pelas meninas que as possuíam.

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A primeira top model da história, a modelo Twiggy


Nos anos 90, Madonna introduziu a beleza do tipo “sarada”, e as mulheres passaram a ter músculos e pernas que mais parecem ser de jogadores de futebol ou lutadores.

 Nos dias de hoje, as pessoas mais cheinhas ou gordas são consideradas relaxadas, relapsas quanto à sua saúde e feias, segundo o padrão de beleza vigente, embora já haja um movimento para tentar mudar este conceito. Hoje em dia, já existem publicações que usam apenas as modelos mais cheinhas, ou  plus-size models, como a revista Just as Beautiful.


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Tentar adaptar-se ao que a minoria define como belo passou a ser obsessão. As mulheres vivem frustradas, entregando-se a dietas perigosas, tratamentos capilares usando produtos químicos que já seriam um risco enorme à saúde de qualquer um se fossem, simplesmente, inalados, e pesados programas de exercícios físicos que podem ser acompanhados de suplementos alimentares e anabolizantes, cujos riscos à saúde já foram cientificamente comprovados. A beleza tornou-se uma busca desesperada.

Tentar deter ou atrasar a passagem do tempo também tornou-se, para alguns, um negócio lucrativo. A todo momento, vemos anunciado nas mídias o produto que finalmente eliminará vinte anos de rugas em apenas sete dias. Enquanto pesquisava na internet a fim de escrever este artigo, fui bombardeada por eles! As pessoas não desejam envelhecer, pois envelhecer hoje em dia tornou-se sinal de fraqueza e também é considerado antinatural... pasmem! Ter uma aparência jovem é essencial para que possamos ser considerados saudáveis, “antenados” e dignos de respeito.

Eu mesma comecei a tingir os cabelos aos vinte e cinco anos de idade, quando começaram a surgir os primeiros fios brancos, e não parei até hoje. Nem pretendo parar, pois não gosto de cabelos brancos e ainda não parei para analisar os motivos reais para não gostar deles: seriam puramente estéticos ou um medo não admitido de envelhecer?

Na verdade, posso considerar-me uma pessoa vaidosa, pois gasto algum dinheiro com cremes e outros cosméticos, roupas, sapatos e acessórios, e procuro manter-me na melhor forma possível, embora não faça a menor questão ou o menor esforço para ter o mesmo corpo que tinha aos vinte anos, o que para mim seria sinal de doença física. Procuro adaptar meu corpo e rosto às transformações impostas pelo tempo, e passar por elas da maneira mais digna possível – sem exageros ou desejos de aparentar uma idade que nunca mais terei, pois não preciso de uma aparência absolutamente impecável e jovem para exercer minha profissão, já que não sou atriz ou modelo.

Também não acredito, como muitos dizem, que a juventude está dentro; ela também é arrastada para sempre na passagem do tempo. Ninguém tem a mesma jovialidade, alegria de viver, disposição ou inocência que tinha na juventude. Não é só o corpo que muda. A mente também amadurece. Não acredito nessa coisa de “mente jovem.” É apenas um eufemismo para a palavra “velhice.” Os pensamentos e atitudes mudam, os gostos mudam, e quando isso não acontece, surgem os eternos “playboys” ou as rainhas das plásticas, o que pode tornar alguém ridículo. A idade que temos é a idade que aparentamos ter, e não vejo nada de errado nisso. E por mais que alguém tente disfarçar a idade, tudo o que conseguirá de verdade, é ter a aparência de alguém bem cuidado, o que é muito positivo, ou de alguém que mais parece uma caricatura de adolescente, o que beira o ridículo. É tudo uma questão de bom senso.




Imagens de Twiggy e da revista Just as Beautiful tiradas do Google images

sábado, 25 de outubro de 2014

SURREAL




Deito meus sonhos inertes
Sobre a esteira do dia
Para que eles despertem,
Sem perder a fantasia.

Um pássaro chega, e pousa,
Traz nas asas a magia
E os meus olhos sonolentos
Voam com ele em seu dorso.

Busco um sonho sem remorsos,
Ainda úmido e inocente
Recém-nascido, parido
Da boca aberta de um deus.

Teço as cobertas da noite
Com fibras dos sonhos meus...
E perfumo com incensos,
O meu taciturno silêncio.


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

ASAS QUEIMADAS







Caem as cinzas
Asas queimadas
De passarinhos
Por toda a casa...

Voam com os ventos
Pousam suaves
Sobre os telhados,
Sobre o gramado...

Cantos calados,
Voos perdidos
Ar ressequido
Amarelado...

Noite ferida
Folhas caídas
Carbonizadas
Na tarde cinza...

Sobre a montanha
Vermelho-sangue,
Caem no fogo
Os passarinhos
Agonizantes...

Triste destino,
Não voam mais!
Cruéis demônios,
Cruéis meninos,
Risos cortantes!



E aqui na região serrana, continuam as queimadas... A breve chuva dos últimos dias ajudou um pouco, mas os imbecis continuam existindo.

Acho que a punição mais adequada a essa gente que promove queimadas causando a morte de milhares de plantas e animais, deveria ser a seguinte: ajudar os bombeiros a apagar o fogo, entrando nas mata onde há um calor superior a 50 graus, arriscando suas vidas  para resgatar animais feridos e sepultar os mortos. Depois, deveriam ficar um ano dando palestras em escolas sobre a sua experiência, o que viram, o que sentiram, como foram punidos e o que aprenderam.



Ontem, enquanto passeava por Itaipava, vi vários helicópteros transportando água para apagar o fogo das florestas. Pensei nos milhões de reais que estão sendo gastos em tais operações, e nas pessoas que precisam arriscar suas vidas para levá-las adiante. Pensei nos animais e plantas mortos e feridos, e nas pessoas que perderam ou correm o risco de perder suas casas. Pensei no ar poluído que causa, principalmente nas crianças, problemas respiratórios. Também senti na pele o  calor infernal e a falta d'água, recurso  que está cada vez mais escasso. Vimos duas pessoas passando mal devido ao forte calor e umidade baixa do ar. 



Não consigo chegar à conclusão do porquê as pessoas ainda fazem essas queimadas, mesmo sabendo de todo o prejuízo que causam.



No Facebok, algumas pessoas mal esclarecidas postavam declarações contra o prefeito da cidade, como se fosse ele  o autor de tais atos ou o culpado por esses disparates. Será que ninguém vê que os culpados são do próprio povo? Neste caso, não vejo qualquer motivo para apontar políticos, sejam eles prefeitos ou vereadores. A culpa é de quem foi lá colocar fogo. A punição deveria ser espetacular.







segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O que Você Viu Naquele Dia




O que você viu, naquele dia,
Foi meu peito aberto, a sangrar,
Foram as veias que se arrebentavam
E eu não conseguia mais segurar...

O grito saiu, rasgando tudo,
Tudo o que eu vinha tentando calar,
O pino da força rompeu, finalmente,
E a forte corrente se pôs a jorrar.


O que você escutou naquele dia,
Foi a voz do que eu tinha tentado calar,
E eu sinto não ter conseguido ser forte
Para te segurar, e estancar o teu corte...

E o que se deu naquele dia absurdo,
Salvou minha vida, e me aliviou,
Abriu-me a garganta, e aquela pressão
Que me sufocava, cedeu, finalmente...

E foi tão de repente, como você viu,
Inesperadamente, te causando a mágoa
De ter testemunhado o que menos esperava:
Um coração ferido, enquanto se rasgava.




ps: Sei que estou em falta com minhas leituras, e peço-lhes desculpas; internet ruim e outros motivos me mantiveram um pouco afastada nos últimos dias, mas em breve, retornarei com força total, pois adoro ler - tanto quanto escrever.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Eu Não Sou Nada




Eu não sou nada.
Ou mais um carro parado
Nesse imenso engarrafamento
Seguindo  o mesmo caminho.

Caminho onde eu não sou nada.

Alguns ocupam-se tanto
Com o brilho da lataria,
A gasolina aditivada,
E os frisos dos pneus.

Não sabem que não são nada.

E com ou sem GPS,
Ninguém sabe onde vai dar
O final dessa jornada.

Jornada onde eu não sou nada.

Talvez valha a pena a paisagem
Que passa pela janela
Ante meus olhos dormentes,
Se eu ao menos pudesse
Dar-me ao luxo inusitado
De um dia, contemplá-la...

Mas de fato, ela só passa,
Só passa pela janela
E fica em algum lugar
Esquecida nessa estrada.

Estrada onde eu não sou nada.





segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Linhas




Há ainda tantas coisas
Que eu quero escrever
Nas linhas da minha vida,
E no entanto, é tão pouco
O que eu desejo, o que eu preciso!...

Às vezes, eu sinto que logo
Alguma coisa vai rasgar
Meu peito sempre fechado,
E ao transbordar de repente,
Vai me matar!

E eu morrerei tão feliz,
Tão tranquila,
Tão sem medos!...
Nem sequer me lembrarei
O que significam palavras
Como dor ou arrependimento!




sábado, 11 de outubro de 2014

ENTREVISTA DE MAURICIO AZEVEDO COM ANA BAILUNE

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Muito agradeço ao Maurício, que tornou-me membro da OPB - Ordem dos Poetas do Brasil - e fez de mim a primeira poetisa premiada. Obrigada! Quando você me disse que o prêmio era apenas simbólico, valorizei-o ainda mais.

Entrevista de Maurício de Azevedo com Ana Bailune

1- QUEM É A POETISA ANA BAILUNE?
A poetisa Ana Bailune é a Ana Bailune gente. São exatamente a mesma pessoa, pois tudo o que está em meus poemas eu tiro da minha própria vida e das minhas próprias experiências, com poucas exceções. Mas até mesmo nestas exceções, onde escrevo sobre problemas sociais que não fazem parte do meu contexto de vida, por exemplo, é a Ana Bailune quem escreve. Não existem separações entre a Ana Bailune poetisa e a Ana Bailune. E quem é a Ana Bailune? Pergunta complexa... mas basicamente, sou professora de inglês, trabalho em casa, tenho uma vida simples e muito calma. Adoro minha profissão, pois ela me permite muito tempo livre para cuidar da minha casa, do meu marido e dos meus cães, que são prioridade em minha vida. E é claro, muito tempo livre para escrever também. Quem me conhece pessoalmente sabe que eu não sou tão fluente falando quanto eu sou escrevendo. Sou uma pessoa quieta e só abro a boca quando eu acho que vale a pena. Sou uma pessoa que não precisa de muita coisa para ser feliz. Minha vida é simples. Minha casa é simples. Não tenho medo da solidão, gosto de estar em minha própria companhia e/ou na companhia dos meus cães a maior parte do dia. Não gosto de multidões e barulho. Sinto-me completa em ambientes onde a natureza é abundante, e por isso adoro meu jardinzinho e os bichinhos que vem aqui em casa (pássaros, esquilos, macaquinhos, besouros, joaninhas, borboletas...).
Não faço esforço para escrever. As coisas vão brotando naturalmente, e eu vou colocando tudo no papel (ou na telinha) da maneira como elas surgem. É assim com meus contos, poemas, crônicas, artigos ou qualquer coisa que eu escreva. Não me preocupo em usar palavras rebuscadas ou bonitas, não me importo se o poema rima ou não, se tem métrica ou não, e quando essas coisas acontecem, é naturalmente. Também não reescrevo nada, não reviso meus textos, e sei que muita coisa acaba ficando com erros, mas eu não me importo, pois não faço da escrita a minha profissão; se um dia eu o fizer, haverá profissionais que corrigirão estes erros. Escrever é uma compulsão para mim, e por isso preciso de muitos espaços – tenho vários blogs e meus sites no Recanto das Letras, além de publicar meus livros virtuais (optei pelos virtuais porque não tem custo nem burocracia). 

2- COMO AVALIA A ATUAL POESIA BRASILEIRA ? SENTE UMA EVOLUÇÃO NA MESMA?
Bem, Maurício... na verdade, nunca parei para pensar no assunto. Os poetas atuais que leio são todos da internet. E a internet é a Terra de Ninguém, a Fake City por onde caminham, se encontram e se trombam todo tipo de gente – escritores ou não. Gosto de muitos, e se fosse citar alguém, citaria alguns lá do Recanto ou dos blogs que acompanho, mas prefiro não fazê-lo pois posso esquecer-me de alguém e não quero ser injusta. Mas se houve evolução na poesia? Hum... o que significa essa evolução? Se mais pessoas estão lendo e escrevendo poesia, talvez? Ou você se refere à qualidade daquilo que está sendo escrito? Bem, se você se refere ao primeiro caso, é claro que houve uma evolução. A poesia nunca esteve tão espalhada por aí, em sites e blogs, livros virtuais e de papel, e até mesmo pendurada em árvores. Quanto à qualidade, não me acho apta para avaliar, mas como sempre acontece quando tudo pode ser publicado sem critério, a poesia de hoje é poesia para a gente ler e esquecer – inclusive a minha. Acho que ninguém que escreve hoje em dia ficará para o futuro. Há tanta gente escrevendo, que o futuro de todos os poetas de hoje é o ostracismo, sejam eles bons ou não, e por este motivo, escrever tem que ter como objetivo algo bem maior que a fama ou a notoriedade: o amor pelo que se faz.
Hoje em dia, a gente lê um texto e gosta, adora, comenta... e com pouquíssimas exceções, ele nos marca realmente e voltamos para reler. Quando os poemas estavam apenas nos livros, nós os relíamos várias vezes, descobrindo novas nuances a cada vez. Nós os carregávamos para o banheiro, para a cama, para a fila do banco, o jardim, o consultório médico. Nós os memorizávamos, recitávamos, recomendávamos. Hoje é tudo muito rápido e tudo muito... muito! Por isso criei meu blog Passagem, onde coloco trechos de textos e músicas que eu quero recordar, reler, guardar, partilhar. Ali, eu releio tudo o que eu gosto.

3- POETISA, PRESUME-SE QUE PARA SER UM BOM POETA É INDISPENSÁVEL  BASTANTE LEITURA.., NÃO SÓ DE POESIAS, MAS EM GERAL. .ACHA QUE A ATUAL POESIA BRASILEIRA REVELA ESTA PRÁTICA?
Com certeza. É o que digo aos meus alunos de inglês: quer aprender a falar? Pratique! Quer aprender a escutar melhor? Pratique! E quer aprender a escrever melhor? Pratique! Leia e escreva! Há anos, alguém comentou em um texto meu: “Eu nem sequer leio poetas famosos, pois não quero que digam que meus poemas são baseados nos poemas de alguém.” Achei aquilo muito idiota. Mas respondendo à sua pergunta: Acho que não... de uma maneira geral, acho que as pessoas não leem. E ainda leem menos hoje do que antigamente.

4- A INTERENT DEU UMA ABERTURA IMENSA A PUBLICAÇÃO DE POESIAS. ACHA QUE QUALIDADE E QUANTIDADE ANDAM ACOMPANHADAS?
É como diz o Oswaldo Montenegro em sua canção “Todo mundo tá falando”: “Todo mundo tá falando de guerra / todo mundo tá falando de paz / todo mundo tá falando segredos / todo mundo tá falando demais.” E todo mundo quer falar. “Por telefone, por e-mail, por Orkut, por site e por Facebook ninguém para de falar.”

5-  QUAIS OS POETAS QUE INFLUENCIARAM OU CONQUISTARAM A SUA ADMIRAÇÃO?
Com certeza, Cecília Meireles e Fernando Pessoa são meus favoritos.

6- A POESIA ESTÁ DISTANTE DAS ESCOLAS BRASILEIRAS. PODEMOS DIZER QUE ESTA AFIRMAÇÃO É VERDADEIRA?
Acho que sim. E tem muitas coisas boas distantes das escolas brasileiras, que hoje em dia, aprovam alunos que não tem base, criando um futuro caótico, povoado de analfabetos funcionais.

7- POETISA, SEMPRE FOI FRANCA AO EXPOR SUAS OPINIÕES SOBRE ARTE E POESIA. COMO AVALIA RECEPÇÃO DE SUAS OPINIÕES?
Sabe que nunca avaliei?

8- SUA POESIA É  MUITISIMO ELOGIADA PELA PERFEIÇÃO E TAMBÉM  CORREÇÃO DO IDIOMA. ACHA QUE  UTILIZAR CORRETAMENTE A LINGUA É FUNDAMENTAL PARA O POETA?
É mesmo? Eu não sabia. Mas fico com o Patativa do Assaré, que disse que é melhor escrever errado as coisas certas do que escrever certo as coisas erradas.

9- EM QUE MEDIDA A PUBLICAÇÃO EXCESSIVA DE POESIAS NA REDE BENEFICIA OU PREJUDICA O POETA?
Acho que não ajuda nem prejudica. Como eu disse, publicar hoje em dia é fácil, e se for em formato e-book, é grátis. Posso ter cem livros publicados, mas quem os leu? Publico por vaidade. Gosto de ver eles todos ali, juntinhos no meu leitor de livros virtuais. Se fosse viver do que publico, morreria de fome.

10 -  TEMOS NO BRASIL UMA VERTENTE ACADEMICA QUE FECHA  A POESIA EM  UMA REDOMA. ELES DECIDEM QUEM SÃO OS BONS POETAS...SENTE ESSE PRIVILEGIO AO POETA QUE POSSUI CONTATO MAIOR COM A MIDIA?
São um bando de idiotas ao cubo. Danem-se. Como é que alguém pode ter a pretensão de querer decidir para os outros o que é bom ou ruim? No fim das contas, esses acadêmicos acabarão dentro de uma caixa de madeira como todo mundo, e serão enterrados ou sepultados vestindo seus fardões. 

11- CASO FOSSE PRESIDENTE DO PAÍS QUE MEDIDA TOMARIA EM FAVOR DA POESIA?
Em primeiro lugar, eu pararia de roubar do povo e transformaria a verba que ficaria disponível em comida e educação, pois semianalfabetos famintos não leem nem fazem poesia. Depois, eu facilitaria o acesso aos livros e à cultura.

12 - FALE UM POUCO SOBRE OS SEUS LIVROS E A EXPERIENCIA COM  A OBRA DIGITAL.
Meus e-livros poderiam muito bem não terem sido escritos. Não fizeram a menor diferença para minha vida de poetisa ou para a cultura no país. Estão lá, e pouco vendem. Acho que as pessoas que podem ter alguma chance no mundo digital, são os já consagrados ou os muito sortudos e além disso, os que sejam realmente bons demais (e tenham aquela estrela brilhando sobre eles). Mas como eu disse, é divertido. É uma massagem no ego. Escrevo por algo bem acima do dinheiro ou da fama. Escrevo para salvar a minha alma.

13 - POETISA ANA BAILUNE...FALE TUDO O QUE DESEJAR SOBRE POESIA.
Posso dizer que eu adoro. É a minha vida. Por isso, é maior que eu mesma.






quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Milagres








Não fale - cale sobre os milagres
Antes que os tigres
Com seus dentes de sabre
Os façam em pedaços.

Alguns passos não se contam,
Em contas secretas, enfileirados,
Formam um colar límpido e secreto
A ser usado de encontro ao peito,
Sob as vestes,
Sobre o coração
Calado.




terça-feira, 7 de outubro de 2014

INVEJA




Introdução ao poema


Muito já foi dito e escrito sobre a inveja, neste e em outros espaços, em verso e em prosa. Alguns não acreditam nela e em seus efeitos. Mesmo assim, ela continua sendo o tema de tantos escritos, exatamente como outros temas sobre deuses, demônios, santos e anjos - que embora não tenham existência comprovada, povoam as mentes de quase todas as pessoas. 

Se a inveja existe? Existe, e é um artifício humano. Uma desculpa para odiar alguém que conseguiu ser aquilo que o outro não conseguiu - ou sequer tentou ser.  A inveja é um olhar voltado para o outro, mais do que para si mesmo e seus próprios potenciais.

Quem sente inveja não acredita em si. Vive em um mundo conturbado e triste, onde nada é o suficiente. Equilibra-se em uma corda de desespero e medo o tempo todo, e lá embaixo não há rede de segurança. Leva uma vida angustiante, sempre achando que deve competir com alguém a fim de vencer na vida. Precisa provar ser o melhor o tempo todo, e eu não consigo pensar em nada mais angustiante do que isto...

O invejoso é um competidor nato. E um mau competidor, pois quando se vê diante da possibilidade de "perder", é capaz de fazer qualquer coisa para minimizar os efeitos desta perda;  esquece-se (ou talvez jamais fique sabendo) que vencer na vida é, simplesmente, sentir-se feliz com aquilo que se é; olhar em volta e ver coisas bonitas pelas quais agradecer. Encontrar o próprio caminho e segui-lo, fazendo uso de seus próprios dons e potenciais. Expressar, sinceramente, carinho e alegria pela beleza que nasce na vida do outro. É torcer para que o outro seja feliz e alcance seus sonhos, participando deste caminho sempre que for possível.

Pois eu acho que, para ser feliz, a única maneira possível é largando mão de olhar para o que existe na vida do outro, parando de compará-la com a própria vida e as próprias conquistas.








Fica um poema:




Inveja

Os olhos seguem sofregamente
A imagem branca que passa.
Cai-lhe um botão da túnica,
Rola e perde-se pelas escadas.

Mas ela passa.

Explodem cristais de sal.
Na pia, quebram-se as xícaras.
Um pássaro encontra a morte
De encontro à sua vidraça.

(Os olhos arregalados
Segredam suas desgraças).

Caem-lhes as pérolas do colar,
Entram nos buracos das calçadas,
Arrebentam-se as sandálias,
E ela segue, descalça.

Murmuram os olhos. Secam-na.
Derramam lágrimas ácidas.

Arranha o braço na aspereza
De um muro negro de tristezas.
Ela sangra. Ela passa.

Desfazem-se as bainhas das saias,
Fiapos sobre seus pés.
Mas ela segue, ela passa.

Seus planos emaranhados
Nas tranças dos seus cabelos
Não conseguem desfazer-se
Dos nós tão bem apertados.

Mas pouco a pouco, ela segue,
Desfaz, com dedos pacientes,
Cada nó que lhe foi dado.

E os maus olhos que a olham
Choram sua frustração
De não passarem assim,
Mas se agarrarem ao chão
Por onde ela sempre passa...


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Descobertas




Ontem li uma postagem do blog da Sheila, Passarinhos no Telhado, e fiquei pensando em muitas coisas que me aconteceram. Ela fala da necessidade de deixar ir pessoas e coisas que não mais se harmonizam conosco. Diz que, apesar de continuarmos amando e desejando o bem, quando não dá mais, é porque... não dá mais.

E eu concordo plenamente com ela. A gente vem para esse mundo sendo sempre condicionados a acreditar que alguns relacionamentos são cármicos, e que por isso somos obrigados a conviver com certas coisas. A gente tenta, e tenta, e tenta. Até que chega uma hora que a gente abre os olhos e percebe que vem sabotando a nós mesmos e nos submetendo voluntariamente a dores, decepções  e sofrimentos desnecessários, de gente que não gosta da gente de verdade, não nos admira e não nos respeita. Gente que só lembra de nós quando precisa. Gente que, quando a gente chega para uma visita, finge que a gente não está lá ou demonstra sua desaprovação e desprezo à nossa presença. Gente de íntimo convívio que dá festas em casa e posta as fotos no Facebook para você saber que estava todo mundo lá, e você não foi convidada. Gente que, ao ouvir um "não" de nossa parte, passa a nos ignorar e confabular contra nós. Gente que sente um prazer mórbido em demonstrar todo o seu desprezo pelas nossas conquistas, e que não é capaz de uma palavra ou gesto de alegria pelo que você conquistou. Gente que só gosta da gente se nos comportarmos como bonequinhos de controle remoto, dizendo "sim" a tudo o que eles querem.

Mas mesmo que seja depois de muitos anos, sempre é tempo para perceber e (mais difícil) admitir para si mesmo que não tem mais jeito, não dá mais, chegou ao cúmulo da falta de respeito próprio tentar ser aceito ou amado por gente assim, por mais próximos que eles sejam. E a gente deixa essa gente ir. Solta. A gente passa a ser ausente na vida dessa gente que constantemente se fez ausente nos nossos momentos importantes, e que não respeita ou aprende, nem mesmo através das maiores dores, que nós não somos nada!

E dói, dói muito. Mas de repente, nos vem aquela sensação de leveza. "Nossa," a gente pensa, "Como consegui carregar todo esse peso nos ombros durante toda  minha vida?! Como foi possível ouvir tantas coisas e calar tantas coisas? Como pude desviar das indiretas que sempre foram tão maldosamente diretas? Como foi possível viver tanto tempo fingindo que não percebeu e fazendo de tudo para aceitar os outros "como eles são", enquanto ninguém nunca fez o menor esforço para me aceitar como eu sou?"

E os passos da gente ficam fluidos de repente. As coisas melhoram, a gente começa a andar para frente e se acostuma com certas ausências. E vê que é muito bom não ter que aturar tanta coisa!




domingo, 5 de outubro de 2014

UMA REFLEXÃO SOBRE O MUNDO DOS BLOGS







Meus blogs, e seus índices até o dia de hoje:

-Liberdade de Expressão, aberto em Março de 2012 – 1278 postagens, 285 seguidores e 102.664 exibições de página.

-Passagem , aberto em dezembro de 2012 – 271 postagens, 263 seguidores e 99.463 exibições de página.

-A Casa & a Alma, aberto em julho de 2013 – 111 postagens, 63 seguidores e 26.111 visualizações de páginas.

-Histórias, aberto em fevereiro de 2013 – 200 postagens publicadas, sendo que muitas delas são contos em capítulos; tem 106 seguidores e 40.939 visualizações de páginas.

-Nada a Dizer, aberto em novembro de 2013 – blog apenas de imagens, com apenas 33 seguidores, 84 postagens e 4.984 visualizações de página.

Como vocês podem ver, mantenho meus blogs simplesmente porque gosto de escrever e ler, não tendo qualquer interesse além destes. Devido à pouca receptividade e pouquíssimos visitantes, considero meus blogs espaços quase anônimos no mundo virtual; mas meu objetivo é apenas registrar meus pensamentos, contos e poemas.

Desde que comecei a realmente fazer uso dos blogs, em março de 2012 (não considerarei minha primeira entrada por aqui em 2009, que foi breve e muito mal-sucedida),  pude observar, através de minhas próprias experiências e das experiências relatadas por outros usuários, uma série de coisas das quais falarei nesta postagem. 

Blogar não é fácil; é para quem tem persistência e muita paciência. Existem uma série de problemas nos blogs do Google, que, não sei ainda porque, o suporte ainda não deu jeito, apesar de toda a tecnologia disponível nos dias de hoje e do grande lucro que o Ad Sense pode proporcionar-lhes. Vou listar alguns deles, que já aconteceram comigo ou com outros blogueiros:

-O blog desaparece misteriosamente, com todas as postagens. Todo o trabalho, dedicação, tempo e carinho simplesmente somem dentro do nada, sem que ninguém possa dizer o que ocorreu, e alguns deles, nunca mais voltam a aparecer. Acho que este seria o mais grave dos problemas.

-O que sempre acontece comigo: ao digitar um comentário, o blog recarrega de repente, e tudo o que foi digitado desaparece. Após vários minutos lendo a postagem e escrevendo um comentário (às vezes, mais de vinte minutos), o blog volta a carregar e some com o que comentamos. Começar tudo de novo? Só quando dá tempo... o comentarista acaba perdendo o pique, e talvez por este motivo, os blogs em geral tenham tão poucos comentários. Por isso, geralmente mantenho meus comentários bem breves.

-As pessoas seguem o link postado em alguma rede social – Facebook, por exemplo – chegam até o blog e não conseguem abri-lo. Após tentarem duas ou três vezes, acabam desistindo. Isto pode acontecer quando o blog está “pesado”, ou seja, cheio de imagens e widgets, músicas e selinhos; mas apesar de tentar manter meus blogs sempre leves, isto também constantemente acontece comigo. 

- As pessoas até conseguem abrir o blog, mas ao tentar comentar, não conseguem. Irritadas, não voltam nunca mais. 

-A conexão de internet está funcionando normalmente em todos os sites que frequento, mas quando tento acessar algum dos meus blogs, ela desliga ou torna-se muito lenta de repente. Este estado irritante de coisas pode durar semanas ou meses! Não consigo postar, ler ou comentar nada. Nestas horas, sinto vontade de apagar tudo e desistir.

-Li reclamações de outros usuários cujos blogs foram retirados do ar sem explicações, após sofrerem denúncias. Antes de serem apuradas tais denúncias (e pelo menos em um dos blogs eu tenho certeza absoluta de que tais denúncias foram totalmente infundadas), o blogger retira o blog do ar, sumindo com as postagens do autor.

-Ao tentarmos abrir uma postagem, bugs nos direcionam para sites pornográficos ou de propagandas. Acredito que o dono do blog nem sequer sabe da existência de tais links associados ao seu blog, e por isso, acaba perdendo seus leitores, e ainda corre o risco de ser denunciado.

-Dezenas, centenas de spams nos comentários. Abrimos nossa caixa de emails, e lá estão centenas de comentários imbecis em inglês, pedindo que acessemos tais e tais links a fim de conhecermos seus ‘produtos.’ Uma vez, em uma só postagem, tive que apagar mais de vinte destes comentários feitos em apenas dia!

-Inocentemente, acessamos um link em nossa lista de leitura e, sem qualquer aviso prévio, deparamos com blogs de pornografia pura e simples, com imagens grosseiras e sem classe, sem qualquer teor artístico ou erótico – apenas baixaria. Acho isso abominável, pois muitas vezes, a pessoa que acessa o link o faz inocentemente, e pode estar acompanhado de alguma criança ou amigo, criando uma situação tremendamente constrangedora. Geralmente, tais blogs tem nomes comuns, que nem sequer causam no leitor a desconfiança de que tratam com material pornográfico.

-A lista de leitura simplesmente desaparece, o que também pode durar dias, semanas ou meses! Não ficamos sabendo das postagens dos blogs que seguimos.

-Ao tentarmos seguir um novo blog, o blogger nos bloqueia, alegando que ultrapassamos o número permitido de blogs a serem seguidos. Onde já se viu?!
-Ao tentarmos relatar tais (e outros) problemas, não recebemos resposta – nem mesmo um email de confirmação automática. 

Bem, como eu disse no início, administrar um blog exige paciência e muita perseverança. E é claro, muito carinho e amor pelo que se faz. Quanto a mim, é apenas o meu amor pela escrita que me faz manter meus blogs, apesar de tantas dificuldades.

Mantenho uma escrivaninha em outro espaço que é pago, simplesmente pela facilidade nas postagens, leituras e comentários que o espaço oferece. A navegação é leve e fluida, a colocação de imagens é fácil e os recursos oferecidos são os mesmos que os do blogger; porém, a formatação é muito mais simples e acessível. Se eles podem, por que não o blogger? Por que não mudam o formato dos blogs, facilitando a navegação entre eles? Com certeza, se isto fosse feito, muitos dos que hoje pagam por um espaço virtual para postar seus escritos, migrariam para o blogger.

E você: quais problemas enfrenta, e por que continua a blogar?



sábado, 4 de outubro de 2014

Intensa





Ah, tarde vermelha que entra pela janela,
Salpicada pelos cantos molhados dos sabiás
E pelos cheiros doces das flores e do mel dos colibris!
Ah, tarde, tuas vozes de velhos amores,
Rostos derretidos de gris, na sépia do tempo,
Que já nem aparecem mais nas fotografias!...

Ah, tarde, que me trouxe uma canção distante,
Cheia de lembranças de almas errantes
Que passaram, que se foram para sempre, e antes,
E que nunca, nunca mais aqui voltaram!

Ah, tarde se eu pudesse!... - te prometo, e te juro,
Mergulhava de vez nesse anoitecer escuro
Cujas pontas seguras entre os dedos duros!



MINHA MISSÃO É ESTAR AQUI

Estava lendo  uma entrevista da psicóloga e personal coach americana Laura Ciel, no qual ela fala sobre aquele momento (momen...