quarta-feira, 30 de julho de 2014

Ela Estava Ali






Ela Estava ali,
No vácuo morno
Daquele momento,
E um por-de-sol vermelho
Escorria, lento,
Pelas primeiras rugas de sua testa.

Cenho franzido,
Ela observava 
E absorvia.

Ela estava ali...
Mas e depois,
Para onde ela foi,
Onde ela estava?...

Uma outra flor se abriu,
E um outro sol se pôs
Para outros olhos
Que ali chegaram.



A LUZ NA PALMA DA MÃO





Branca, leitosa, macia
A luz na palma da mão
Singrando as linhas da vida.

Por entre estradas perdidas
Caminhos vários, silêncios
Um porto pra cada vida.

Mas se a luz não chega até
O porto do coração,
O brilho será em vão...

Palavras soltas, vazias,
Os dedos duros que apontam,
O fel da melancolia...

Perder-se na fantasia
De pensar poder voar
Sobre toda escuridão

Derramando certa luz
Que morre ao tocar o chão
Pois não sai do coração...

Ah, e o orgulho disfarçado
De santa sabedoria
Traz sob a manga, um punhal

Que golpeia, com certeza,
Embora entre mil disfarces
Sem piedade e sem arte!


domingo, 27 de julho de 2014

A Flor Branca




Parecia ser a alma
De alguma princesa
Há muito morta.

Derramava-se toda
Sobre a verde folhagem
Junto à porta.

Seu meigo perfume
Era algo entre o velório
E as rosas.

Uma flor branca,
nasceu sem ser plantada,
Sem ser querida...

Mais uma discrepância,
Doce ironia
Da vida.




quarta-feira, 23 de julho de 2014

Não Sei




Não sei se é a carta marcada,
Ou se é uma dor chorada,
Teu semblante tão sem cor
(Ou face escura do Nada?...)

Se foi a poeira da estrada,
Ou fruto do desamor,
Não sei se é pacto feito
(Ou será puro despeito?...)

Não sei se a vida é bandida,
Ou se é praga rogada
A linha escrita da trilha;
Eu já não sei de mais nada!

Mas sei do sol que ilumina
Tua estrada amargurada
A qual, tu pensas, é sina,
Mas é bênção disfarçada!

Não sei se há uma saída,
Talvez haja uma chegada
Não te dou uma resposta;
-A palavra é sempre vasta...





Crianças Quebradas




Aqui, uns ouvidos,
Ali, um sorriso,
Acolá, um abraço
-Mas sem braços.

Um grito calado
Do lado de lá,
No chão, espalhados
Sonhos em pedaços...

Futuro? Passado!...
Olhares quebrados
Perdidos no caos
De um mundo tão louco..

Crianças aos cacos,
Destinos selados
Nas dobras rasgadas
De um breve presente
Que já foi tão pouco...



terça-feira, 22 de julho de 2014

Incerteza




Na boca, um riso guardado
Voando sobre as planícies,
Pairando azul sobre os prados.

No coração, o silêncio
Descansando no perfume
Macio dos musgos e cravos.

No olhar, tantas paisagens
Guardadas no coração
Durante a sua viagem...

E na alma, a incerteza
Bordando o pano da vida
De magia e de beleza.



sexta-feira, 18 de julho de 2014

Eu e Minha Melhor Amiga






Era tão bom, quando caminhávamos juntas no comecinho da noite, a lua e o céu estrelado como testemunhas. Ela me olhava, como quem agradece a companhia, e embora em silêncio, tanta coisa era dita! 

Quando pequena, precisei encontrar uma maneira de domar seu caráter voluntarioso e conseguir chegar até ela, para que ela me aceitasse. Foram tempos muito conturbados! Cheguei a dizer que não gostava dela, e que não desejava a sua presença em minha vida. Mas ela me ensinou que o amor verdadeiro e a paciência sincera podem transformar-se em uma ponte entre dois corações, e logo, ficamos inseparáveis; daquele tipo de amigas que se compreendem sem nada dizer.

Excelente ouvinte, ela prestava atenção... sabia esperar quando eu precisava me ausentar, e não importava quanto tempo eu ficasse fora: era sempre recebida com sorrisos e carinhos, comemorações e alegria pela minha volta.

Minha amiga não falava muito com a boca, mas dizia tudo através de um simples olhar.  Eu a amava, e ela me amava!

Tão bom, quando nos deitávamos no tapete da sala ouvindo música baixinho nas tardes de sexta-feira! Impossível sentir solidão, mesmo na casa silenciosa, enquanto no corredor, o relógio marcava a presença do tempo que nos afastaria... e eu já sabia. Nós adormecíamos assim, deitadas ao lado uma da outra, e quando eu despertava, dava com aquele par de olhos me olhando, me olhando... às vezes eu ficava intrigada com a maneira como ela me olhava com tanta insistência, como se visse em mim alguma espécie de líder a quem devesse seguir. Ela mal sabia que  era ela quem sempre ditava as regras da nossa amizade!

Lembro-me da última vez que acordei com aquele par de olhos amorosos sobre mim: eu estava deitada na rede da varanda, dormindo ao sol, após uma noite em claro na qual eu e ela lutamos para que ela permanecesse viva. Eu escutava os ruídos da vida bem ao longe, exatamente como alguém semi adormecido; de repente, eu despertei num sobressalto, e foi aí que deparei com aqueles olhos de jabuticaba em mim pela última vez. Quando a vi, sentada na grama ali perto, sentei-me na rede e chamei-a para o meu lado. Ela veio, e estava feliz. Quem não soubesse de sua história, diria que ela estava perfeitamente saudável e tranquila. 

Ela veio ficar ao meu lado, e enquanto eu a acariciava, ela adormeceu... para despertar aflita logo depois, tentando respirar. Ergueu-se, caminhando com certa dificuldade, e tentou comer alguma coisa; mas quando filetes de sangue desceram de suas narinas, ela desistiu, e não voltou a tentar novamente. Naquele instante, eu sabia que eu a estava perdendo. 

E depois, foi a corrida angustiante contra o tempo, e a busca por uma resposta diferente que nos trouxesse um pouco de esperança. Ela olhava pela janela aberta do carro, e todo movimento lá fora chamava a sua atenção. Parecia estar despedindo-se das coisas. Olhava, olhava, olhava tudo, virando a cabeça para acompanhar o que passava diante dos seus olhos atentos pela janela do carro. Eu tentava tranquilizá-la, pois sabia que estava com muitas dificuldades para respirar. Não conseguia deitar-se no banco, pois isto significava o aumento de suas dificuldades respiratórias. E eu me perguntava o que faríamos para que ela (e nós) pudéssemos novamente voltarmos a ter uma noite de sono.

As palavras de esperança que buscávamos não chegaram. Antes, ouvimos outras palavras, que selavam o destino dela, e o final de uma amizade que durou mais de dez anos. Foi declarado que não havia mais jeito, e que dali para frente, as coisas haviam de piorar muito, e que o que aconteceria com ela seria doloroso tanto para ela quanto para nós. Ouvir aquelas palavras tirou-nos do eixo. Eu olhava para ela, que estava entretida com o movimento que passava pela porta de vidro, sem saber que estávamos decidindo seu destino. Quase não era possível escultar seus pulmões. Intoxicada pelos remédios, minha amiga estava muito inchada e dolorida.

Achei que tinha chorado todas as lágrimas que restavam enquanto me abraçava a ela, que evitava me olhar. Ela não olhou mais para mim, nem mesmo quando chamei seu nome; mantinha seus olhos fixados na porta de vidro. 

Um mês se foi e ainda choro a falta dessa minha amiga. Acho que de vez em quando, ainda chorarei. Como hoje à tarde, quando adormeci na rede da varanda e despertei sem aqueles olhos cálidos me olhando.

 A despedida é um longo processo, e acho que jamais nos despedimos completamente.


Nossas brincadeiras, quando ela se deitava de barriga para cima... não parece um jacaré?





quinta-feira, 17 de julho de 2014

Conversa Com a Vida - Resenha




CONVERSA COM A VIDA
Cenyra Pinto
Editora Vecchi S.A – 1977


Este é um belíssimo livro, no qual a escritora espírita Cenyra Pinto convida várias pessoas a dar depoimentos sobre momentos difíceis em suas vidas nos quais elas poderiam ter mais de mil razões para desistirem de viver; no entanto, estas pessoas deram a volta por cima, reafirmaram sua força e sua fé, construindo um caminho de aprendizado que tornou suas vidas mais ricas e bem melhores. São histórias verdadeiras, reais e carregadas de emoção. Com toda certeza, elas farão com que os leitores pensem sobre seus problemas e façam melhores escolhas.
Entre os belos trechos contidos no livro, escolhi alguns para transcrever aqui; o primeiro deles, é parte da história do escritor Fernando Jorge Uchôa, portador de paralisia, que começou a manifestar-se quando este contava três anos de idade:
“Fui operado. Uma, duas, seis vezes. Meu fim neste mundo quase chegou. Tive tétano, grangrena, septicemia. Desastres cirúrgicos. Certas partes dos membros ficaram definitivamente lesadas; outras melhoraram. Depois de muitas lutas e com aparelhos consegui a posição vertical.”
.............
“Quando retornei à Vila Militar, costumava ficar debaixo das mangueiras ouvindo os pássaros cantar, ou perto dos pés de ingá, cajá-manga, jabuticaba e das laranjeiras. As cigarras ciciavam no verão, ventos de longe zumbiam, borboletas passavam exibindo suas belas asas amarelas, azuis, cor de barro. Eu via, ficava em silêncio, isolava-me. Aprendia retiros. Não gostava de piedade. Era sensível. Passava do encantamento à agressividade. Mentia dizendo que entendia os pássaros. É possível que de algum modo os entendesse. Ouvia os sanhaços com admiração. Os canários da terra festejavam as coisas da manhã. Os bem-te-vis afirmativos fiscalizavam o dia. O que os pássaros cantam? Cantam sua vida. Voar é bom. Frequentar distâncias torna a alma vasta. Saber cantar é importante. A vida deve ser uma canção. E um voo. E o homem um aprendiz. Eu aprendia a ver, a bater as asas da imaginação.O louva-deus é de silêncios e gestos leves. Isso eu compreendia. O grilo é comedido e estranho. Eu o tocava com um pedacinho de galho, tentando ver como suas asas se movimentavam. Ele, esquivo, erguia a perna, reprovando minha impertinência que agredia a serenidade leve de seus gestos. Saltava. Distanciava-se.”
............

“Eu devia me tornar forte para enfrentar experiências difíceis. Todos tem que aprender com o imprevisto, inclusive o fracasso, se for o caso. Às vezes, existe o aprendizado pelo fracasso, uma estranha e incompreensível maneira de vencer.”

............

“Atualmente, no outono da vida, volto a ser acidentado. Retornei aos hospitais, nos quais não pretendia mais entrar como paciente. Nova cirurgia. Meses de internação em três hospitais. A agressividade destrutiva do imprevisto voltara a me atingir. Retorno na cadeira de rodas. Meses de preocupação extrema e debilidade física; nervos abalados; úlcera, irregularidades provocadas por excesso de medicação. Responsabilidades a me pesarem no corpo débil, recolhimento, renovação. Esforço-me. Deus me ajuda. Deixo a cadeira de rodas. Levanto-me outra vez para os passos que somados se tornam o caminho de minha vida até aqui.”
.......
“Que os abatidos meditem no valor da vida e não a gastem inutilmente como um passatempo.
A vida é a oficina onde se elabora a liberdade.
A fogueira de onde sairá a luz.
O tumulto de onde nascerá a paz.
Vale a pena viver com Deus que é Amor.
Põe em teu amor o amor de Deus.”

Este é um dos mais lindos depoimentos do livro, sem desmerecer os outros. Talvez porque foi feito através da alma sensível de um escritor. No final do livro, há algumas páginas psicografadas que também transmitem fortes mensagens. As que mais me chamaram a atenção – porque mais tema  ver com meu momento atual:

“Vigiai vossos pensamentos e sentimentos, mas não tenteis levar mentalmente uma norma de vida para ninguém, porque estareis fazendo mais mal do que bem.”

“Cada modificação é precedida por uma demolição. E é justamente essa demolição que tememos, porque não estamos preparados para os avanços da evolução. Precisamos abrir os olhos do entendimento para que possamos, ao nos deparar com situações dolorosas, estar em condições de ajudar e suster aqueles que se deixam abalar pelo pavor.”

“A vida tem mistérios insondáveis. Ninguém sabe que experiências lhe reserva o próximo minuto. Julgar as causas que levam as pessoas a um estado de miséria material ou moral, e acusá-las, sobre qualquer pretexto, revela profundo desconhecimento da condição humana. Ninguém pode constituir-se em juiz das causas alheias.

A razão das coisas se perde na noite dos tempos. Muitas provas não são punição, mas aprendizado resultante de nossas próprias ações, ou experiências que o homem pede ao voltar à Terra, com o objetivo de desenvolver novos valores, que o tornem mais uma consciência capaz de atingir as dimensões da Luz e da Verdade.”
.....
 “Portanto, quando alguém sofre, não tentemos auscultar-lhe os motivos, mas ofereçamos o socorro que estiver em nosso alcance. Se revolvermos as chagas alheias com o propósito de condenar, estaremos preparando para nós momentos bem difíceis, em um futuro próximo.”

“Você carrega um fardo de acusações contra a vida e as criaturas, sem jamais ter parado para refletir no porquê de tudo o que acontece. Nunca tentou dialogar com você mesmo, com a própria vida; e por isso não sabe se é válido o seu modo de interpretar os acontecimentos. Criou uma couraça, escondeu-se dentro dela e de lá atira pedradas naqueles a quem você acusa de responsáveis pelo seu estado atual de desilusão. Você nem pensa, sequer, se aqueles aos quais você acusa como responsáveis por sua revolta contra a vida e as criaturas são realmente culpados, ou as acusações não passam de produto de sua imaginação, ou de sua incapacidade de superar as condições adversas e de tentar vencer aquilo que lhe parece obstáculo intransponível a impedir que você se realize. Cada um é como é; você nunca poderá mudar as criaturas. O que você precisa é mudar-se a si próprio, em relação aos outros.”

E entre as mensagens, existe uma intitulada “A Vida é o que é”.  Só o título já nos traz a compreensão da inutilidade de indagar a si mesmo ou culpar a Deus quando os reveses chegam. Eles são parte da vida, e chegam a todos nós, cedo ou tarde.”

Para mim, entre outras mensagens e depoimentos que li, fica impresso em minha mente a frase:

“A VIDA É O QUE É.”

“Conversa Com a Vida” é um livro que segue a Doutrina Espírita verdadeira, a que não se coloca como dona da verdade, a que não se impõe sobre criatura alguma, não condena ninguém, entende que cada um tem o seu tempo de compreender as coisas da vida, e que na verdade, todos nós, sem exceções, sabemos muito pouco. A Doutrina Espírita que está além de dogmas e religiões, e mesmo assim, não condena nenhuma destas coisas. A que dá a cada um o direito de ser – mas lembrando a importância de nossas escolhas na história de nossas vidas e de outras vidas que nos tocam.


terça-feira, 15 de julho de 2014

Compreensão




Ando pondo tampões de paz em meus ouvidos
E mordaças de silêncio sobre a minha boca
Para que eu não me perca,
Para que eu não fique louca.

As flores escutam as minhas preces murmuradas,
E as sopram com seu perfume no vento, para o céu...
Caem os véus,
E entendo que a vida, mesmo curta, jamais é pouca.




sábado, 12 de julho de 2014

Ilusão





A ilusão
Tem voz tão doce,
Tez  perfumada,
Olhares lânguidos,
Suaves palavras...

A ilusão
Tem passos leves,
Brilho de estrela
Quase apagada,
Rosto de santa,
Mas dedos agudos...

E as mãos pesadas...



Saudade



Saudade,
Palavra solúvel
No acre das lágrimas.

Agudas pontas
Que descem ferindo
O céu da boca
E a garganta.

Náufraga fragata
No fundo azul
Do peito.

Rio sem leito,
Só correnteza
Que embora corra,
Não passa.





quinta-feira, 10 de julho de 2014

Via Dolorosa





Ela notou
(olhos no chão)
Que cresciam flores
Pelos cantos,
Notou as cores,
E o perfume das rosas...

E tudo isto
Ao contar os passos
Em sua Via Dolorosa.

Ela escutou
Os cantos doces
Sobre as árvores,
Sentiu os raios
Mornos do sol
Tecendo carícias
Sobre suas costas...

E tudo isto
Ao contar os passos
Em sua Via Dolorosa.

Ela encontrou
Mãos estendidas,
Sorrisos amigos,
Amizades antigas,
Ouviu conselhos,
Palavras  fortes
E consoladoras.

E tudo isto
Ao contar os passos
Em sua Via Dolorosa.

E as sombras foram
Rareando,
As cores dos dias
Voltando,
A esperança
Rebrotou
E abriu-se
Na face das flores.

As dores
Foram tornando-se
Lembranças,
Lições valorosas.

E tudo isto
Ao contar os passos
Em sua Via Dolorosa.




quarta-feira, 9 de julho de 2014

Feito Cegos em Tiroteio




Embora muitos possam considerar a minha abordagem um tanto cínica - e na verdade, é mesmo - eu acho que a derrota vergonhosa e humilhante do Brasil contra a Alemanha foi mais que merecida. Acreditam alguns que tudo o que nos acontece é merecido e enviado a nós conforme as nossas obras. Não concordo muito com tal coisa, mas quem desejar tecer-me críticas devido a minha opinião, deveria pensar nesta possibilidade.

Há algum tempo, vimos  pessoas nas ruas protestando contra isso, contra aquilo, sem na verdade ter uma plataforma coerente sobre a qual organizar seus protestos. A ordem era: 'Somos contra, e pronto." Cada um naquelas passeatas protestavam por alguma coisa que lhe dizia respeito em nível pessoal - professores queriam melhores salários, alunos queriam melhor educação, usuários de transportes coletivos queriam passagens grátis, homossexuais queriam mais liberdade e respeito. Como eu previa, tais passeatas não deram em nada, pois cada um pensava apenas no que seria melhor para si mesmo, e não para o país - sem mencionar aqueles que estavam ali apenas porque achavam "legal" ou "bonito" protestar. Poucos pararam para refletir no que poderia estar por trás daqueles protestos: quem os estava comandando? Todo mundo acreditou que um movimento daquele tamanho tinha simplesmente aparecido 'do nada' e que não havia líderes ou interesses por trás. 

Depois, começaram os quebra-quebras. Ônibus e carros, lojas e restaurantes, patrimônio público e até mesmo, pessoas. Como se o ódio e o caos fossem fatores organizadores. Do ódio, apenas o ódio pode brotar, e do caos, apenas o caos.

E caos foi exatamente o que vimos ontem pela televisão. Um time que corria para qualquer lado, totalmente perdido. Pelo menos, Felipão, em sua entrevista, não tentou encontrar desculpas para o desempenho da seleção: assumiu, ele mesmo, a culpa. 

Particularmente, achei a derrota do Brasil, da maneira como aconteceu, um espelho da nossa realidade caótica: parecemos cegos em tiroteio, e tivemos exatamente o que merecemos. Temo que uma vitória neste momento teria significado uma cegueira ainda mais completa no povo, que entusiasmado pela sensação de vitória, teria ido ás urnas para reeleger seus algozes. Uma prova disto, é que após o terceiro ou quarto gol, podia-se ouvir o nome de Dilma sendo "homenageado" dentro do estádio, como se ela tivesse alguma coisa a ver com o que estava acontecendo dentro do campo - incoerência total.

Felizmente, o resultado da copa não servirá como massa de manobra eleitoral. Espero que esta derrota nos dê tempo suficiente para pensar e tentar mudar alguma coisa na única ocasião na qual temos uma pequena chance de nos manifestarmos de forma civilizada e eficaz: as eleições.

Mas muitos dirão: "Mas votar em quem? Não há bons candidatos." Eu concordo; mas pelo menos, podemos dar uma chance a outro candidato. Ou quem sabe, anular o voto, o que também é uma forma de protesto. 

Perdemos o jogo da copa. Foi vergonhoso e merecido. Da maneira como temos agido em relação ao nosso país, não merecíamos a alegria da vitória.



segunda-feira, 7 de julho de 2014

Ciclos






CICLOS



As ondas batem na areia,
Trazendo espumas de mar
Que se desmancham na praia.


O galho brotando a folha,
O trem apitando ao longe...
-Som de encontros cruza o ar.


Ergue-se o sol de manhã
Cobrindo o mundo de cores:
Esperança a despertar!


Cada um que chega e parte
Tem seu tempo e sua arte,
Mas nada há de ficar!


Chega o sol ao seu ocaso
E brilha a primeira estrela
-Antes do dia acabar...

Tudo que chega e que vai
Cumpre um tempo e uma missão
Que ninguém sabe explicar..


Tudo é lindo, tudo é arte:
As partidas e as chegadas
Num constante renovar-se!


Cai a folha sobre a relva
Sem pesar e sem escolha,
Outro apito: o trem parte.





sexta-feira, 4 de julho de 2014

Toda Canção




Toda canção nasce de um motivo,
Talvez da ânsia
De algum par de ouvidos.

E quando nasce,
Alcança voos sustenidos
E é apreciada,
Mesmo que em silêncio contido...

Assim, eu canto,
E nem sempre penso
No que eu lanço;

E o que canto, é fruto nascido
Da semente de algum desejo,
Seja meu ou seu,
Lançada na terra,
Num gesto desabrido

Para nascer em flor,
E ter abrigo
Em algum coração que a sonha
E está sofrido,
Bordando ânsias 
Em uma branca fronha.




quinta-feira, 3 de julho de 2014

MEU POEMA







Meu poema não se prende
Sob a sombra dos telhados
Ou o cerco das paredes.

Voa livre, corre solto,
Não se aquieta, não se cala
Nas tramas finas das redes.

Descansa ao sol da manhã,
E se põe ao arrebol;
Volta num rastro de estrela,
Renascendo de repente
No miolo de um girassol.

Meu poema cai com a chuva,
Ficando nas poças d'águas...
Reflete o brilho da lua,
Contém a lama das mágoas...
De repente, se desmancha
Em fileiras de sorrisos...

Meu poema sobe aos céus,
Vislumbrando o paraíso...
Mas às vezes, ele desce
Chegando até o inferno,
Ressuscita no verão,
Dá seus frutos no inverno...

Meu poema não tem cordas
Que o prendam a um estilo,
Meu poema é vagabundo,
E não precisa de brilhos.
Voa solto com o vento,
E não corre sobre trilhos.

Meu poema é alegoria,
Revela aquilo que eu sinto,
O que vejo pela vida,
O que calo e o que minto.




quarta-feira, 2 de julho de 2014

DESESPERO




Na beirada de um penhasco,
Os pés hesitam;
Percorrem a barra escarpada
Mantendo os olhos fechados,
Sentindo as pedras do solo
E o perigo do abismo.

Um vento mais forte sopra
-Ah, o suicídio!...
Adrenalina nas veias,
E um medo prisco!

(Vontade de mergulhar
Ou de ser salvo?
De mirar, de atirar,
Ou de ser alvo?)

Caminho escorregadio
E perigoso,
Um espírito se arrisca
No chão lodoso...

Brinca de se equilibrar
Num precipício,
Será loucura, pavor
Ou será vício?



MINHA MISSÃO É ESTAR AQUI

Estava lendo  uma entrevista da psicóloga e personal coach americana Laura Ciel, no qual ela fala sobre aquele momento (momen...