sexta-feira, 31 de maio de 2013

Gabriela Mistral - Canção das Meninas Mortas







Canção das Meninas Mortas





E essas pobres meninas mortas,
escamoteadas em abril,
as que surgiram e afundaram-se
como nas ondas o delfim?
Onde é que foram e se encontram,
a custo contendo o riso,
ou escondidas esperando
voz de um amante que seguir?
Diluindo-se como desenhos
que deus deixou de colorir,
pouco a pouco afogadas como
em suas fontes um jardim?
À vezes procuram nas águas
ir recompondo seu perfil
e nas carnudas rosas róseas
quase começam a sorrir.
Nos campos elas acomodam
o talhe, o vulto quebradiço.
e quase logram que uma nuvem
lhes dê seu corpo num ardil.
Juntam-se quase as desmembradas,
quase chegam ao sol feliz.
quase desfazem seu trajeto
recordando que eram daqui.
Quase anulam sua traição
e caminham para o redil.
e quase vemos ao crepúsculo
o divino milhão surgir





Gabriela Mistral, pseudônimo escolhido de Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga (Vicuña, 7 de abril de 1889 — Nova Iorque, 10 de janeiro de 1957), foi uma poetisa educadora, diplomata e feminista chilena.

Foi agraciada com o Nobel de Literatura de 1945.

Os temas centrais nos seus poemas são o amor, o amor de mãe, memórias pessoais dolorosas e mágoa e recuperação. Lucíla nasceu na cidade de Vicuña, Chile, em 7 de abril de 1889. Seu pai abandonou a família quando Lucíla completou três anos de idade. A mãe de Lucila faleceu no ano de 1929 e a escritora lhe dedicou a primeira parte de seu livro Tala, a que chamou: Muerte de mi Madre. Educada em sua cidade natal, começou a trabalhar como professora primária (1904) e ganhou renome ao vencer os Juegos Florales de Santiago (1914) com Sonetos de La muerte, sob o pseudônimo de Gabriela Mistral,cuja escolha deu-se em homenagem aos seus poetas prediletos: o italiano Gabriele D'Annunzio e o provençal Frédéric Mistral.

Em 1922 é convidada pelo Ministério da Educação do México a trabalhar nos planos de reforma educacional daquele país. O Prêmio Nobel transformou-a em figura de destaque na literatura internacional e a levou a viajar por todo o mundo e representar seu país em comissões culturais das Nações Unidas, até falecer em Hempstead, estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos.

A notoriedade a obrigou a abandonar o ensino para desempenhar diversos cargos diplomáticos na Europa. Tida como um exemplo de honestidade moral e intelectual e movida por um profundo sentimento religioso, a tragédia do suicídio do noivo (1907) marcou toda a sua poesia com um forte sentimento de carinho maternal, principalmente nos seus poemas em relação às crianças. Em sua obra aparecem como temas recorrentes: o amor pelos humildes, um interesse mais amplo por toda a humanidade.

Entre suas mais significativas obras podemos destacar:
Sonetos de la Muerte, 1914
Desolación, 1922
Lecturas para Mujeres, 1923
Ternura, 1924
Nubes Blancas y Breve Descripción de Chile, 1934
Tala, 1938
Antología, 1941
Lagar, 1954
Recados Contando a Chile, 1957
Poema de Chile, 1967

Alguns de seus poemas mais conhecidos são:
Piececitos de Niño
Balada
Todas íbamos a ser Reinas
La Oración de la Maestra
El Ángel Guardián
Decálogo del Artista
La Flor del Aire
Comer, Comer
Yo e tú

Fonte: Wikipedia




Torcer e Retorcer





De nada adianta o quanto alguém pode tentar torcer e retorcer a verdade; mesmo assim, ela continuará sendo verdade. O melhor, é admiti-la!

De nada adianta tentar encontrar desculpas que possam justificar uma conduta errada, pois ela continuará sendo errada. Nada torna o errado, certo. Um erro não justifica outro, e os erros alheios não servem de desculpa para justificar os meus.

Aquilo que eu faço de mal, voluntariamente, a outra pessoa, ficará para sempre marcado no caminho que eu percorro. Haverá sempre aquele feio arranhão que me segue pela estrada, e que não me deixará em paz. E nem que eu tente justificar aquilo que fiz de errado, usando mil desculpas e mil argumentos, um erro será sempre um erro.

Se for possível corrigi-lo, que eu o faça; mas às vezes, quando deixamos passar tempo demais sobre o erro, ele torna-se impossível de ser corrigido. Se meu arrependimento sobre ele for sincero, só me resta perdoar a mim mesma e nunca mais cometer um erro como aquele; se meu arrependimento não for sincero, ou não existir, restar-me-hão a culpa e a infelicidade.

É certo que cada um escolhe o caminho que deseja seguir; é certo que levamos conosco as consequências de nossos atos, bons ou ruins. Mas também há momentos em que o que nos acontece de mal, não vem daquilo que nós mesmos provocamos, e sim, de atos de terceiros. E quando isto acontece, eu acredito que aquele que prejudica o outro, estará trazendo grande prejuízo a si mesmo. Não é justo justificar nossa maldade alegando que o outro 'merece' passar pelo que está passando. Quem somos nós para dizer?

Melhor seria se cada um olhasse para dentro de si mesmo e descobrisse o que existe ali dentro que mereça ser melhorado. Porque apontar o outro parece fácil demais, mas admitir os próprios erros, pode ser a coisa mais difícil ( e mais necessária) que precisamos fazer para que possamos nos qualificar justamente sob a categoria de seres humanos.



quinta-feira, 30 de maio de 2013

POÇO




Poço ambicioso
Que nunca se enche,
Por onde gotejas
E te esvazias?

O que te incomoda,
O que te transforma
As águas em poças
Tão estagnadas?

Por mais que te encham,
Por mais que te enchas,
Jamais é bastante,
Tua sede não estanca!

De nada adiantam
 As águas que chegam,
A chuva profusa,
Ou mil afluentes,

Pois nada preenche
A tua secura,
A tua loucura
Ah, poço de mil sedes!


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Tristeza






Trecho do livro "O Céu Está em Todo Lugar" - de Jandy Nelson



A tristeza é uma casa
Em que as cadeiras
Se esqueceram de como nos segurar,
Os espelhos, de como nos refletir,
As paredes, de como nos conter.
A tristeza é uma casa que desaparece
Cada vez que alguém bate à porta,
Uma casa que se vai com o vento
À menor rajada,
Que se enterra no solo
Enquanto todos estão dormindo.
A tristeza é uma casa
Em que ninguém pode proteger você,
Em que a irmã caçula
Vai envelhecer mais que a mais velha,
Em que as portas
Não deixam mais você entrar
Nem sair.



O Céu Está em Todo Lugar - Resenha (livro)






O Céu está em Todo Lugar - Autora: Jandy Nelson
Título Original: The Sky is Everywhere
Categoria: Romance juvenil
Editora Novo Conceito
2011 - 423 páginas

Lennie Walker é uma adolescente que acaba de perder a irmã mais velha, Bailey, também adolescente. Bem, a partir desta descrição, imagina-se uma história sempre triste e pesada, mas Jandy Nelson consegue dar ao luto uma nova face - mais leve e até mesmo bem-humorada, através dos olhos de sua personagem.

Lennie mora com seu tio Big e a avó, uma ex-hippie dada ao misticismo, cuja filha saiu pelo mundo, deixando as netas aos seus cuidados. A imagem da mãe ausente entra na vida das meninas através de uma pintura inacabada feita pela avó - a Mãe Pela Metade - que fica na sala de estar da casa.

A fim de tentar extravasar e tentar compreender as emoções naturais de seu luto, misturadas à aventura  de crescer, Lennie escreve poemas, e os espalha pela cidade, nos locais mais inesperados: sob pedras, em lixeiras, em folhas de caderno, e até mesmo em embalagens de pirulito e copos de papel. 

De repente, Lennie se vê apaixonada pelo ex-noivo da irmã, que corresponde sua paixão. Sentimentos de culpa e inadequação tomam conta de ambos, quando surge Toby, um jovem músico por quem Lennie também se apaixona, e os três passam a formar um triângulo amoroso. Confusa, Lennie conclui: "Eu deveria estar de luto, não me apaixonando..."

Para Lennie, ao mesmo tempo, é chegada a hora de saber o que realmente aconteceu à sua mãe, colocar em ordem seus sentimentos pelos dois jovens com quem se envolveu e superar o luto pela perda da irmã. 

O Céu Está em Todo Lugar é um romance que, embora dirija-se ao público juvenil, agradará pessoas de todas as idades. Uma história mágica, comovente e instigante.




terça-feira, 28 de maio de 2013

Título






Título



Queria ter todos os os direitos naturais e autorais
Sobre as palavras e os sentimentos,
Esquecendo que na vida
Se repetem e se entrecruzam
Diferentes momentos.

Queria ostentar a liberdade que aprisiona
Dentro da sua sofisticada
Embaçada, 
E falsa redoma.

Queria ser o dono, o senhor de um vil castelo,
Enquanto , com o seu cutelo,
Cortava as palavras emperrando as aldravas,
Lançando setas agudas e envenenadas,
Tal qual um maricas das palavras!

De cavaleiro, sobraram-lhe apenas as ferraduras
De uma montaria que fugiu,
Já cansada das surras,
E alguns súditos que inda viviam sob o seu jugo,
Adoradores de um falso ídolo.

Queria ser o tal, negar o existencial,
Pregar o evangelho de uma bíblia que não seguia,
Pois que da refrega se empanturra e se esfrega,
Enquanto murmura obscenidades.

Queria achar-se dono de um falo desejoso,
Enquanto nem notava toda pena e todo entojo
Causados por sua pena, em fortes ânsias de nojo!

Ah, título emprestado, ou quiçá, talvez roubado
De uma tal nobreza que jamais lhe pertenceu,
Um título forjado, que escondia um vil plebeu
Por sob os podres brocados de um mendigo desbocado!


Eu Vejo





Eu vejo, e nem sempre entendo...

Caminhamos por um mundo
Cheio de falsos "lords" e "mestres,"
Preconceitos e salamaleques,
Rapapés e risos 
Onde os incisivos sempre sobressaem.

Caminhamos, e vamos achando
Pelo caminho, espinhos,
Enquanto as pétalas servem de ninhos
Às serpentes e  salamandras mancas.

Caminhamos, e enfim chegamos
Ao final da jornada, ao muro
Onde nos aguarda
Um imenso espelho
Diante do qual, ninguém se engana.

E finalmente, a malfadada trama
Onde se engalfinham os egos errantes
Revela que os "lords", os" príncipes" e os "plebeus"
Vieram da, e para lá voltarão, todos juntos
mesma luz e ao mesmo breu
De onde nasceram - que coisa aberrante!






segunda-feira, 27 de maio de 2013

Prisma






Prisma


Prisca combinação de cores,
De onde derivam
Todas as outras cores...
O prisma absorve
E as devolve em feixes
Multicores.

Assim é a alma da gente,
Prisma
Captando a vida
E re-interpretando as alegrias 
E as dores.

Mas no fim,
Tudo são apenas
Cores.

*

Yung e o Tarô - Uma Jornada Arquetípica





Trechos do livro "Yung e o Tarô - Uma Jornada arquetípica," de Sallie Nichols 



A carta 18 - O Diabo: anjo Negro - 

(...) Dir-se-há  que, através das atividades de Satanás, nós, seres humanos, fomos expulsos do Éden da obediência instintual e da natureza animal a fim de podermos cumprir o destino de nossa natureza especificamente humana. E agora, tendo provado do conhecimento do bem e do mal, enfrentamos, para todo o sempre, a responsabilidade da escolha moral. Já não somos capazes, como crianças obedientes, a permanecer seguramente dentro dos limites de um código superposto de ética. estamos, segundo Jean-Paul Sartre, "Condenados a ser livres."
Sem liberdade para escolher, não pode haver moral verdadeira. O fato é que a maioria de nós tem hoje mais escolha livre do que supomos; muitos, porém, ainda inconscientemente aprisionados dentro dos mores culturais, recusam-se a aceitar a responsabilidade da escolha moral. (...) Enquanto nos recusarmos a virar-nos e a enfrentar nossos próprios diabos interiores - seja qual for a forma que possam assumir - não seremos humanos.
(...) De acordo com Baudelaire, que tinha considerável experiência com esse sujeito (o diabo), "O artifício mais hábil do diabo é convencer-nos de que ele não existe."


Carta 10 - O Carro - Leva-nos para casa

"O eu utiliza a psique individual como meio de comunicação. O homem, por assim dizer, é propelido ao longo da estrada para a individualização." - Yung

(...) O Carro parece simbolizar com propriedade o poder transportante da psique. A psique não é um objeto, uma coisa; é um processo. Sua essência é o movimento. Assim como a paisagem externa passa por nós quando viajamos, assim diante do olho interior as imagens se sucedem numa constante fita de cinema. São imagens que sintonizamos quando fechamos os olhos para as coisas externas e subimos no carro para uma viagem interior. Semi-vislumbradas, às vezes totalmente não reconhecidas, tais imagens afeiçoam nossa vida e nossos atos. Contém a semente vital da vida.


Carta 11 -  Justiça - Há alguma?

"O equilíbrio é a base da Grande Obra." - Aforismo alquímico.

(...) Um significado da palavra 'inocente' é ignorante. Só a ignorância se imagina inocente. (...) O simbolismo da Justiça acentua significativamente uma união harmoniosa de forças opostas. Sentada num trono, a grande figura feminina simboliza o poder feminino sobre-humano. No entanto, empunha uma espada e usa um elmo de guerreiro, a denotar que a discriminação e a coragem masculinas estão também envolvidas em seu trabalho.

"Não trago a paz senão a espada." Nessa série do tarô, o herói deixou para sempre a paz bem-aventurada para da inconsciência para assumir o desafio e a responsabilidade que a espada representa. Agora precisa deixar de invectivar os Fados, ou os pais, pelos pecados que cometeram contra ele por mais reais que estes possam ter sido, e assumir o fardo da própria culpa.  Só o néscio se interessa pela culpa dos outros, visto que não lhe é dado mudá-la. Se o herói ainda vê os pais como diabos, responsáveis pelos seus erros e limitações, está tão vinculado a eles como estava quando os supunha seus infalíveis salvadores. Cortar o cordão umbilical significa psicologicamente livrar-se de toda e qualquer dependência infantil, tanto negativa quanto positiva.  (...)


domingo, 26 de maio de 2013

AMOR OU ESCUDO?...





Amor ou Escudo?...


Que jamais usemos
O amor como escudo,
Como teto e proteção,
Contra as intempéries da vida
E do mundo.

Que ele seja a semente
De algo que já nasce com a gente,
E cresce um pouco mais a cada dia,
Simplesmente...

Que ele seja forte, e domine a mente
Sem que sejam necessárias forças
Para abrir caminho entre os espinhos
Que na vida, encontraremos
Pelo caminho!

Que o amor não seja a resposta, nem a pergunta,
Mas que esteja no ar que respiramos,
Na terra onde pisamos,
Nas fontes onde bebemos,
Nos frutos dos campos
Dos quais nos alimentamos...

Que o amor nos faça transcender
Todo e qualquer julgamento,
Separação ou explicação minusciosa,
E nos ajude a respeitar tudo:
A vida, a morte,
A alegria, o sofrimento,
Os espinhos da rosa!

Que o amor faça de nós aceitação,
E não escudo!
E que nós amemos o amor por ele mesmo,
Sempre sabendo
Que ele não nos protegerá de qualquer dor,
Não nos salvará da morte,
Não nos poupará dos sofrimentos,
Não nos fará imunes a nada neste mundo,
Pois quem ama, ama por amar,
E não faz do amor uma troca!


As Realidades - poema Surrealista de Louis Aragon




As Realidades (fábula), de Louis Aragon.

Era uma vez uma realidade
com suas ovelhas de lã real
a filha do rei passou por ali
E as ovelhas baliam que linda que está
A re a re a realidade.
Na noite era uma vez
uma realidade que sofria de insônia
Então chegava a madrinha fada
E realmente levava-a pela mão
a re a re a realidade.

No trono havia uma vez
um velho rei que se aborrecia
e pela noite perdia o seu manto
e por rainha puseram-lhe ao lado
a re a re a realidade

CAUDA: dade dade a reali
dade dade a realidade
A real a real
idade idade dá a reali
ali
a re a realidade
era uma vez a REALIDADE.




Surrealismo


SURREALISMO - Movimento que surge em 1924 com o Manifesto Surrealista de André Breton. Propõe que o homem se liberte da razão, da crítica, da lógica. Adere a filosofia de Sigmund Freud. Expressa o interior humano investigando o inconsciente.

sábado, 25 de maio de 2013

Resposta ao Tempo





Resposta ao Tempo
Nana Caymmi

Autores: Cristovão bastos e Aldir Blanc


Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
Pra ter argumento

Mas fico sem jeito
Calado, ele ri
Ele zomba
Do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei

Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há folhas no meu coração
É o tempo

Recordo um amor que perdi
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei

E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos

Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto

E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer

Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto

E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, e ele não vai poder
Me esquecer

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer




ABRAÇO O DIA








Abraço o dia devagar, 


Com mansa alegria e reverente cerimônia, 


Sabendo que ele é dádiva, 


Sabendo que meus sonhos ficarão descansando 


Na fronha. 




O dia colhe os pesadelos, 


Enrolando-os em pesados novelos 


E lançando-os todos ao abismo 


Da claridade, 


Onde eles se desfazem. 




Abraço o dia com gratidão, 


Sabendo que qualquer dia, 


Será o último 


Em que nós estaremos juntos, 


Em que eu te verei - e te abraçarei. 




O dia suspira surpresas, 


Espalha delicadezas 


Em forma de gotas de orvalho pendentes das pétalas, 


Fiapinhos de nuvens no céu da manhã, 


Cantos de passarinhos com frio, 


Florzinhas miúdas nos cantinhos... 




Abraço o dia como quem não quer nada, 


Embora em meu coração despertem vontades 


E desejos de estradas... 


Sigo por aquelas que o dia me apresenta, 


Passo a passo, com respeito e reverência, 


Até que chegue a próxima noite. 



quinta-feira, 23 de maio de 2013

Ah, Vida!...




Frases Sobre a Vida e o Viver






“Alguns homens passam metade de sua vida dizendo o que vão realizar, e, a outra metade explicando porque não realizaram.” (Anônimo)



“Nosso alvo na vida deveria ser não o de ultrapassar os outros, mas ultrapassar a nós mesmos.” (Anônimo)







“O caráter de uma pessoa se mede pela capacidade que ela tem de dizer OBRIGADO!” (Anônimo)





“Nenhum espelho reflete melhor a imagem de um homem do que suas palavra.s” (Anônimo)




“Da primeira vez que me enganares, a culpa será tua; já da segunda vez a culpa será minha”. (Provérbio Árabe)





“Coragem é a arte de ter medo sem que ninguém o perceba.” (Anônimo)





“Podemos dar um barco a uma pessoa, podemos colocar o barco na água, podemos colocar essa pessoa no barco, podemos dar os remos a essa pessoa, mas para o barco andar, só se essa pessoa quiser.” (Sabedoria Chinesa)









“Quando você fala, só pode dizer algo que já conhece. Quando você ouve, pode aprender o que mais alguém sabe.” (Anônimo)






Mensageiros dos Ventos




Mensageiros dos Ventos


Faltam ventos para os sinos,
Que silenciam.
Nenhum passo, nenhum assovio
A soar no quarto frio!

Permanecem, assim, parados,
Os meus sinos,
Mensageiros de um vento
Que não manda mais mensagens,
Preso está na calmaria
Das palavras sem vontade.

Mas ás vezes, ah... às vezes,
Sopra um vento assim, tão forte,
Que os sinos desesperam-se,
Agitando-se,
E despertam
As almas no além-morte!...

Mas logo depois, silenciam
Os meus sinos; nenhum som,
Vai-se o vento, cai a noite,
E só as asas dos morcegos
Fazem soar um tilintar
Quase inaudível - poeirento.


Nada Sei do que se Passa





Nada sei do que se passa
Na tua casa,
Entre as paredes,
Não te conheço.

Assim,
Prefiro não especular,
Não criar verdades mentirosas,
Histórias escabrosas,
Ridículas suposições
Que só rebaixariam
A minha própria imagem,
Enfraquecendo minhas palavras.

Nada sei do que se passa
Na tua casa,
Ou com quem vives,
Se trabalhas, se matas
E escondes cadáveres na geladeira,
Ou se apenas rezas, de joelhos,
A vida inteira!

Nada sei, e nem desejo saber,
Nada tens a temer.


Reflexões





Na minha idade, certas coisas trocam de lugar, e as que antes eu achava que eram importantes deixam de ser, e outras que eu costumava ignorar, tornam-se importantes. Tudo o que fiz durante meus anos de juventude, começa a aparecer; os excessos, e também os cuidados: as horas dedicadas ao exercício físico, a boa ou má alimentação, ao sedentarismo, ao tipo de leitura e lazer aos quais eu me dedicava e a maneira como tratei das coisas do espírito.

Tem gente que gosta de dizer que a idade não importa. Eu acho que elas cometem um erro. A idade importa sim, e para mim, é preciso prestar atenção à passagem do tempo e à maneira como nossos valores vão se transformando, e nossas vidas, se adaptando às novas idades.

Ficar mais velha nos faz pensar que, quanto mais longa for a nossa vida, mais nos aproximaremos da morte. E eu confesso que olho para esta inevitável senhora sem nenhum medo ou ressentimento, pois para mim, ela é apenas mais uma etapa da vida. Acho estranho o assunto morte ser considerado tabu entre as únicas criaturas que sabem que todos vamos morrer.

Eu não acho que a vida fica inevitavelmente mais 'maravilhosa' só porque eu estou mais velha. Não acredito nessa coisa de 'melhor idade.' A vida pode ser uma cadela, a qualquer momento, em qualquer idade. Mas também pode ser maravilhosa a qualquer idade.

O que eu realmente penso sobre envelhecer, é que não é divertido, não é maravilhoso, não é a melhor idade, não é a idade em que todo mundo passará a nos respeitar mais e nos achar uma gracinha, perdoando nossas faltas, e nem é a idade na qual devemos nos recolher e olhar a vida passar, sem intrometer-se muito nas conversas de família numa tentativa de que tolerem a nossa presença. Acredito que se tivermos respeito por nós mesmos, as pessoas nos respeitarão mais quando envelhecermos; se não nos colocarmos na posição de titios, vovós ou vovôs bonzinhos e bobinhos, que ficam extasiados toda vez que alguém mais jovem nos diz que somos uma gracinha e nos trata como bebezinhos, as chances de que não sejamos vistos como tal aumentarão consideravelmente.

Se eu ler, me informar, tiver uma conversa interessante, cuidar da memória exercitando meu cérebro e tomando remédios se necessário, terei uma grande chance de continuar ocupando um lugar importante no meio da minha família e entre os mais jovens. Basta que eu não vista o estereótipo da velhinha bonitinha e coitadinha, como esperam inconscientemente que todos façamos. E sempre que alguém se referir a mim de maneira desrespeitosa, ou desconsiderar uma opinião minha alegando que eu estou velha, eu não posso deixar passar! Não posso me acomodar e fingir que não percebi! É exatamente nessa hora que torna-se essencial levantar a voz, aprumar a postura e contestar, dizendo: "Quem você pensa que é?" E jamais, mas jamais, concordar em mudar-me para o quartinho dos fundos dentro da minha própria casa!

Acho importante também que possamos cuidar da vida financeira, fazer planos para que tenhamos uma renda que nos deixe independentes - parte que tenho negligenciado totalmente... mas vou providenciar. Minha mãe fez até plano funeral - o que eu não faria, pois quando eu morrer, que se vire quem estiver vivo. Acho que eu serei merecedora de um pequeno investimento dos que me cercam a fim de proporcionar-me uma última morada para meus ossos. Ou joguem-me aos cães, doem-me à medicina, não me importo.

Envelhecer não é uma delícia, não significa entrar na melhor idade, e muito menos, tornar-se mais sábio; mas é inevitável e natural, e deve ser encarado como tal.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A Emenda e o Soneto



Às vezes, a gente se cansa
De aparar arestas,
Consertar buracos,
Emendar sonetos
E tapar as frestas.

Então, aprendemos
Que a melhor escolha,
É não escolher,
É se recolher,
Não mais opinar,
Não se aborrecer.

Às vezes, a gente percebe
Que o momento passa,
As portas se fecham,
Se empenam, emperram,
E que já não há
Nenhuma abertura.

O melhor é deixar
Lastrar a loucura,
Fechar bem os olhos,
Esquecer as rimas,
Maldizer a métrica
E a harmonia.

Às vezes, as ervas daninhas
Tapam para sempre
Tudo o que restou
Daquele caminho
Voluntariamente
Não mais percorrido.

A distância é tanta
Que já não se cobre,
Que já não há passos,
Apenas espaços
Já intransponíveis
Entre os frouxos laços.

A emenda e o soneto
Já não se conhecem,
E o poema cai
Natimortamente
Na página branca
Sem rima, sem graça,
Lamentavelmente.





terça-feira, 21 de maio de 2013

A Caixa



Quem sabe, talvez  só precise
De uma caixa que me caiba
Quando chegar lá na frente, 
Diante da porta fechada.

Aqui ficarão os meus sonhos,
As roupas, as modas, a casa,
Amigos, família, parentes,
Cabelos, os pelos, os dentes.

Os ossos, as unhas, os sumos
De um corpo que um dia foi gente,
Lá dentro da caixa fechada,
Entre a eternidade e o nada.

Um brinde, uma gota de fel,
Um copo de cólera e mel...
Ah vida, megera indomada,
Ah, morte, o fim da picada!




segunda-feira, 20 de maio de 2013

Fim de Tarde





Aquele cheiro de carros
Chegando na rua,
Cachorros latindo nos portões,
Pais com os pães pendurados nos dedos,
Mães em roupões e pantufas,
Jantar sobre a mesa.

A novela rolando na TV,
Talheres e copos tilintando,
O cheiro da comida escapando pela janela,
A adolescente no quarto, em frente ao espelho,

Sem pensar em problemas,
Apenas nas novas cores dos esmaltes de unha,
Na prova que teria na manhã seguinte,
Em ser uma estrela num banho de espuma,
E no que contar, amanhã, à amiga.

Conversas chegando nas vozes dos ventos,
As ruas vazias, tão cheias de lua,
E de repente, alguém chega à janela,
Olha as estrelas, respira fundo,
Planeja o outro dia,
Silencia.

Era assim.

Orgulho, Cobiça, Competição - Desabafo






Tenho visto o orgulho , a cobiça e a competição deixarem seus rastros pelo mundo, separando amigos, destruindo lares, causando verdadeiros tsunamis na vida das pessoas. Tenho visto pessoas que pensam que ter a última palavra é mais importante do que manter um relacionamento saudável com as pessoas que as cercam. Vejo e lamento. 

Existe nas pessoas um desejo de vingança que extrapola a convivência. Aquele ressentimento que ficou lá no passado é cuidadosamente cultivado por anos e anos, até que haja uma oportunidade de vingança; e mesmo que as coisas tenham mudado, que a vida tenha dado mil voltas e que as pessoas tenham crescido, a vingança é alimentada todos os dias, à sangue e lágrimas.

Existem algumas pessoas que só ficam felizes e só se sentem seguras quando acham que tem 'o controle da situação,' ou seja, o domínio sobre as demais. Usam como lema, o conceito 'Dividir para dominar,' e só ficam felizes quando conseguem seu intento.

Existem pessoas que não tem dentro de si um pingo, uma única gota de gratidão por quem as ajudou em algum momento na vida, e nem sequer conhecem o significado da palavra gratidão.

E o mundo fica mais cinzento, e as relações, cada vez mais corroídas, até que se chega a um ponto em que não há mais volta. O importante, para estas pessoas nocivas, não é ver o bem do outro, não é cooperar para que todos possam ser felizes e darem-se bem uns com os outros, e sim ver a desordem, o desentendimento, a desconfiança espalhados por todos os lugares!

E quem ganha com isso?  Elas pensam que ganham, mas todos perdem. 

A fofoca, a inveja, a competição, as mentiras, o orgulho e a cobiça são as bases morais destas pessoas. É com imensa tristeza que eu vejo coisas ruins, coisas péssimas acontecendo no mundo, e eu penso, "Meu Deus, será que eles não enxergam o que estão fazendo? Como podem se colocar como ícones de moral e exigir perfeição dos outros, se eles mesmos agem como agem?"

O que importa, é colocar uma fotografia sorridente nas redes sociais, a fim de demonstrarem que suas vidas são perfeitas e felizes, quando na verdade, está tudo uma merda. O que importa, é 'ir pra balada,' o que importa, é curtir e ser curtido, compartilhar e ser compartilhado, enquanto espalham o preconceito, a má vontade e a falácia!

Lembro-me que, ao final do ano de 2011, vi um desses astrólogos/tarólogos/adivinhos/e sei-lé-mais-o-que em um programa de TV que dizia que 2012 seria o ano em que as máscaras cairiam; fiquei com aquela frase na cabeça, nem sei porque, mas hoje, eu entendi. Assim como também entendi toda aquela parafernália de fim de mundo que encheu a mídia; é que o mundo acabou mesmo, e nós nem percebemos!

E essas pessoas sentam-se nas poltronas, em suas casas, na hora do jantar, e ficam apontando para a TV, para os políticos desonestos, e falando em qual seria a melhor punição para eles, quando na verdade, elas ficariam muito felizes se pudessem estar lá aonde eles estão, fazendo as mesmas coisas ou até pior!

Me desculpem se eu hoje estou pessimista, mas é assim que eu estou enxergando as coisas neste momento. E a pior coisa (ou talvez seja até bom), é a gente sentir na pele, literalmente, as coisas que estão acontecendo em volta da gente, e não poder fazer nada para mudá-las, pois as pessoas são idiotas e não enxergam, e nem aprendem através das lições que a vida aplica. As coisas estão desmoronando, literalmente, e ninguém nem percebe quando foi que tudo começou, e o que seria preciso para fazer isso parar!

Sinceramente, não vejo saída. É cada um pensando em si, em como lucrar mais, em como enganar o outro, em como dominar, dar ordens, colocar pessoas contra pessoas, fofocar, inventar mentiras para manipular vidas, e depois... bem, depois, elas vão lá para a sua igreja, centro, sinagoga, mesquita e sei-lá-mais-o-que, e de olhares compungidos, pregam o perdão, a bondade e a caridade.


Família





“Família é prato difícil de preparar”

(de “O Arroz de Palma”, de Francisco Azevedo)

Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.




E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.



Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.

Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.



O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini; Família à Belle Meunière; Família ao Molho Pardo, em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é “à Moda da Casa”. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.

Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.


Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. 


Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.


MISTÉRIO

  Existe um jardim, e nele, uma flor Que todos procuram Embora alguns digam que ela não é. E muito se diz sobre a sua cor: Vermelha o...