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Mostrando postagens de Julho, 2012

Fé na Pedra - conto

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Um dia, caminhando por um jardim público, em um momento no qual passava por uma imensa tristeza e muitas dificuldades, Julia vislumbrou através da nuvem de lágrimas que encobria seus olhos, alguma coisa que faiscava de brilho, no chão, alguns passos adiante. Secou as lágrimas com as costas da mão, e inclinando-se até o chão, pegou o objeto.

Era uma estranha pedra branco-azulada, com alguns veios dourados que mais pareciam estradas tão finas quanto fios de cabelo em seu interior. O mais incrível, é que ela tinha a forma perfeita de uma pirâmide.

Julia tinha lido, há algum tempo, que pirâmides eram objetos que continham muito poder e magia, e considerou seu achado como um presságio de boa sorte. Levou a pedra para casa, e colocou-a em seu pequeno altar, onde já moravam a imagem de São Jorge, em uma estátua, um vaso com flores sempre frescas e uma fotografia de seu falecido pai.

Naquela noite, ela acordou e foi olhar a pedra. Ao acender o abajur, a luz fez com que ela brilhasse intensamente…

RASTILHO

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O rastilho lastra a pólvora Fareja destruição Fogo rasteia o pavio Procura por explosão...
O chiado ciciando, Pavio curto apontando A pólvora se preparando O rastilho rastejando...
A cobra acende o pavio, A maldade aviva o cio, Explode, queima, destrói, E o veneno se espalha!
A palavra arrematou O fio desta mortalha! E o que restou da pólvora Secou por sobre a cangalha...

DESCOBERTAS

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Todos temos (ou tivemos) recantos em nós, estes, cheios de cantos e frestas que ninguém percorre, onde nenhuma luz ou facho jamais incide. São como estradas que ninguém - especialmente nós mesmos - deseja percorrer. São caminhos abandonados, onde a paisagem cinzenta e salpicada de ruínas parece-se com a de algum filme de terror.
Lá, deixamos nossos piores medos, nossos maiores fracassos e um ou outro arrependimento. Também ficam lá os sonhos que não realizamos, e deixamos Trancamos bem a porta.
Muitas vezes, vagam por lá os nossos mortos. Eles voltam a nós em sonhos, quando descuidadamente deixamos a porta entreaberta, e eles voltam para nos assombrar. Assombrar, sim, pois estão mortos, e assim permanecerão: fantasmas em nossa memória.
Muitas vezes, outras coisas escapam de lá, e nos obrigam a pensar sobre elas. Mas elas são tão inadimissivelmente terríveis, que preferimos trancá-las novamente, na esperança de que morram à míngua, mas elas não morrem, e no fundo, sabemos disso. Um di…

Para Onde Foi a Cerejeira?...

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Eu compreendo muito bem que árvores junto a uma piscina - local onde deve reinar, absoluta, a luz do sol - não é um bom arranjo; compreendo também que naquela rua deserta e um pouco úmida, o excesso de árvores em volta de uma casa não ajudará a umidade a dissipar-se nas manhãs de inverno.
Mas eu não compreendo passar por ali e não ver mais o luar entre os galhos daquela cerejeira, infestada de flores, que quando caíam, pintavam a calçada de cor de rosa. A árvore apinhada era um espetáculo sem igual! Os galhos debruçavam-se por sobre o muro, e iam se oferecer aos poucos passantes da rua - privilegiados como eu - que podiam fotografá-los, cheirá-los ou simplesmente, deleitar-se olhando para eles, no mais puro êxtase de beleza!
Ficaram, no início, apenas os troncos com os cortes farpados, restos da cerejeira cortada. Depois, nem isto... ontem passei por ali, e a cerejeira tinha sido completamente removida. Olhei para o céu, e o luar estava nu.
Agora, só me restam estas fotos, que tirei …

Transformação

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TRANSFORMAÇÃO
Aquele velho sorriso Que eu tinha, já se foi, Cortadinho em mil pedaços, Amortalhou-se.
Mas ficou um outro riso (Talvez não tão franco ou bonito) Mas ficou, e se transforma A cada dia, lentamente, Em algo um pouco melhor.
Morre um riso, nasce outro, Porque sorrir é preciso.

To Sir With Love - Uma Lembrança

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To Sir With Love - Uma lembrança

Quando eu estava na sexta série, e estudava no colégio EPA, aqui em Petrópolis, havia um professor de quem todos gostávamos. Ele era engraçado, divertido e tinha uma maneira de ensinar tão especial, que quando ele falava, a classe toda ficava quietinha, ouvindo-o. Ele lecionava história, e a partir do momento que passei a ter aulas com ele, esta matéria deixou de ser uma das que eu menos gostava, e passou a ser a minha favorita, já que eu conseguia prestar atenção e aprender sem esforço. A aula era muito interessante, e ele, um professor habilidoso...

Mas um dia, uma coisa aconteceu que mudou meu modo de pensar; um dos meninos havia assitido na TV a uma reportagem  sobre algo que estava acontecendo na época - não consigo lembrar-me do que era, mas tinha alguma coisa a ver com política - coisa com a qual eu nem me preocupava aos doze anos de idade. Este menino fez uma pergunta sobre aquilo ao professor, que respondeu-lhe com toda convicção, e já ia contin…

"A Vida Não é Fácil..."

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A vida não é fácil Se você nem ao menos tentar... Mas antes, é preciso descobrir O que você deseja buscar, Pois quando não há rumo, Como pode haver caminho, Como pode haver um chegar?

A vida não é fácil, Para quem não se esforçar Um pouquinho só, que seja, Dar um passo a cada dia, É preciso fazer escolhas, É preciso ter uma Ou quem sabe, duas bolhas Na palma da mão, Resultado de trabalho, De esforço e dedicação.


A vida não é fácil Para quem só quer sonhar E acha que tem o direito De ter tudo o que quiser Mas sem jamais se esforçar... Não importa aonde estejas, Não importa quem tu sejas, Ou o se o berço onde nasceu Foi de ouro ou foi de palha...


O que importa, é um objetivo, Um caminho pra seguir, Um desejo de crescer, Ousadia pra sonhar, A vontade de vencer, Disposição para o trabalho, E por dentro, uma fé grande Naquilo que quer buscar!


A vida é sempre difícil, Para quem se senta, inerte, E se põe a reclamar, Lamentando a sorte má, As pessoas que lhe cercam, Os exemplos que não teve, A vitória que não veio Da batalha que ne…

APETITE

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Tinha uma fome insaciável, Passava tardes entre banquetes A língua lânguida deslizando Por sobre os cones de mil sorvetes.
Tinha uma fome tão perigosa! Enchia a boca de mil mordidas E mastigava tudo, ruidosa E engolia frementemente.
Tinha uma fome de muitas eras, Prendia tudo entre lábios e dentes, E escorriam de sua boca Todos os sumos das frutas quentes.
Tinha uma fome que não passava, E mergulhava em potes de mel Cremes, champanhes, e muitos doces Mas sua fome só aumentava!...
Tinha uma fome de pratos cheios, De camas quentes, lençóis de seda, E ela servia-se sobre uma mesa Para senhores de fino gosto.
Tinha uma fome de fazer gosto, E devorava, com muito gosto Tudo o que via e que tinha gosto Com tal prazer, e com tanto gosto,
Que sua mesa era sempre farta, E suas ancas, sempre tão cheias!... Deliciosas, todas as ceias, Mais quente o sangue de suas veias!

Bom Dia!

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Eu hoje gostaria de desejar um bom dia a todos que me leem (e a todos que não me leem). 
Quando um novo dia começa, o sol que desponta no horizonte traz preso a si um longo fio de acontecimentos, que faz com que o dia, apesar de novinho em folha, seja uma continuação do ontem. Espero poder lembrar-me disto no decorrer de mais este dia, para que as minhas cargas, amanhã de manhã, não sejam pesadas.
Trago comigo, no começo deste dia, toda a minha vida: o que aprendi, meus erros e acertos, minhas saudades e tormentos, minhas alegrias e tristezas, o que foi bom, o que foi ruim. Ao colocar tudo na balança, percebo que a minha vida tem sido boa, apesar de tudo. Existe a falta dos que se foram e jamais retornarão, mas ao mesmo tempo, existem as boas memórias do que foi vivido ao lado destas pessoas que passaram pela minha vida, e estas, estarão sempre vivas. E mesmo tendo sofrido suas perdas, se eu tivesse que começar tudo outra vez, eu não escolheria, jamais, não tê-las conhecido.
Algumas …

Tarde Transformada

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Estava prevista esta mudança no tempo. Alguém me disse que uma frente fria estava chegando. Mas confesso que eu não estava preparada para o quão rapidamente isto aconteceria! Há apenas alguns minutos, eu estava deitada na rede da varanda, encantada com o tom azul forte do céu e a beleza de um lindo dia ensolarado de inverno; agora, ergo os olhos da tela do computador, em direção à janela, e vejo as nuvens cinzentas que ocuparam todo o espaço azul.
Penso na vida... nunca sabemos os acontecimentos que nos aguardam. Não temos ideia do quão rapidamente o tempo pode mudar, em uma vida, trazendo acontecimentos nefastos ou felizes. Muitas vezes, vemos pessoas que passam por dificuldades, e diante da perseverança destas, pensamos: "Ele é forte! Eu jamais conseguiria passar por tudo isso assim, tão serenamente..." Mas a cada dia, o seu quinhão... quando chegam os tempos difíceis, nos vemos passando por eles.
Por falta de alternativa, tornamo-nos verdadeiros heróis! Cobrimos distânci…

Viver e Renovar-se

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Ontem à tarde, minutos antes de minha aula começar, recebi um telefonema e uma notícia difícil ; imediatamente, comecei a perder o senso, e sentir aquelas coisas que todo mundo sente quando está apavorado: suores frios, coração acelerado, respiração pesada, formigamento nas mãos... ainda ao telefone, olhei para fora:
Estava uma tarde linda, maravilhosa. Uma daquelas tardes nas quais a gente pensa que, se existe a perfeição, ela só pode ser assim! Passarinhos por todo lado, um esquilo brincando na grama, o sol brilhando, o vento refrescante soprando como sempre... respirei bem fundo, ao desligar o telefone, e pensei: "De nada adianta perder a cabeça; nada vai mudar. Aconteça o que acontecer, o mundo não pára por causa de nada, e você vive neste mundo!
Logo depois, chegou meu aluno com sua linda namorada tailandesa, de férias no Brasil, e comecei a aula. A tarde passou correndo, ficamos os três conversando, e quando percebemos, a aula já deveria ter terminado há trinta minutos! Quand…

A Aranha

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Passeando pelo meu jardinzinho há alguns dias, eu procurava por imagens para ilustrar meus textos. Fotografei o céu, as borboletas, as joaninhas, os besourinhos na grama. Foi quando deparei com o objeto de meu pavor, serenamente parada sobre uma folha: a aranha.
Não era muito grande; tratava-se de uma espécie papa-moscas, maior que a maioria das aranhas desta espécie. Geralmente, eu teria saído correndo de medo desse bicho pavoroso, mas alguma coisa me fez prender a respiração e me controlar. "Ora, uma mulher dessa idade, com medo de um bichinho tão minimamente peçonhento, que poderia ser esmagado em menos de um segundo?!"
Pus-me a observá-la. Ela pareceu perceber minha atitude, pois virou-se devagarinho na minha direção, e passou a observar-me também, com aquele par de olhinhos cravados no meio de uma minúscula carinha monstruosa.

 Encarei-a de volta. Mesmo com o coração ainda descontrolado, murmurei: 'Não tenho medo de você." Ela se mexeu, firmando-se melhor nas pata…

"Eus"

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Há EUs demais Em teus ditongos. Por que tanta anomalia Nesse teu pensamento Longo?
Tantos muros, Caminhos duros, Tombos!...
Não alcanço O motivo dessa seca Em teu remanso, Se o rio é largo, Longo!...

A Pena

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Aquele que diz: "Tenho pena," Muitas vezes, quer mostrar Sua 'superioridade...' Ninguém há de sentir pena Daqueles a quem admira, Ama, ou considera dignos De ter entre os seus afetos...
A tua 'pena,' eu dispenso, Nem tenho pena de ti... Pois a pena que tu sentes, Talvez seja o sentimento (O único sentimento) Que há de brotar de ti...
Fiques tu, com tua pena ( malogro de piedade) E eu fico com a minha pena (minha palavra, verdade).

Aos Olhos do Observador-Conto

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Dois amigos passeavam pelo jardim da casa de um deles - mais favorecido pelas posses. Este último tinha convidado o primeiro para visitá-lo, pois sentia-se vazio e infeliz, e necessitava de alguém com quem conversar. Vamos chamá-los de Zé (o mais feliz) e Chico (o infeliz).

Enquanto Zé caminhava pelo jardim, reparava na beleza das árvores: seu amigo tinha plantadas várias fruteiras: goiabeiras, pitangueiras, limoeiros, laranjeiras, jabuticabeiras, pessegueiros e ameixeiras, onde pousavam passarinhos de todas as cores, cantando felizes. Algumas frutas maduras tinham caído no chão e permaneciam sob as copas das árvores, e alguns esquilos alimentavam-se delas. Logo, Chico reclamou:

"Não sei mais o que faço para acabar com esses pássaros malditos! Comem todas as frutas!"

O amigo Zé percebeu, mas ficou calado,  que se não fossem pelos pássaros, as frutas apenas apodreceriam nas fruteiras, pois o amigo não as colheria jamais.

Passaram por um lindo córrego, pequeno, mas que dava ao jar…

Meu Desejo

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Do que há de vir, desejo a cura, Não apenas da doença que nos ronda, Mas também do medo de enfrentá-la, De sentar-nos à mesa e comermos com ela,  Tentando, mesmo assim, não encará-la,  E de, todas as noites, tê-la à cabeceira Como nossa guardiã e companheira.
Do que há de vir, desejo a cura, Daquilo que a causou, que está em nós E que se fez raiz desta loucura Que provocamos, através do que pensamos E que hoje paira sobre nós Como uma sombra que aguarda E que nos guarda a dor que choraremos.
Do que há de vir, só quero a cura, Mesmo sabendo que ela pode nos ser cara, E que o caminho a percorrer será escuro, Que entre mim e o que desejo, existe um muro Que só os que tem muito amor e fé Tem também a esperança e a força necessárias Para, total e definitivamente, derrubar...

Flecha

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Amarrei forte
O sonho à flecha; Lancei no ar...
Raios de sol A colorir, A iluminar!...
E o que me importa, Não é o alvo, Mas o sonhar!
Pus um pedaço Do coração Neste lançar!

ACIMA

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Voava a imensa águia,
Acima dos pensamentos,
Colecionando momentos...
Asas abertas,
Olhos atentos...

Voava acima do que paira
Sobre esse mundo de cimento,
Ia nas asas do vento,
Penas ao sol...

Voava a imensa águia,
Pássaro nobre,
Pousava sobre o gelo azul,
E a paisagem...

Vivia sua liberdade,
Depois pousava,
Sobre o braço forte
Que alguém lhe esticava!

Sempre voltava!

O Sapo Insólito - conto

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O SAPO INSÓLITO
Quando mudou-se para aquela velha casinha com seus dois filhos, logo pós o divórcio, Joana ainda vivia um clima de final de festa, tendo na boca um gosto de ressaca por ter terminado um casamento ruim que durara mais de dez anos e ao mesmo tempo que a aventura de uma nova vida a excitava, deixava-a insegura. 
Tudo era novo: o divórcio, a mudança para a velha casinha em um bairro afastado do centro, o novo emprego, a escola nova das crianças. Muitos sonhos a sonhar, enquanto outros ainda agonizavam no caldo dos últimos  acontecimentos.


Foi Bruno, seu filho de sete anos, quem primeiro notou a grande pedra coberta de hera que ficava logo na entrada do jardinzinho, junto ao portão. Logo subiu nela, empunhando sua espada de plástico, tomando conta do território. Passou a explorar seus arredores, e percebeu que, em um dos cantos, havia uma profunda grota, que levava para dentro de um túnel com uma pequena abertura. Mas Joana estava ocupada demais com a arrumação do novo lar par…