sexta-feira, 4 de maio de 2012

PARE DE TENTAR SER FELIZ!


A quem você pensa que engana?

Pare de tentar ser feliz!

Apague a luz, e mergulhe bem fundo na escuridão. Tateie o caminho até o fundo do poço, caia, arrebente os joelhos nas pedras, sinta todo o frio e todo mau-cheiro da lama que compõe o piso da tua alma. Ouça as vozes aterradoras que gritam em seus ouvidos; Tema-as! Elas são os fantasmas que te perseguem desde o berço, desde o momento em que você abriu os olhos pela primeira vez e percebeu que estava vivo. Trave conhecimento com todos eles. Ouça seus gritos. Responda às suas perguntas, e deixe que eles o questionem. Seja sincero em suas respostas.

Depois, encare a sua solidão; não, eu não estou falando daqueles momentos de solidão em que não há ninguém por perto. Muito menos, eu falo daquelas vezes em que você se sente sozinho e vulnerável, frente a uma grande dor. Eu falo da solidão intrínseca que cada um de nós traz em si. A solidão que nada nem ninguém há de preencher. Pare de temê-la! Aceite-a, a partir de hoje, e entenda que ela é necessária para que você aprenda a ser mais forte. De nada adianta tentar mascará-la cercando-se de pessoas, ruídos, luzes, música.

Sinta todo o seu medo. Deixe que ele o domine. Morra de medo, encolha-se, ranja os dentes de tanto medo! O medo de ser, o medo de não ser, o de não poder, o de cair. Permita que o medo circule pelas suas veias, possua todo o seu corpo, e se faça presente em cada fio de cabelo. Submeta-se a ele! Qual é o seu maior medo? O de morrer? De não ser aceito pelos demais? O de ser esquecido? O de ficar doente? O de ficar sozinho? O de ser traído? O medo de ter medo?

Agora, encare a sua dor; não tente mascará-la tentando ser feliz e dizendo a si mesmo que tudo vai passar, porque não vai! A única maneira de salvar-se, é aprender a conviver com a sua dor, e só assim, ela será generosa o bastante para retirar-se de vez em quando e permitir que você tenha muitos momentos sem ela. E quando ela quiser doer, deixe que doa! Tranque-se em um quarto e chore bem alto, tudo o que tiver de chorar, chore sangue, se for preciso, mas deixe que a dor se manifeste, até que ela esteja satisfeita.

Encare a sua raiva. Não estou falando daquela raiva passageira, que a gente sente corriqueiramente, mas eu falo daquela raiva latente que nós temos, pelas coisas que perdemos, pelas coisas que jamais teremos e pelas coisas que não nos atrevemos, sequer, a desejar! Odeie! Odeie o mundo, porque ele é violento, injusto, perigoso, o mundo machuca, as pessoas estão cada vez mais loucas, a falsidade impera, Deus retirou-se de nós. Odeie, odeie, odeie! Sinta toda a raiva que puder sentir, grite de raiva, chore de raiva, quebre os copos da casa!

E quando terminar de travar conhecimento com a sua escuridão, sua solidão, seu medo, sua dor e sua raiva, respire fundo. Eles não tem mais poder sobre você.

Agora, você pode começar a acreditar na possibilidade de um recomeço, e em ser feliz.






7 comentários:

  1. Ana,que grande texto!Ninguém pode ver a luz se não caminhar antes pela escuridão!Muito linda msg!Bjs e meu carinho!

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  2. barbaridade... me lembrou as madames que sorriem por fora e choram por dentro... olha, muito legal esse texto... bjuuu (ah, aqueles poemas(bunda suja) viraram homenagem ao poeta Ferreira Gullart pelo seu POEMA SUJO se quiser participar e construir um é so colocar em comentários, que eu subo a postagem, aqui: http://lunasscafepoetico.blogspot.com.br/

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  3. Falou serio, vou refletir sobre isso, beijo de zélia

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  4. Tem um poeta que disse(escreveu)

    Eu antes quero muda expressão/os lábios mentem,os olhos não!
    Eu acrescento:Parem de acreditar e frazer acreditar que são felizes.

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  5. Uma lição a ser cumprida quase que diariamente até finalmente sentir-nos livres de todo medo, de nos enxergamos como realmente somos em toda sua totalidade. Arrebatadoras palavras Ana.

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  6. Admirável escritora, enquanto não deixarmos que a felicidade habite naturalmente nossos corações, não adianta quebrar copos. Anônimo

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  7. Passo pela primeira vez em teu blog e li quase todos os textos! Escreves muito bem, Ana! E este, é o que mais fundo bateu ... Parabéns pelo blog. Muita qualidade! Serei assídua.
    Bjks.
    Simone Simon Paz.

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