domingo, 6 de maio de 2012

Pássaro na Gaiola



Passarinho na gaiola
Jamais soube o que é ser livre...
Zomba, cantando entre as barras,
Do outro, que voa no céu!

Fala bem do seu alpiste,
Bebe a água do container,
Pula de um poleiro ao outro...

Passarinho descontente, 
Só finge que é feliz!
Morre de medo do gato
Que descansa sob a mesa...

Procura não cantar alto
Para que ele não desperte!
Recebe, cheio de  medo,
Os olhares das visitas
Que circundam a gaiola...

Passarinho que depende
De uma mão que o alimente,
Assovia de tristeza,
Mas aqueles que o ouvem
Pensam que é de alegria!

Ele fala do outro pássaro,
Acha que ele é escravo
Por procurar seu alimento
Na sina de cada dia!

Ele olha pelas barras
Da gaiola que o contém
E vislumbra o céu azul,
As verdes copas das árvores...
Sente certa nostalgia,
Mas quando o céu escurece,
Ele dá graças a Deus
Por sua gaiola segura!

Passarinho tem pavor
Da dor de ser esquecido,
Perde o brilho das estrelas,
Perde o voo até a lua!

Passarinho na gaiola,
Que triste destino é o teu!
Zomba, após a tempestade
Pela ave que morreu!

Mas não vê que ela cantou
E viveu intensamente,
Que sentiu toda a beleza
Do vento, passando ligeiro
Entre as penas de suas asas,
Desfrutou da liberdade
De escolher seu alimento,
Bebeu água do riacho,
Viu o sol se por nos montes...

Passarinho na gaiola,
Que um dia há de morrer
E de ser jogado fora
Por quem ele alimentou
Com a beleza de seu canto!

Ficará só a gaiola,
Melancólica, vazia,
E seu corpo pequenino,
Na lixeira atirado...

E assim, seu maior medo,
(que era o de ser esquecido)
Será, enfim, realizado.


 *************


Um passarinho livre de espírito sempre saberá o que fazer com sua liberdade.

11 comentários:

  1. Boa tarde Ana, triste sina de tais passarinhos, um dia já souberam o prazer de livres serem, mas escolhas são escolhas, deixam-se aprisionar com medo de experimentarem novos céus. E um dia aquele que os alimentaram em liberdade, irá jogá-los no lixo, da mesma forma que eles escolheram com total desprezo à viverem com quem os tratava com dignidade, serão desprezados até a hora onde tudo finda. Ana, a sabedoria não cabe à todos, mas a você, isso é parte e o todo.

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  2. Eu sempre me embriago com a leitura de seus maravilhosos textos, mas nem sempre concordo, num todo, com a mensagem embutida. Nós vivemos na "gaiola da vida", é fato, somos algumas vezes felizes, outras nem tanto. O passarinho que nunca voou livre não é, a meu ver, infeliz, pois ele tem seu próprio canto e vive protegido. Seriam os outros passarinhos que já nasceram livres mais felizes que esses "pobres passarinhos engaiolados"? Pois a liberdade é relativa, nem para muito, nem para pouco. Os passarinhos livres não estão livres do assédio dos outros passarinhos, precisam demonstrar responsabilidade e esperteza para sobreviverem... . O difícil mesmo é nos adaptarmos às regras. Um abraço

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  3. no lixo, seco e teso...aaafff bjuuu boa semana garota...

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  4. Ana,que comovente e triste sua poesia!Uma msg de grande sabedoria!Bjs e meu carinho!

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  5. A liberdade tem um preço, assumirmos as responsabilidades por tudo em nossa vida... Magnífico seu poema... Belíssimo poema! Parabéns! E que Deus nos abençoe... Sempre...

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  6. É triste e deprimente viver preso numa gaiola....Lindo Ana!! Bjsss

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  7. que fofo, acompanhado de uma belíssima poesia, amei!

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  8. A liberdade é uma asa
    que vale a pena
    um vale de um horizonte azul
    que nem o olhar pode alcançar
    e no fim o que vale é o poema
    com versos livres
    como um passarinho
    sem gaiola sem alpiste
    porque com as asas livres
    pode beber a água do riacho
    comer os cachos de grãos
    selvagens.


    Luiz Alfredo - poeta.

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  9. O pior é que soltos não saberão viver. Linda e triste poesia.

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  10. Que lindo!!Voce sempre abrilhantando ás páginas com sua sabedoria e bom gosto,admiro todo seu trabalho literário.
    Parabéns!!
    At,
    PEQUENA DIFERENÇA.

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