terça-feira, 15 de maio de 2012

ALIMENTO




Um dia, eu quero alimentar-me só de éter,
E ser leve, bem mais leve que o vento,
Mais leve ainda que a brisa e que o ar
E nunca mais necessitar de um documento.

Quero alimentar-me só de pensamento,
E excretar palavras vis, e sentimentos,
Um dia eu quero desmanchar-me toda em luz
Na caverna escura que hoje me rodeia.

Quero dançar nua à lua cheia,
E derreter qual  bala de alcaçuz,
Que eu me dilua, que os nós se arrebentem,
Quero ser mais livre que um total demente.

Um dia, eu quero alimentar-me só de éter,
E tornar-me  tão etérea e invisível,
Que nem mesmo o espírito mais sensível
possa vislumbrar o que ficou de mim.

E sei que um belo dia, será mesmo assim!

2 comentários:

  1. Nossa vida tem muito desta propriedade de volatilidade,mas fica uma historia, que creio não se apaga.
    Profunda reflexão em poesia.
    Parabens.
    Meu abraço de paz e luz.

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  2. A sensação dessa liberdade deve ser o que denominam paraíso. Lindo demais Ana.

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