quinta-feira, 31 de maio de 2012

Apego ou Amor?




Existem muitas pessoas e coisas que eu amo muito, e pelas quais eu sou extremamente agradecida à vida, que as deu para mim. Algumas delas (as principais) são:


- Meu marido
-Minha família
-Minha cadelinha
-A natureza
-A beleza
-Escrever
-Minha cidade
-Minha casa
-Meu trabalho

Amo todas estas coisas e pessoas. Há dias em que amo a uma delas mais que as outras, mas acho que é assim com todo mundo! Tem dias que estou cansada, e não gostaria de trabalhar, mas tenho que trabalhar; noutros, eu só quero escrever.  Assim como há dias em que tudo o que eu quero, é ficar com minha família. Mas pode ser que amanhã, eu queira ficar sozinha.

Sofreria muito, como já sofri, caso perdesse alguém que amo. Quem não sofreria? Acredito que quem consegue passar por uma perda sem sentir saudades ou sofrer, não amava de verdade. Até Maria chorou pelo seu Filho, quando Ele morreu.

Mas isto não significa apego. Há um período que precisamos para deixar ir embora aquilo qué não está mais aqui. É uma coisa muito pessoal, e apenas quem está passando por uma perda, sabe quanto tempo precisa para superá-la. O importante, é chegar do outro lado, e não ficar pensando que a vida acabou.

Quanto às coisas materiais que eu tenho, amo-as de paixão! Mas se tivesse que abrir mão de qualquer uma delas, eu o faria sem pestanejar, porque eu sei a real importância de tudo. Sei que as coisas materiais estão aqui para serem apreciadas, desfrutadas, usadas e partilhadas, enquanto forem nossas, mas não levaremos nada conosco. E pode ser que amanhã tenhamos que abrir mão de uma delas. Neste caso, acredito que quando a vida diz que chega, é porque chega mesmo. Talvez ela esteja querendo fazer algumas substituições úteis.

Houve em minha vida algumas ocasiões nas quais eu quis muito alguma coisa, e apesar de ter lutado, não as consegui. Mas logo depois, uma outra coisa muito melhor chegou. Por isso, acho importante não se apegar demais , deixando a vida guiar-nos no caminho.

Mas amar aquilo que se tem, é sinal de  gratidão. Sinto saudades de casa quando estou longe, principalmente na hora de dormir: penso na minha casa, nas cortinas do meu quarto dançando com o vento, penso na minha Latifa deitadinha na varanda, minhas coisas, meu trabalho. Antes de dormir, faço uma prece para que tudo esteja igualzinho ao que eu deixei quando eu voltar; que minha casa esteja protegida, minha cadelinha esteja sendo bem tratada, minhas plantas, regadas.

APAGANDO PASSOS





Eu passo,
E enquanto passo,
Com um galho seco,
Eu apago os passos.

Não sigas por aqui.

Eu passo,
Sem olhar pra trás
E meus passos seguem
Sempre para frente.

Já disse, não me sigas.

Eu passo,
Mas não deixo marcas
E se um dia eu chegue,
Estarei sozinha.

Não me acompanhes.

Eu passo,
Vou criando espaços
E cortando as linhas
Dos teus negros laços.

Eu passo; tu? Passado!

QUE...



Que a tua tristeza seja motivo
Para desejares, cada vez mais, 
A alegria.
Que teu desespero te leve sempre
À procura de um caminho de paz.
Que tudo o que der errado em tua vida,
Seja um incetivo para procurares acertar,
Da próxima vez,
E te conduza à novas descobertas,
Novas tentativas,
Novos aprendizados.
Que o desânimo que hora sentes
Sirva-te como uma catapulta
Que te lance longe, no ar,
Sempre para cima!
Que a saudade que hoje sentes
Daquele que se foi,
Lembre-te sempre 
Do quanto foi bom tê-lo em sua vida,
E que cada momento vivido,
Está guardado para sempre, 
Dentro de você, 
Onde ninguém poderá roubá-los.
Que a reposta atravessada que alguém te deu
Te faça ver o quão desagradáveis
São as pessoas que agem assim,
E te faças jamais desejar ser como elas.
Que amanhã estejas pronto
Para teres um dia novo,
Cheio de beleza
Pelo qual te sintas grato ao entardecer.


MINHA CIDADE

Passeio de charrete pelo Centro Histórico

Vivo como um turista dentro de minha própria cidade, e orgulho-me de viver aqui, onde nasci e pretendo morrer. E mesmo que um dia eu vá viver em outro lugar, é aqui que meu coração ficará. Porque existe uma grande afinidade entre Petrópolis e minha alma.

Imagem do Museu de Cera de Petrópolis -Johnny Depp
Imagem do Museu de Cera de Petrópolis - Alfred Hitchcock

Adoro viajar, passear e conhecer outros lugares, mas chega um certo momento em que tudo o que eu desejo, é voltar para cá, e estar junto destas montanhas.
Confeitaria Katz - antiga e muito tradicional na cidade
Petrópolis é também uma cidade de muitas delícias gastronômicas...
Meu bairro 
Casa dos Sete Erros, onde funciona o restaurante Bordeaux

Parque Municipal, onde se pode fazer trilhas, passear e observar a natureza



Catedral São Pedro de Alcântara      






É uma pena que, ultimamente, a cidade esteja quase que 'jogada às traças, devido à má administração...     espero que, nas próximas eleições, as pessoas consigam fazer uma escolha mais altruísta, ao invés de baseada apenas em interesses pessoais, já que, da última vez, o bairro mais populoso elegeu seu representante simplesmente devido ao fato de ser ele um morador do mesmo bairro.     

Desejo que minha cidade seja tratada com mais amor e consideração pelos seus representantes. Que haja melhorias nos transportes públicos, manutenção de parques e jardins, contenção de encostas e prevenção de ocupações ilegais destas, urbanização e saúde .          

A cidade é linda, tem um imenso potencial para turismo, mas pouco é investido neste setor. Precisamos de alguém que ame viver aqui para administrar esta beleza. E as vítimas das últimas enchentes, continuam sem assistência, apesar de o Governo do Estado ter mandado dinheiro para ajudá-las. Tenho uma amiga que mora em um lugar que ainda - após mais de um ano - não tem ponte de acesso. Eles tem que deixar o carro na rua e seguir à pé para casa, passando por uma trilha.


Acho muito triste tudo isso...


            

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Distância em Círculo




Quando alguém se vai,
A distância entre nós e eles
Aumenta, a cada dia,
No início.

É quando brota a saudade,
É quando o lembrar-se de tudo
Torna-se um vício.

Mas o tempo passa, circular,
Levando-nos, todos os dias,
Para mais perto de quem se foi.

E quem sabe, nem mesmo haja
Assim, tanta distância
Entre o Antes e o Depois...


ELEGÂNCIA




Meu poema é pobre, e às vezes, torto,
E já nasce manco, fraco e semi-morto
Muitas vezes morre sem alcançar a luz.

Mas é sempre o semen da  palavra que me escolhe,
E ele se recolhe todo,  a qualquer
Tentativa lúdica de dominá-lo.

Resta-me soltá-lo, e alinhá-lo às linhas,
Na ejaculação de um poeminha torto,
Aleijado, manco, roto, semi-morto,

Um poema tosco que já nasce órfão,
Pois a elegância que tentou gerá-lo
Morre nesse parto do imaginário.

A Joaninha



Ergui os olhos do livro
E uma joaninha
Passeava na parede,
Pintas negras salpicadas
Sobre as suas costas verdes.
E de repente, a história
Que aquele livro contava
Pareceu-me tão fugaz,
E um tanto desnecessária...


Eu Deusa




A formiga se afogava
Em uma poça de água,
Nadando, desesperada
Entre confusa e assustada.

Contemplei-a, em sua sorte,
Lembrei-me das minhas roseiras
Carregadas, aos pedaços,
Por suas longas fileiras...

Mas o dia estava lindo,
E num gesto inesperado,
Recolhi a formiguinha
Em um galhinho cortado.

Salvei-lhe a vida, e a formiga
Naquele exato momento
Picou-me as costas da mão
Num gesto de agradecimento

ONTEM



Eu ontem acordei,
E olhei tudo
Com olhos de primeira vez.

O pássaro que cantava
Ficou mudo, de repente.

Ele aguçou os olhinhos
E mandou-me um outro canto;
Fiquei tesa, sem resposta,
Ao seu doce acalanto.

Eu ontem, ao adormecer
Olhei tudo
Com olhos de última vez...

E a coruja deu seu pio
No galho, junto à janela.

Um arrepio...

Além



Eu olho através de ti,
Para muito além das memórias
Entre aquilo que tu fostes
E o que não és mais agora.

Eu ouço além do teu grito
No que a voz sufoca e cala
E morre assim, ressequido
Entre o silêncio e a fala.

Eu choro com olhos secos
Afogando a tua ausência
Me perdendo em teus degredos
Em busca da tua essência.

Escrevo um poema tosco
E nas linhas, não te encontro,
Pois moras além de tudo
Que eu toco, sinto e canto.

SINCERA



A face de cera, à espreita,
A falácia pontiaguda
Denomina-se sincera
A fera.

As garras rubras de esmalte
Que arranham minha porta
Não encontram quem responda,
Estou morta.

A verdade está cansada,
E casou-se com a mentira...
Hoje, viverá submissa
À ira.

Não existem mais caminhos,
Não encontro mais saída,
Para aquilo que eu sonhava
Da vida.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

TOTALMENTE SEM INSPIRAÇÃO



Aos meus amigos,


Ando sem inspiração, e minha conexão de internet está simplesmente péssima. Peço desculpas por não estar retribuindo-lhes as visitas, mas assim que melhorar, eu volto a postar , ler e comentar todo mundo.

Um grande abraço!


Ana

domingo, 27 de maio de 2012

ANDAR ENTRE AS FLORES




Andar entre as flores
De todas as cores
Todos os matizes
Todos os odores...

Sujar os sapatos 
Na lama do solo
E sentir que vale
A lama na sola.

Andar entre as flores
Requer muita calma
Sensibilidade
Jogo de cintura.

Andar entre as flores
Também quer dizer
Driblar os espinhos,
Picadas de abelhas.

Andar entre as flores
É ver  sutileza
Nela concentrar-se
Diante das dores...

Andar entre as flores
É ver a beleza
Das pétalas caídas
Ao longo do muro.

Eu ando entre as flores,
E aceito os riscos...
O jardim do mundo
Nem sempre é seguro.

PERDIDA DE MIM




Andei tanto tempo perdida de mim...
Quando me busquei, não me reconheci.
Fugi assustada do rosto que vi
No tempo em que andei perdida de mim.

E houve a jornada , o caminho de volta,
A loucura cega, a procura solta,
Até que de novo me reencontrei,
Mas confesso que andei perdida de mim.

Perdida de mim andei tanto tempo
Que eu mal me lembro por onde que andei
Mas sei que voltei mais dona de mim,
Eu não me sabia, mas hoje eu me sei.

E acaso algum dia eu me perca outra vez,
Talvez seja fácil me reencontrar.
Trilhei minha estrada, o caminho se fez,
Hoje eu posso ir, pois já sei voltar.

sábado, 26 de maio de 2012

ANJOS





Anjos

Lá, onde estão todos eles,
N'algum lugar indizível...
Invisíveis, diáfanos seres
Ilhargas dos homens perdidos
Que qual Ícaros lhes anseiam.

Lá, entre o pó das estrelas,
Contemplam-nos, embevecidos.
Sopramo-lhes ansiosas preces
E, na avidez de sermos ouvidos,
Ideamo-lhes o semblante.

Lá, entre o Eterno e o Instante,
Estes místicos seres de bruma
Olham por nós, e a eles oramos.
E em oníricas viagens noturnas
Entre zéfiros e ondas de espuma
Somente Lá os encontramos.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

CONSIDERAÇÕES DE UMA MENINA







Naquela casa, ultimamente, imperava um silêncio misterioso. A menina observava o movimento, o entrar e sair de dentro do quarto do irmãozinho doente. Vinham médicos (estes, sempre carregavam uma maleta e vestiam branco); vinham outras visitas (tias, primos e primas. Os adultos cheiravam à naftalina, e os menores, algo entre chiclete de frutas e tangerina). Todos entravam e saíam após alguns minutos, silenciosamente...

A menina quase não recebia nenhuma atenção, a não ser por algum adulto que, de vez em quando, passava-lhe a mão pelos cabelos.

Apenas a avó conversava com ela. Já muito idosa, ela tentava fazer com que a menina fizesse um pouco de silêncio - afinal, o irmãozinho precisava dormir - e procurava, como podia, substituir-lhe a mãe, ocupada nos cuidados com o menor. Para distraí-la, a avó contava muitas histórias. As duas viviam sentadas na calçada lá fora, entrando e saindo de mundos encantados, onde conheciam fadas, princesas, príncipes e bruxas malvadas - e nem tão malvadas. Às vezes, uma joaninha pousava ali perto, e imediatamente, a avó inventava alguma história sobre ela.

De repente, no meio de uma dessas histórias, a menina pergunta, de sopetão:

"Vó, o que é morrer?"

A velha senhora suspira, e tenta escolher bem as palavras:

"Bem, minha querida... todos nós nascemos, crescemos, daí nos casamos, temos filhos, depois netos... e a gente fica velhinho, velhinho... e depois, morre!"

Ela parece refletir por alguns instantes.

"Só gente velha morre?"

"Não, não... às vezes, gente nova também morre! Podem ficar doentes, ou sofrer algum acidente..."

"Mas... como é morrer?"

Não querendo mentir para a menina, mas também não pretendendo que ela pudesse compreender uma explicação exageradamente elaborada, a avó responde:

"Não sei, querida... alguns dizem que é como dormir para sempre."

"E nunca mais se acorda, vó?"

"É como eu já te disse, não sei. Tem gente que acha que a gente vai para um outro lugar; não com este corpo, mas com uma fumacinha que mora dentro da gente, chamada 'alma.' A alma sai do corpo quando a gente morre, e viaja para outro lugar."

A menina parece lembrar-se de alguma coisa de repente:

"Para o céu!" - Ela diz, apontando a imensidão azul. A avó concorda:

"Sim... para o céu."

"Mas... não tem gente que vira fantasma?"

A avó ri:

"Alguns dizem que sim... mas eu nunca vi nenhum, e você?"

"Eu não! E se eu visse, saía correndo!"

Ela parece ficar quieta por algum tempo, e se distrai, brincando de enfeitar as unhas compétalas de flores. A avó espera, pois conhece  a neta, e sabe que ela terá mais perguntas. A menina olha para ela:

"Vó... quem morre primeiro, gente velha ou gente nova?"

"Ah... geralmente, gente velha."

"Mas então... a vó vai morrer antes de mim?"

"Espero que sim, querida!"

"E antes do meu irmãozinho?"

A menina vê uma sombra passar pelo rosto da avó.

"Não sei, meu bem... você sabe, seu irmãozinho está muito doente!"

"Ah... mas o Totó ficou muito doente um dia, mas depois, ficou bom! Meu irmão não vai ficar bom?"

A velha senhora enxuga uma lágrima furtiva.

"Espero que sim, meu bem... espero que sim..."

Dizendo isso, a avó abraça a menina, e as duas ficam assim, quietinhas, olhando o céu e adivinhando formas nas nuvens.

Enquanto isso, a menina pensa na vida. E enquanto pensa, ela vai crescendo, e compreende que viver ou morrer é apenas uma questão de estarmos vivos, pois não importa quantos anos alguém possa ter, ou caso seja ou não saudável; isso não determinará quem vai antes ou quem vai depois. Quem está doente, pode vir a curar-se, enquanto alguém que está saudável, pode acidentar-se e ir bem antes daquele que está se curando. O dia da morte é sempre um mistério, como misteriosos são os caminhos da vida.

Viver ou morrer são dois lados de uma mesma página, que ninguém sabe quando será virada. Por isso, tudo o que nos resta, é não pensar muito nisso, e deixar que o Vento de Deus decida quando virá-las. Se vivermos com intensidade, teremos vivido o bastante, e isso é o que importa.

Publicado em: 27/12/2010 13:36:02

Quando eu Olhar Para Trás



Daqui a muitos anos, quando eu estiver pronta para despedir-me desta vida, não darei importância a coisas que geralmente são consideradas importantes : "Quanto você ganhou? Que países visitou? Quantos 'amigos' teve? Quantos vestidos usou? A quantas festas compareceu? Quantas vezes foi fotografada? Ficou famosa? Ficou rica? Quantos amantes teve? Foi 'vencedora?' Foi admirada?"

Daqui a muitos anos, nada disto terá importância. E o que ficará?

Quero que fiquem as tardes ao sol de inverno, quando sentei-me em meu jardim com meu marido e meus cães. Quero lembrar-me da minha juventude, quando eu corria ao sabor do vento - eu sempre amei o vento - e meu corpo era flexível e leve. Quero lembrar-me dos doces de abóbora, sorvetes, xícaras de chá com torradinhas e biscoitos, o bolo que deu certo, as poesias que escrevi, meu livro (ou livros), todos os livros que li e adorei, cujas mensagens ficaram no coração.

Quero lembrar-me dos pores de sol, da chuva, dos animais, da natureza, enfim, com toda a sua generosidade.

Quero lembrar-me dos filmes que me fizeram chorar (de tristeza ou de alegria), mas que despertaram  em mim emoções, como na velha canção do Roberto. Quero estar feliz, pois as despedidas que se deram, terão, finalmente, um reencontro.

Daqui a muitos anos, quando eu olhar para trás, existe um pensamento que eu quero que esteja comigo, naquele último minutinho antes de deixar este mundo:" FOI BONITO!"

quinta-feira, 24 de maio de 2012

LINDAS!...



Lindas, elas nos olhavam,
Com suas faces planas
E cheias de cores...

Algumas perfumadas,
Outras neutras,
Mas todas, absolutamente lindas!

Centenas delas, 
Espalhadas
Diante de nossos olhos abismados
De tanto encantamento,

Descobrimos que são alegres, as orquídeas,
Elas gostam de brincar carnaval!




PENSAMENTO




Eu às vezes vou longe 
No meu pensamento,
Tão longe, que não há tempo
Para patentear
As coisas que eu invento.

Meu pensamento corre livre e solto,
Além da língua,
Que não o freia
Por isso, meu pensamento
Não morre à míngua,
Nem sob as pontas agudas
De outras línguas.

OUÇA...



Existe uma canção...

Ouça, faça silêncio,
Apure os ouvidos,
Cala essa voz imensa!

Existe uma canção
Assim, que passa,
Entre o sopro do vento
E o ruído fino da água...

Uma canção macia
Que atravessa o dia
E que nem mesmo à noite
Silencia!

Automarketing - artigo


Automarketing

Automarketing pode ser definido como "conjunto de estratégias e ações que preveem o desenvolvimento, o lançamento e a sustentação de um produto ou serviço no mercado consumidor", no caso... o próprio indivíduo envolvido na ação. (fonte: Yahoo Respostas)

O marketing existe desde que o comércio existe.  Ele é necessário para que um produto torne-se conhecido pelo público, e que atraia consumidores ou usuários. Todo mundo já comprou algum produto porque o interesse por ele foi despertado através de uma propaganda vista na TV, jornal, revista ou outro meio de comunicação. É claro, o marketing também tem seus exageros, ao tentar convencer-nos de que alguns produtos perfeitamente descartáveis são essenciais à sobrevivência. Daí, precisamos usar  o nosso poder de discernimento e bom-senso.

Algumas pessoas consideram antiético fazer propaganda de si mesmo, mas pensem bem: em uma entrevista de emprego, por exemplo, precisamos destacar as nossas qualidades pessoais e qualificações profissionais para o emprego desejado, ou jamais o obteremos! Precisamos fazer a nossa propaganda, e hoje em dia, existem cursos para que as pessoas aprendam a se promover.

Imaginem a seguinte cena (e acredito que quase todos já passaram por isso):

Você está na escola. A professora faz uma pergunta à qual você sabe a resposta, pois é um aluno aplicado e estudou o assunto; mas sua mãe ensinou-lhe a virtude da modéstia e da humildade, que significa, entre outras coisas, dar a vez aos outros para que eles se destaquem, e evitar mostrar o que sabe. Bem, voltando à sala de aula: silêncio na classe. Você sabe a resposta, e ela queima na ponta de sua língua, mas  precisa ser modesto. Você vê o colega pesquisando apressadamente a resposta no livro, sem que o professor veja, e de repente, ele levanta a mão e dá a resposta – que você sabia o tempo todo por mérito, e não por ter ‘colado.’ Assim, excesso de humildade e modéstia também faz mal. E que mal!

Todos nós precisamos demonstrar confiança no que fazemos, ou jamais obteremos a confiança das outras pessoas quanto aos nossos serviços e capacidades, mesmo que sejamos muito bons! E no mundo competitivo em que vivemos (não estou aqui afirmando que concordo com a competição desenfreada na qual estamos inseridos, apenas cito-a como um fato), necessitamos, literalmente, aparecer!

E todos nós sentimos esta necessidade, seja ela em um contexto profissional ou pessoal. Até mesmo você, que escreve um blog, ou jamais o escreveria.

Não há nada de errado com a autopromoção, desde que ela não venha acompanhada de exageros e presunção. Pensemos em um contexto, digamos, mais ‘caseiro:’ quando faço um bolo de chocolate e ele fica delicioso, sirvo-o aos meus alunos ou convido alguém para comê-lo. Fiz algo que eu acho que ficou bom, e desejo partilhá-lo… os elogios que possam fazer à minha criação, farão com que eu me sinta feliz e orgulhosa, e se alguém disser: ‘Falta um pouco mais de açúcar,” mesmo que eu não concorde, com certeza eu pensarei sobre o assunto e tentarei acertar na próxima vez.
Até hoje, eu não consigo compreender a lógica das pessoas que dizem ser contra o automarketing. Elas consideram errado demonstrar apreciação por uma coisa que elas mesmas criaram. Bem, cada um tem o direito de pensar como quiser, mas eu prefiro o automarketing à falsa modéstia.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Violão




A Voz do cantor
Erguia-se, veloz
Ziguezagueando
Entre as cordas e acordes
Do violão.

perfeita harmonia,
A combinação
De voz, flauta, violão
E poesia!

No Dia Seguinte...



A noite foi longa e muito escura,
E os fantasmas passeavam,
Arrastando suas correntes longas e pesadas
Pela madrugada,
fazendo sangrarem as lembranças
Das feridas que eu já pensava
Cicatrizadas.

A noite foi tão dolorida,
A vida gritando entre as batidas
Das horas que, cruelmente,
A engolia...
Foi uma noite longa, longa,
Que deixou a alma cheia de sombras.

Mas no dia seguinte,
O sol surgiu, como sempre,
Os pássaros cantaram sobre os galhos,
A neblina dissipou-se com o avanço da manhã,

E os carros passaram,
Os trabalhadores começaram seu dia
Com sons de marteladas
E risos que soavam entre os serrotes
Que cortavam, em pedaços, a faina do dia.

A noite, de repente, pareceu-me distante...

O Que eu Ganho?



"Poesia é 'fria!'
Não dá futuro,
Não faz dinheiro!"

E o que eu ganho?

Talvez, o direito de estar entre os anjos
Ou de andar no inferno
Sem temer os demônios,
Todos os dias!

Ou quem sabe, a poesia traga
Um pouco de sentido
A algumas vidas que doem?...

Mas o que EU ganho,
É com certeza, o direito
À liberdade de expressão
Ao que, de outro modo,
Sufocaria o coração.

A poesia
É o meu direito de ser:
Brega,
Romântica,
Sarcástica,
Quântica,
Bombástica,
Triste, alegre, viva, morta,
Louca perigosa!

Agradecimento à Lia



A Lia mandou-me este lindo presente há alguns dias. Olhem só que graça!

É isso que incentiva a gente  a continuar, a ir em frente, e a suportar as pedradas...

Muito obrigada, Lia! Já tinha te agradecido, mas agora eu finalmente formalizo este agradecimento.

Agradeço muito também às pessoas que tem me procurado para fazer as pazes comigo. Explico: há algum tempo, houve um grande mal-entendido em outro espaço virtual, quando algumas pessoas juntaram-se em um grupo e praticaram um ataque em massa contra mim, tudo devido a um grande mal-entendido que eu acredito, tenha sido devido à fofocas.

Estas pessoas tem me procurado, e os mal-entendidos estão sendo desfeitos e esclarecidos, e um novo recomeço marca nossos relacionamentos, graças a Deus! Finalmente... sinto-me bem melhor assim. Obrigada a estas pessoas. Tenho certeza de que de agora em diante, conviveremos virtualmente em paz.

Bem, receber estes dois presentes - o selo da Lia e os emails destas pessoas - deixou-me realmente grata e muito feliz.

E para todos que me visitam, também deixo meu carinho, gratidão e admiração. Para todos vocês, 


terça-feira, 22 de maio de 2012

Perdi!



Jamais me esquecerei daquela tarde,
Em que a esperança que eu sustentava
Abandonou-me.

Jamais esquecerei a dor que nasceu
No momento exato
Em que me foi negado
Tudo, tudo o que eu queria!

Restava-me chorar - e eu o fiz,
Abraçada aos passos
De quem jamais caminharia...

Restaram-me as palavras engasgadas,
E eu as entornei, a todas,
Por sobre páginas e páginas,
Ou certamente, eu morreria...


Te Amo


Te amo tanto, e sei o quanto és breve,
Por isso, não te peço que fiques,
Nem que me leves,
Pois tua essência é volátil, leve,
Tua presença, um privilégio
Que eu não posso reter.

Te amo tanto, e a minha dor é fina,
Transparente, ferina,
Pois perder-te é meu destino
Que eu não desafio,
E nem tento retirar
A ponta do punhal que testa
Meu coração infeliz.

Te amo tanto, e assim, deixo-te livre,
Pois se te prendo, a tua essência foge
Para todo sempre, de mim...
Sei que a saudade senta-se comigo
Silenciosa , a observar-me,
A esperar a hora derradeira
Em que serei, para sempre e mais um dia,
A sua fiel hospedeira.




A SENTINELA - um conto



Ela morava justamente na fronteira entre os dois países, sendo que eram países  inimigos, e ela nascera justamente no país sem liberdade; ela nem sequer sabia porque, mas desde que se recordava de si mesma, entendia que seu mundo estaria limitado àquela fronteira. Só poderia ir até ali. Jamais saberia o que havia do outro lado. Ouvia falar em liberdade e melhores condições de vida. Era como viver em um mundo fora do mundo.

Às vezes, ela ficava horas sentada nos degraus da porta da cozinha, olhando as cercas de arame farpado e as sentinelas, em ambos os lados da cerca, que iam e vinham, de um lado para o outro, o dia todo. Eram todos iguais, ou pelo menos, assim lhe parecia.

Tinha ouvido falar de um local aonde havia um buraco na cerca, por onde, de vez em quando, alguns conseguiam passar para o outro lado. Ninguém sabia porque o buraco jamais fora consertado ou vigiado com mais vigor; o fato é que ele estava ali, e que todos sabiam de sua existência. Dizia-se que para fugir por aquele buraco, era preciso juntar muito dinheiro. Mesmo assim, não havia nenhuma garantia de segurança.

Às vezes, ela ouvia tiros, e as pessoas murmuravam pelos cantos: "Pegaram eles!" Mas ninguém dizia quem eram eles. Noutras ocasiões, após um momento de tensão, em que senhoras torciam as saias dos aventais em apreensão, a pequena vila parecia quedar-se em expectativa durante alguns minutos. Ninguém o fazia de forma muito óbvia, mas ela percebia que, de vez em quando, os olhares se dirigiam, fugidios, para o norte, onde (diziam) encontrava-se o tal buraco na cerca. Após vinte e cinco minutos, se nenhum tiro fosse escutado, a tensão parecia dissolver-se, e cada qual voltava aos seus afazeres, alguns com lágrimas nos olhos, mas felizes. Alguém murmurava: "Eles conseguiram!"

Assim, o tempo foi passando, e transformando a menina em uma linda moça. Todos os dias, ela ordenhava as cabras, cuidava do terreno em volta de sua casa, levava a refeição na cama para sua avó, ajudava a mãe nos afazeres da cozinha. Enquanto isso, o pai trabalhava na roça.

Sempre que podia, ela se sentava na mesma escadinha na porta da cozinha, mordiscando um fio de capim, e olhando as sentinelas que passavam e que eram sempre iguais.

Um dia, ela percebeu que algo estava errado. Estava sendo observada. Notou que a sentinela que caminhava do outro lado da cerca estava olhando para ela. Pela primeira vez, viu em uma das sentinelas algum traço humano. Ele tinha dois olhos. Dois olhos bem grandes. A boca que se abria em um sorriso para ela. Sem querer, a dela abriu-se em um sorriso para ele.

Assim, todos os dias, a moça passou a ansiar pelo momento de sentar-se nos degraus da porta da cozinha, e sua vida passou a ter um novo sentido. Trazia no coração um sentimento novo, que a deixava alegre, mas ao mesmo tempo, lá dentro dela, crescia também um medo fininho... porque ela sabia que, se eles continuassem se olhando daquela maneira, algo mais teria que acontecer.

Um belo dia, ela percebeu que ele tinha nas mãos um pedaço de papel. Viu quando ele o enrolou em uma pedra, e aproveitando-se da distração da sentinela que tomava conta do lado da cerca onde ela estava, jogou a pedra por cima do arame farpado. Ela esperou um momento, até que sua sentinela lhe desse as costas novamente, e como quem não quer nada, caminhou vagarosamente até o local onde estava a pedra e, bem depressa, inclinou-se e pegou -a, enfiando-a no bolso da saia rapidamente.

Do outro lado da cerca, a sentinela fingia fazer o seu trabalho de vigiar.

Ela trancou-se no banheiro da casa, abriu o bilhete enrolado na pedra e leu: "Encontre-me hoje à noite junto ao buraco da cerca."

E quando a noite caiu, ela esperou que todos na casa dormissem e, no silêncio que dominava a escuridão após o toque de recolher, ela envolveu-se em uma capa preta e foi até o buraco da cerca. Chegando lá, ela esperou. Quase meia hora depois, ela o viu aproximar-se.

Ele estava vestido com sua habitual farda de sentinela, e quando ele passou pelo buraco da cerca e a tomou nos braços, as estrelas pareceram cintilar mais forte.

Passaram a encontrar-se ali quase todas as noites, e então, iam para uma caverna ali perto, onde ficavam juntos até pouco antes do amanhecer. A vida dela passou a ter um novo sentido. Tudo o que fazia passou a ter um propósito: ordenhava as cabras com alegria, cantava, enquanto varria o terreno da casa, e até mesmo as tarefas de que menos gostava, passaram a ser mais fáceis para ela. Tudo porque estava amando.

Um dia, ela sentou-se como sempre, nos degraus da porta da cozinha, e ficou esperando por sua sentinela. Mas ele não apareceu. Nem no dia seguinte, nem depois, nem nunca mais.

As histórias corriam sempre, e eram murmuradas em segredo. Foi assim que ela ficou sabendo de uma sentinela do país vizinho que fora morta em um tiroteio, quando algumas pessoas do seu país tentavam entrar no país vizinho.

Enquanto ela definhava, a barriga lhe crescia. Passou a usar vestidos largos, e já que estava muito magra, não foi difícil esconder a gravidez até o final. Deu à luz sozinha no pasto, nas primeiras horas da manhã. Enquanto ainda sofria as dores, um grande meteoro caiu ali perto, uma  impressionante bola de fogo que cruzou os céus e foi vista por todos., deixando no solo um enorme buraco.

Após descansar um pouco, recompondo-se do susto que levara com o cair do meteoro,  a moça pegou seu bebê no colo e olhou para ele pela primeira vez. Chorou de emoção e de saudades, ao ver no rosto do menino, os mesmos olhos de sentinela fitando-a.

Embrulhou a criança em seu avental e levou-o para casa.

Até hoje, todos ainda ouvem falar na história da mulher que, durante um passeio matinal pelo pasto, viu quando um anjo desceu do céu em uma grande bola de fogo e pôs um bebê sobre o capim. Por causa deste milagre, as fronteiras entre os dois países foram finalmente abertas, e as sentinelas, dispensadas.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Existe Alguma Coisa Com as Árvores...



Existe alguma coisa com as árvores... quando o vento passa pelas folhas, ele busca segredos na clorofila. Cheias de vida, elas se doam aos pássaros, ao céu, às bromélias e aos homens. Doam sombra, doam vida.

Toda vez que eu olho para uma árvore, eu sinto reverência, não importa se ela é uma grande árvore frondosa e antiga ou apenas uma criaturinha de finos galhos, tentando sobreviver. As árvores tem alma, e isto é inegável!


Adoro estar junto a elas!

As árvores conhecem os segredos da vida, e por isso, são silenciosas...



O INVERNO em MIM



Meu inverno
Tem algo por dentro
Que não me deixa congelar...
É uma chama que queima,
Uma fogueira que insiste
Em existir
Através das noites mais frias...

Meu inverno
É um estado de escolha,
A estação branca de minha vida,
Onde a claridade me ilumina
E o gelo  me preserva,
Até que o sol volte.

Meus pés são frios,
Mas meu coração quente
Não me deixa morrer.

PARA MILENA

                                    


Querida e delicada flor,
De pétalas feridas
Sob tua corola, caídas...
Cadê teu perfume?

Querida e delicada flor,
Não deixe desbotar
A tua linda cor...
Que o tempo te cure!

Cadê a tua chuva, flor,
Cadê teu viço?
Acreditas, realmente
Nesse sumiço?

Querida e delicada flor,
Tua alma grita,
Mas o tempo urge,
A vida assume...

Aquilo que ficou é teu,
Ninguém mais tira,
Você sorriu, você viveu,
Aquilo tudo é teu!

Querida e delicada moça,
Seca tuas lágrimas,
Pois o teu cravo
Não quer te ver assim!

Acredita em mim,
Ele te olha,
E a cada lágrima caída,
Ele se desfolha...

Flor delicada, e tão querida,
Amar faz parte da vida,
Morrer faz parte da vida...
Chorar faz parte da vida...

Querida e delicada flor,
Vá lá para fora,
Tenta ver a beleza escondida
Pelas lágrimas de agora!

Eu Posso



Eu posso passar, tentando não ver
A beleza que me cerca,
O gato na cerca,
O passarinho que dá um voo rasante
Sobre os meus sonhos.

Posso fechar os olhos
Ao azul do céu,
Á miríade das formas e cores das nuvens,
Posso tapar os ouvidos
Quando ouvir o riacho que sussurra.

De cabeça baixa, eu passo
(E eu posso passar)
Ignorando tudo, negando a beleza...
Mas o que fazer,
E como não me render
Quando ela cai da árvore e se esparrama no chão
Bem na minha frente,
Sem palavras,
Aos meus pés?

Nó na Garganta



Ontem fomos dar uma caminhada no final da tarde, e passamos pela nossa antiga casa, hoje totalmente reformada, bem diferente do que era quando moramos lá. Pintada de um verde fortíssimo (até dói os olhos, mas gosto é gosto), ela ganhou mais um andar. Minhas roseiras foram todas removidas: a branca, a laranja, a cor-de-rosa, a rosa chá e a vermelha. A casa ficou muito boa e funcional, mas lamentei pela destruição do jardim e dos canteiros que nós cuidávamos com tanto carinho. Faltam plantas.

De repente, olhei e percebi que eles conservaram os balaustres da cerca, e imediatamente, lembrei-me do Aleph, meu cão, a cabeça enorme para fora, entre os balaustres, latindo para a rua. E foi como se todas as lembranças que estavam presas em algum lugar, de repente, desaguassem.

Revi os dias nos quais eu me deitava na rede da varanda (hoje, coberta por telhas; antes, por uma pérgula onde crescia um Bunganville cor-de-maravilha) e o Aleph deitava-se  sob a rede, dormindo de roncar. Lembrei-me de mim mesma, podando as roseiras, arrancando o capim dos canteiros, limpando as grades das janelas. Recordei as noites de sábado, nas quais nós íamos para fora e nos deitávamos no chão de cimento do jardim, olhando estrelas e conversando, até a madrugada. O quintalzinho dos fundos, onde eu tomava sol.

Hoje, moro em uma casa bem melhor que aquela, mas vivi tantas coisas boas ali... impossível não sentir saudades do que foi bom! Confesso que deu um nó na garganta ao lembrar-me de tudo o que vivemos naquela casa.

MINHA MISSÃO É ESTAR AQUI

Estava lendo  uma entrevista da psicóloga e personal coach americana Laura Ciel, no qual ela fala sobre aquele momento (momen...